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A inclusão traz benefícios a todos

Por Viviane da Silva Lopes*

Tenho uma filha linda, de três anos, que se chama Larissa. Descobri que ela poderia ser portadora da Síndrome de Williams quando tinha apenas três meses de idade, durante uma consulta de rotina. A médica desconfiou de algo e nos encaminhou para um exame genético.

Hoje, Larissa faz todos os acompanhamentos médicos necessários pela rede pública de saúde. Apesar de fazer acompanhamento com fonoaudiólogo, ela ainda não fala. Eu a coloquei na escola comum em julho deste ano e, desde então, seu desenvolvimento tem acelarado a cada momento. Ela balbucia algumas músicas e já canta “Parabéns a você” sozinha. Seu convívio com outras crianças também teve muita evolução.

Ela estuda no Centro Educacional Dias Pereira (CEDIP), que fica aqui em Jacarepaguá (SP). Só tenho a agradecer a cada membro daquela escola, pois todos estudaram o caso da minha filha e, desde então, dedicam-se para sua inclusão. Abriram uma exceção ao deixá-la se matricular mesmo usando fraldas, e não a colocaram em turma especial. Minha filha estuda junto com as outras crianças.

No próximo ano, ela vai para o Jardim I. Quero muito que o nosso país se modernize neste aspecto educacional. Minha filha é prova de que a educação inclusiva traz benefícios, sim. E não envolve somente o aprendizado da criança. Pais, alunos e professores em volta também aprendem com eles. Farei a minha parte no que for possível para que isso aconteça.

*Viviane da Silva Lopes é mãe da Larissa, de três anos, e acredita em um país inclusivo

Inclusão é direito de todos

 

Por Claudia Caroprezo*

Há dias tenho pensado em escrever e compartilhar minha história com vocês. Como escrever dez anos de uma vez só? Resolvi, então, compartilhar aos pouquinhos, para que eu possa passar a todos minha experiência como mãe de uma linda menina que nasceu com uma síndrome genética rara, o que lhe causou a ausência de mãos, parte dos pés e displasia ectodérmica. Essa síndrome, denominada E.E.C., é proveniente da ausência de um gene no momento da divisão celular do feto. Como vocês podem imaginar, fiquei sabendo sobre a má formação ainda durante a gestação.

Foi difícil. Sentia como se um enorme buraco sem saída tivesse me envolvido. Porém, não me permiti ficar nele por mais de dois dias. Assim, após a notícia, eu me levantei e fui procurar conhecer instituições como a AACD. Fui estudar e me preparar para receber o ser humano mais lindo que já conheci: minha filha Isabella! Vocês podem estar pensando “nossa, que mãe coruja!” e digo que toda mãe é coruja por natureza.

Mas o ponto é que nunca conheci uma criança tão alegre e tão feliz pelo fato de viver! Minha função como mãe é orientar, educar. Mas confesso que aprendo muito com ela todos os dias. Aprendo a me aceitar como sou: com celulite, gorda, magra… Pois essa não é a essência do meu SER. Descobri minha essência e fugi das superficialidades e das futilidades da vida. A vida passou a ter outro significado. Talvez, o correto significado.

Assim como eu, percebo que os amiguinhos (sem deficiência) da minha filha são muito beneficiados pela convivência com ela. É lindo perceber que eles estão crescendo imbuídos de sentimentos nobres! São crianças que aceitam minha filha como ela é, que a respeitam, que a têm como amiga para todas as horas: para um cinema, para festinhas, para passar um dia juntos. São crianças que crescerão sem preconceito, pois sabem que minha filha é tão CAPAZ quanto eles.

Isabella faz TUDO o que todas as crianças fazem. Porém, possui habilidades manuais que muitas crianças com as duas mãos não possuem. Ela é muito inteligente e seu dom é o artesanato e a interpretação. Em 2010, participou de um festival de teatro infanto-juvenil e ganhou o prêmio de melhor atriz. Ela era a única criança com deficiência física e arrancou risos, por ser cômica, e aplausos da plateia. Foi incrível! O espetáculo era um musical e ela, uma das únicas crianças que dançava, cantava e ainda contracenava.

Digo tudo isso para que as pessoas que não possuem a felicidade de conviver com alguém que tem deficiência possam tomar conhecimento de que elas são como nós. Algumas vezes, são melhores do que nós. Não estou fazendo uma colocação “nós/elas” no sentido de segregação, mas, sim, no sentido de “pessoas sem deficiência e pessoas com deficiência”, apenas. Fico feliz com a perspectiva de que as crianças que convivem com a minha filha crescerão conscientes de que pessoas com deficiência são eficientes, capazes.

Fico feliz em saber que essas crianças farão de nossa sociedade um lugar menos violento, menos preconceituoso. Elas são o futuro, e consigo visualizar um futuro muito melhor, pois são muito mais do que nós. Elas ACEITAM, RESPEITAM, AMAM! Por isso, sempre que posso, faço a seguinte provocação: “a inclusão escolar é um direito de quem?”. Respondo: de todos. Todas as pessoas, com ou sem deficiência, são beneficiadas com a convivência nas diferenças.

*Claudia Caroprezo é graduada em pedagogia e faz pós-graduação em psicopedagogia. É mãe de Isabella, de 10 anos, que desde os 4 anos estuda em colégio particular na zona leste da cidade de São Paulo.

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