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Educação Inclusiva: o Brasil não pode e não irá retroceder

 

Este texto tem por objetivo esclarecer toda a população sobre uma manobra política inescrupulosa que aconteceu em Brasília na última semana e que culminou com uma tentativa de golpe nas políticas públicas de educação inclusiva no país. Usamos aqui a palavra TENTATIVA porque estamos baseados na Constituição Federal, lei maior deste país:

 

Cenário das políticas de inclusão dos últimos anos
O Decreto 6571/08, durante os últimos três anos, foi instrumento poderoso para a efetivação da educação inclusiva porque seu texto dispunha sobre o chamado Atendimento Educacional Especializado (AEE), que é um serviço oferecido aos alunos público alvo da Educação Especial (pessoas com deficiência, transnorno global do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação). Para garantir um sistema educacional inclusivo, o AEE é sempre oferecido no contraturno da escola comum, de forma complementar ou suplementar à escolarização regular (jamais de forma substitutiva).

Além disso, o Decreto 6571/08 também garantia a dupla matrícula no âmbito do Fundeb desses alunos matriculadas no AEE no período oposto ao da escolarização. Ou seja, além de o aluno estar na sala regular, garantia a oferta do AEE no turno oposto em Salas de Recursos Multifuncionais na própria escola ou em outra escola da rede de ensino, em centro de atendimento educacional especializado ou por instituições filantrópicas. O decreto permitiu que o AEE pudesse ser oferecido por instituições, valorizando assim toda a sua trajetória, e ressignificando o seu papel na sociedade. Em vez de segregar as crianças exclusivamente em escolas especiais, essas instituições, nessa nova perspectiva, passaram a ser parceiras no processo de inclusão nas escolas comuns, oferecendo o AEE.

Este dispositivo legal era uma força motriz que garantia todo o processo de inclusão do país, iniciado ao longo dos últimos nove anos. A Política Nacional de Educação Especial na Perspecitva da Educação Inclusiva, publicada em 2008, tinha no Decreto 6571/08 as garantias para sua implantação. E tal política responde positivamente aos preceitos da Constituição Federal e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

 

A recente tentativa de golpe na Educação Inclusiva
No último dia 18 de novembro, foi publicado um novo Decreto (7611/2011) que revoga o Decreto 6571/2008. Em seu Art. 8º, que inclui e dá nova redação ao Art. 14 do Decreto 6253/2007, o texto diz:

Art. 14. Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das matrículas efetivadas na educação especial oferecida por instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente. (Redação dada pelo Decreto nº 7.611, de 2011)

§ 1o Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou especializadas. (Redação dada pelo Decreto nº 7.611, de 2011, grifos nossos)

Desta forma, o novo decreto permite que escolas especiais ofertem a Educação, ou seja, que sejam espaços segregados de escolarização regulamentados por lei. Isso significa que elas poderão substituir a escolarização em classes comuns de escolas regulares, fato já superado no nosso país. Além disso, poderão receber duplamente pela matrícula do aluno na escola especial e no AEE. A força motriz da inclusão (a dupla matrícula no Fundeb) tornou-se, agora, a força motriz da exclusão.

O sistema educacional inclusivo do Brasil foi exemplo para o mundo na 4ª Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência, ocorrida em setembro deste ano. Os esforços empreendidos para a garantia da educação para alunos com deficiência e o total respeito ao artigo 24 da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência e demais preceitos constitucionais foram os motivos. Os avanços promovidos pelo Ministério da Educação por meio da antiga Secretaria de Educação Especial (atual DPPE/SECADI/MEC) nos últimos 9 anos garantiram Direitos Humanos, garantiram que as pessoas com deficiência saissem da invisibilidade e se tornassem estudantes de classes comuns da escola regular e da Educação de Jovens e Adultos, e com rescursos destinados.

 

O evento que mascarou a tentativa de um retrocesso
O Brasil inteiro acompanhou, pela imprensa, o lançamento do Plano “Viver Sem Limites”, do governo federal, destinado a promover a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Este evento ocorreu no último dia 17 de novembro e trouxe diversas ações muito positivas para o segmento. Mas também trouxe, embutido no plano, o novo decreto que tenta desmontar as políticas de inclusão.

As Equipes do Inclusão Já! e da Rede Inclusiva – Direitos Humanos BR tomaram conhecimento da eminência do novo decreto e fez denúncia poucos dias antes do evento. Além disso, solicitaram agenda com as ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Maria do Rosário (Direitos Humanos). Foram enviados e-mails e mensagens por redes sociais e nenhuma resposta foi dada.

À revelia de todo o movimento da sociedade civil organizada em defesa da Educação Inclusiva e dos pedidos de audiência, a presidenta Dilma Rousseff assinou o Decreto 7611/11, que restringe direitos e viola os preceitos constitucionais, algo totalmente contraditório com o intuito do próprio Plano “Viver sem Limites”.

Como garantir o exercício da cidadania sem o aprendizado da escola onde estudam pessoas com e sem deficiência? Como fazer com que a cultura da exclusão e a discriminação sejam extintas se são incentivadas pelo Governo? Como exercer plenamente a cidadania se espaços segregados são legitimados e regulamentados como escola? Como, diante desse retrocesso, é possível pessoas com deficiência participarem na sociedade de acordo com os 33 artigos de conteúdo da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que tem equivalência de Emenda Constitucional?

Agora se faz necessário refletir e, principalmente, lutar para garantir que o Art. 14 do Decreto 6711/11 não seja efetivado, simplesmente por ser inconstitucional. Vamos trabalhar para que o Direito Inalienável à Educação não seja violado e para que os Preceitos Constitucionais continuem a ser devidamente respeitados.

 

A sociedade civil não se calará
Ao perceberem as primeiras ameaças à educação educação inclusiva, logo no começo do ano, devido à mudança do governo federal, diversas entidades que defendem a inclusão estiveram em Brasília. Um Manifesto foi lançado (já são mais de 12 mil assinaturas, o número é crescente e, para assinar, basta clicar no link). Na ocasião, a ministra Maria do Rosário assinou o manifesto e se comprometeu a marcar uma reunião, juntamente com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), para que nenhuma mudança fosse feita sem a participação da sociedade civil – que tanto lutou para conquistar o que, agora, tenta-se derrubar com o novo decreto. Essa reunião não aconteceu.

Educação Inclusiva é Direito Inalienável. Quem se dispõe a conduizir um país, um estado ou um município, seja em que cargo for, tem a OBRIGAÇÃO de conhecer as leis do estado brasileiro. Que comecem por estudar a nossa Constituição Federal.

Vamos enviar e-mails para a Presidência da República, para a Secretaria de Direitos Humanos, à Casa Civil, ao Ministério da Educação e parlamentares e exigir que respeitem os Direitos Fundamentais e que não rasguem a Constituição Federal.

Vamos ao Ministério Público Federal, vamos denunciar. Educação só em classe comum de Escola Regular!!! Matrícula computada em dobro pelo FUNDEB só para alunos de classe comum de escola regular com AEE!!!

Neste link, é possível enviar mensagens à presidenta Dilma Rousseff:
https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php

Neste link, é possível enviar mensagens ao ministro Fernando Haddad, da Educação:
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=1062

Este é o endereço eletrônico da ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil: casacivil@planalto.gov.br

Este é o endereço eletrônico da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos: direitoshumanos@sdh.gov.br

 

Assine o Manifesto
Clique aqui para assinar online o MANIFESTO – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CUMPRA-SE!

Clique aqui para mandar assinaturas de outras pessoas. É fácil, basta coletar “nome completo, cidade/estado e CPF”.

 

Saiba mais
Abaixo, é possível conferir quem são os signatários do manifesto em apoio à inclusão no país:

Link para as 3.243 assinaturas ao Manifesto em defesa da Educação inclusiva postadas pela Rede Inclusiva (número registrado até a publicação deste post).
Link para as 9.017 assinaturas coletadas por meio de petição online (número registrado até a publicação deste post).
Link para as cartas de apoio à Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (enviadas por diversas instituições).

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Discussão

98 comentários sobre “Educação Inclusiva: o Brasil não pode e não irá retroceder

  1. Retrocesso na Educação Inclusiva

    Como pesquisadora do HCEMUSP, tendo escutado comentários de várias famílias que têm um filho ou filha com deficiência, posso garantir que a sociedade está divida em consequência do descaso de algumas, e porque não dizer, muitas instituições em processo de inclusão escolar, atendendo crianças e adolescentes com deficiência. Grande parte desta insatisfação está voltada para o despreparo dos professores e pela falta de ética e sensibilidade de alunos sem deficiência que reforçam o preconceito e a discriminação dentro das escolas. Por outro lado, defendem a inclusão pelo direito de seus filhos conviverem e aprenderem em espaço comum em par de igualdade.
    Qual será o peso de cada categoria? Qual o teor de dor ao ver seu filho segregado em escola especial, mas protegido ou ser discriminado, mas estar junto com os “ditos normais”?
    Tenho certeza de que há uma parte desta população torcendo para que volte a escola especial, assim como outra torce pelo direito de igualdade.
    Não é difícil concluir onde está o entrave da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Parece que é mais fácil retroceder à escola especial a corrigir fraturas do processo.
    Não vamos atestar nossa incompetência!

    Publicado por VERA ALICE A S AMARAL | 20/11/2011, 18:04
    • Vera, em se tratando de preconceito e inclusão não dá para esperar a sociedade se conscientizar sem a convivência o deficiente. O processo é dialógico, como diria Paulo Freire, e a inclusão só ocorre onde não há segregação.

      Onde a segregação existe ela é vista com naturalidade. Onde a inclusão existe ela será também absorvida com naturalidade.

      Publicado por Jaime Balbino | 29/11/2011, 16:29
  2. Duas coisas a se pensar: 1) O fato de ser, a Educação, a primeira pasta da lista que recebe o maior recurso financeiro seguida da Saúde? Ou estou errado? 2) Já não foi discutido entre linguistas deste país que não se diz “presidenta”. Por favor, vamos evitar errar duas vezes.

    Publicado por Jorge Noronha | 20/11/2011, 18:12
    • Caro Jorge, obrigada por escrever ao Inclusão Já! Sobre a sua colocação em relação à destinação de verbas, seu texto não deixa claro o que você quis dizer. Sobre o uso do termo presidenta, tanto faz. O Inclusão Já! adota, por padronização, o termo PRESIDENTA.

      Publicado por Inclusão Já! | 20/11/2011, 18:24
    • Caro Jorge:

      Sei que há erro de português no termo “Presidenta”, concordo plenamente. Eu até me sinto mal nisso, porém eu escrevo. Porque? Porque a Presidenta gosta deste termo, não por causa do erro de português, mas para chamar atenção ao fato de termos a 1ª mulher presidente do Brasil. Também reforça o fato de que o Brasil atingiu o patamar da igualdade entre homens e mulheres.
      Espero que entenda isso.

      Publicado por Hans Frank | 20/11/2011, 21:17
    • Olá Jorge,

      Também estou a pensar no que vc quis dizer com os recursos recebidos pela Educação: O que interessa a quantidade de recursos recebidos pela educação se ele vai ser utilizado para manter as pessoas com deficiência segregadas?

      Quando “escuto” a questão financeira junto da inclusão, penso nas chamadas que algumas instituições fizeram no sentido de que perderiam verbas se deixassem de trabalhar como escolas especiais. Entendo que essas instituições passem por momentos de instabilidade e busquem manter o que tem. No entanto, também entendo que haveria a possibilidade de que elas trabalhassem com o AEE, prestando o serviço de apoio a escolarização. Havendo assim, suponho, uma redução na verba que iriam receber, mas a possibilidade de que continuassem a existir e buscassem outras formas de trabalhar e serem recompensadas financeiramente, sem a necessidade de excluir os estudantes do ensino regular junto de seus pares.

      Posso ter seguido caminhos bem diferentes do que você propôs ao levantar o assunto. Estou trilhando caminhos para entender o que aconteceu para que uma política que conseguiu superar tantos desafios fosse assim, tão ‘facilmente’ sobreposta por outra já anteriormente praticada e comprovadamente excludente.

      Certa de sua compreensão,

      Publicado por Ingrid Lira Rocha | 21/11/2011, 14:51
  3. Sou uma mulher com deficiência, educação de todos não é como chamaremos a Presidenta ou Presidente e sim analisar e conceituar, como uma mulher que se diz democrática e solidária assina o retrocesso educacional que foi assinado por ela, levando a exclusão uma categoria inteira e beneficiando, inclusive moneitariamente seus feitores, chamo a todos que creem que UM OUTRO MUNDO É POSSÍVEL, se juntem a nós e façam valer a nossa tão amada mas sofrida CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

    Publicado por Sara Regina da Gama Mór ( Pirica Mór) | 20/11/2011, 22:01
  4. A inclusão faz parte da cidadania isto é inerente a ela. As elites conservadoras da maldade estão novamente sabotando a democracia brasileira como fizeram antes, em 64 e agora, na medida em que retiram a educação, e ou atrapalham seu desenvolvimento para todos. Estas não suportam que nosso povo seja educado, visam à exclusividade para com os seus. Os portadores de deficiências têm o direito e estes não podem ser excluídos, pois fazem parte do conjunto do povo brasileiro. Estas tentativas de sabotagem estão enraizadas nestas elites conservadoras que não admite que o povo tenha acesso àquilo que lhe pertence o Brasil.

    Publicado por harodo | 20/11/2011, 23:09
  5. Carta enviada à Presidenta Dilma em 20/11/2011 pelo link (https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php):

    Exma. Presidenta Dilma: Meu nome é Hans Jurgen Frank, sou deficiente auditivo e ex-aluno de uma escola inclusiva.
    É com tristeza que eu soube que a senhora assinou o Decreto 7611/2011 revogando o Decreto 6571/2008.
    Talvez, não a culpo, a senhora estando atarefada com suas obrigações com este gigante Brasil não tenha prestado atenção nos textos do Decreto 7611/2011 que entram em total desacordo com os preceitos constitucionais e da Convenção dos Direitos Humanos para as Pessoas com Deficiência.
    Tal decreto é um verdadeiro retrocesso e irá acabar com o maravilhoso trabalho que as escolas inclusivas vem realizando com muito sucesso. Acredito e confio na senhora que tudo não passou de uma falta de atenção senão pessoas inescrupulosas que tentam ganhar a vida usando os deficientes em escolas segregadas para gerar mais espaços em pesquisa e mais pesquisas não tenham explicado quais as intenções deste novo decreto.
    Este novo decreto mascara os projetos mal-intencionados objetivando criar um modelo segregacionista fazendo com que não faça parte da cultura brasileira, da sociedade como um todo. Como sabemos, vivemos um povo de todas as culturas, onde negros e brancos, árabes e judeus, surdos e ouvintes, diversos índios, asiáticos, etc, convivem harmoniosamente e fazem parte de uma cultura só: A CULTURA BRASILEIRA.
    O acarajé, um iguaria baiana de origem afro se torna parte da culinária brasileira e esta por sua vez parte da cultura brasileira. Assim como a LIBRAS (língua brasileira de sinais) que é uma lingua dos surdos não deixa de ser também parte da cultura brasileira. Enfim, somos todos um só. Se há diversas culturas, claro que respeitamos, no entanto, mantemos intercâmbio de culturas o que nos deixa ricamente adaptados um ao outro promovendo o combate ao preconceito. Isso é viver e conviver com a diferença e não através da segregação proposta pelo Decreto 7611/2011. Por favor, Dilma, pensem nas crianças! Há pouco a senhora deu um lindo beijo na filha do Romário que é Síndrome de Down, um nobre gesto da Mãe Máxima do nosso Brasil e exemplo para Países de todo o mundo. Estas crianças no futuro, se mantiverem o Decreto 6571/2008 que promove a inclusão educativa, serão um exemplo para os outros países em matéria de convivência com as diferenças e, acredito, o Brasil será o mais avançado do mundo em matéria de combate ao preconceito. Aliás, o Brasil já é um exemplo de harmonia racial e religiosa, só falta a das deficiências. A convivência com a diferença começa pela escola. E isso já está comprovado. Não permita, senhora Presidenta, que este novo Decreto manche sua boa reputação e convido-a para uma reflexão. Certo de poder contar com o seu coração aos nossos apelos, despeço-me com a esperança de um retorno ao funcionamento da educação inclusiva.
    Um forte abraço do cidadão.

    Publicado por Hans Frank | 21/11/2011, 8:02
  6. Em meio a uma noite de insônia, leio o email da professora Maria Teresa Mantoan… Depois um tempo tentando assimilar a notícia, escrevi para a mesma. Como ela pediu, venho aqui colocar a mensagem que passei a ela:

    Agora sim, professora, me bateu a sensação de que tudo é tão lento, tão demorado, tão custoso. Talvez um pouco parecido com um comentário seu no facebook.

    Enquanto andávamos para frente, mesmo que a passos torpes, lentos e desencontrados, em mim crescia a confiança de que um dia chegaremos lá. Se não para minha filha, para minhas bisnetas… mas conseguiríamos que essa cultura de por de lado os diferentes fosse vencida.

    Li seu email em uma madrugada de insônia e ainda não consegui conciliar um sono depois dele.

    Como pode simplesmente ser jogado no lixo tudo que foi consquistado?

    Como vc pode ser premiada por sua luta e, em menos de um ano, tudo ser tachado? Sim, o decreto do AEE está tachado, riscado e rabiscado, mas não por minha filha a fazer experiências no mundo da escrita e sim por pessoas letradas e cientes do que nele está posto. Pessoas que foram colocadas no poder por eleitores que acreditavam continuar avançando ou pelo menos tornar real o que já tinhamos alcançado no papel.

    Estou tentando dar voz nas minhas redes de comunicação, mas não compreender de onde veio tal absurdo me faz gritar ao vazio. Busco construir algo palpável, pois em breve estarei a falar das políticas de educação inclusiva e… como dizer isso?

    Escrevo e lhe encaminho, no sentido de desabafar e mostrar-me solidária, afirmar que tenho divulgado o retrocesso e não em buscas de respostas, pois creio que vc, com sua experiência, sente-se mais atraiçoada do que eu.

    Abraços solidários de quem muito lhe admira,

    Ingrid Lira Rocha

    Publicado por Ingrid Lira Rocha | 21/11/2011, 13:29
  7. Você precisa ser surdo para entender
    Autores:Willerd e Madsen

    Como é “ouvir” uma mão?

    Você precisa ser surdo para entender!

    O que é ser uma pequena criança

    na escola, numa sala sem som

    com um professor que fala, fala e fala

    e, então

    quando ele vem perto de você

    ele espera que você saiba o que ele disse?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Ou o professor que pensa

    que para torná-lo inteligente

    você deve, primeiro, aprender

    como falar com sua voz

    assim

    colocando as mãos no seu rosto

    por horas e horas

    sem paciência ou fim

    até sair algo indistinto

    assemelhado ao som?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é ser curioso

    na ânsia por conhecimento próprio

    com um desejo interno

    que está em chamas

    e você pede a um irmão, irmã e amigo

    que respondendo lhe diz:

    “Não importa”?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é estar de castigo num canto

    embora não tenha feio

    realmente nada de errado

    a não ser tentar fazer uso das mãos

    para comunicar a um colega silencioso

    um pensamento que vem, de repente, a sua mente?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é ter alguém a gritar

    pensando que irá ajudá-lo a ouvir

    ou não entender as palavras

    de um amigo que está tentando

    tornar a piada mais clara

    e você não pega o fio da meada

    porque ele falhou?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é quando riem na sua face

    quando você tenta repetir o que foi dito

    somente para estar seguro que você entendeu

    e você descobre que as palavras foram mal entendidas?

    E você quer gritar alto:

    “Por favor, me ajude, amigo!

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é ter que depender de alguém

    que pode ouvir

    para telefonar a um amigo

    ou marcar um encontro de negócios

    e ser forçado a repetir o que é pessoal

    e, então, descobrir que seu recado

    não foi bem transmitido?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é ser surdo e sozinho

    em companhia dos que podem ouvir

    e você somente tenta adivinhar

    pois não há ninguém lá com uma mão ajudadora

    enquanto você tenta acompanhar

    as palavras e a musica?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é estar na estrada da vida

    encontrar com um estranho que abre a sua boca

    e fala alto uma frase a passos rápidos

    e você não pode entendê-lo e olhar seu rosto

    porque é difícil

    e você não o acompanha?

    Você precisa ser surdo para entender!

    Como é compreender alguns dados ligeiros

    que descrevem a cena

    e fazem você sorrir

    e sentir-se sereno com

    a “palavra falada’ de mão em movimento

    que torna você parte deste mundo tão amplo?

    Nos deixem em PAZ… Se surdos não querem… RESPEITEM!

    Publicado por Guerreiro Surdo | 21/11/2011, 17:37
    • Prezado Guerreiro surdo, obrigada por escrever ao Inclusão Já! Primeiramente, não vejo sentido em você pedir para que “te deixemos em paz”, isso aqui não é uma guerra e sequer a questão da comunidade surda (restrita à parcela que defende a cultura surda) foi mencionada neste texto. Em segundo lugar, essa escola acima, relatada no seu comentário, JAMAIS poderia ser a escola que defendemos. O que se defende aqui é a escola para todos, a escola em que as diferenças sejam celebradas e contempladas no fazer pedagógico. A escola onde todos convivem e APRENDEM. Não é difícil entender isso. O Decreto 7611/11 não é um avanço para ninguém. Para NENHUM segmento. Um abraço inclusivo.

      Publicado por Inclusão Já! | 21/11/2011, 17:44
    • Guerreiro, queremos por um mundo em que os ouvintes compreendam o que você acabou de descrever e possam tornar a convivência entre ouvintes e surdos harmoniosa. Vocês não podem se excluir, porque nós queremos entender. Você explicou muito bem e eu entendi, então acredito que os outros também entendam. Assim como aprendemos Inglês, Espanhol, Francês, podemos aprender Libras e Libras pode se tornar um disciplina no ensino regular. Por quê não? Imagine você como nós ouvintes nos sentimos sem saber se comunicar com os surdos. Os sentimentos que temos em relação as nossas limitações de não sermos capazes de compreendê-los. Então vamos tornar esse laço de amizade possível.
      Imagine o que é para um ouvinte querer se comunicar com um surdo e não ter conhecimento, condições para isso. Vejamos os dois lados da moeda.

      Publicado por Rosângela Maria | 23/11/2011, 9:16
      • Saudações a todos os leitores e leitoras. Não sou surda, não sou contra a inclusão. Sou contra o descaso das autoridades que não realizam efetivamente seu papel neste empreendimento educacional. Aprendi um pouco sobre os maus bocados pelos quais os surdos passaram na antiguidade, o quanto já perderam com a inclusão e vão continuar a perder com ela da maneira como tem sido tratada.
        Eles não querem se excluir não, eles são excluídos por tabela, uma vez que para aprender uma nova língua – ainda mais como é a Libras: visual espacial quioarticulada – leva um bom tempo e este tempo, devido a falta de condições de trabalho em nível de materiais e orientações de como lidar com os surdos, especificamente surdos profundos e severos, os professores não têm; falta-lhes de estímulos e valorização, pois a maioria dos professores precisam dobrar período; também por não lhes ser oferecido cursos de qualidade.
        Voces hão de concordar qu aprender Libras, é aprender um novo idioma e para aprendermos um novo idioma precisamos ter primeiramente estímulo, interesse e também tempo livre para dedicar-se.
        Alguns professores até recebem aulas de sinais da Libras, mas geralmente é fora de contexto. Aprendem apenas sinais que muitas vezes não correspondem aos sinais utilizados pelas comunidades surdas (são sinais quiroarticulados erradamente ou inventados por ouvintes) ainda tem a desvantagem do tempo entre uma aula e outra, passa-se geralmente uma semana. Com quem acham que o aprendiz irá conversar em Libras para desenvolverem a conversação? É muito complicado.
        Como diz o poema “Voce precisa ser surdo para entender”. A realidade é que esta condição de deficiência: a surdez, acarreta muitos prejuízos em nível de aquisição de conhecimentos à pessoa surda e eu entendo o lado deles (meu esposo é surdo).
        Ao ingressarem no ensino regular, muitas vezes os surdos já estão em idade avançada.
        Professores, alunos surdos e ouvintes e todo o pessoal envolvido na escola e comprometidos com a educação, têm que aprender a língua dos surdos e isto realmente demora muito, muito mesmo, pois é uma língua da qual não fazem uso, e o inverso, se dá com os surdos não usuários do Português.
        Os surdos terão que nas séries iniciais primeiramente aprender o Português, que como notamos nas postagens acima é complicado demais até para nos usuários ouvintes e letrados!!
        Eu quero crer que ainda não chegamos ao fim destas discussões, muito pelo contrário estamos mesmo engatinhado para alcançar maturidade e sucesso no trato co a pessoa em condição de deficiência. Ainda teremos muitas surpresas boas. Eu preciso crer nisto e fazer mina parte para que isto ocorra, mas em relação aos surdos a oisa é muito diferente mesmo: Nós precisamos ser surdos para entender.

        Publicado por Marcia | 25/11/2011, 14:57
  8. Inclusão já! Cada um de nós ou cada grupo social entende, faz as “leituras” e reflete sobre um determinado fato de diferentes formas. As palavras nos traem e somos por elas traídos. Há um filósofo da linguagem que nos adverte para as “diversas vozes” contidas nas palavras que proferimos. Como testemunha dos últimos acontecimentos já narrados aqui em relação aos decretos e planos voltados para o “atendimento” das pessoas ditas com deficiências, como os documentos assim denominam, percebo os entendimentos desencontrados aqui postados. Faço parte do grupo que pensa a necessidade de Escolas Bilingues para surdos na rede dita regular de ensino, pois sua aprendizagem pode se dar, nessas escolas, de forma adequada e confortável afetivamente. Lendo as avaliações aqui postadas, principalmente, a do Hans percebo a insatisfação com o decreto 7611, publicado pelo governo Dilma. Nós, também, não estamos considerando bom esse decreto, pois a escola bilingue para surdos não está nele contemplada.Não vejo avanço nele. Voltarei aqui para continuar este comentário.

    Publicado por emeli marques | 22/11/2011, 2:55
  9. Não consigo compreender por que o que favorece a uns prejudica a outros… o novo decreto oferece a possibilidade de escolha: se uns se adaptam melhor a educação inclusiva, que se matriculem nas escolas inclusivas! Mas se alguns tem uma educação mais adequada ou apenas se adaptam melhor tb a uma escola especializada que se matriculem nela!!

    O que não podemos é ficar nos degladiando se sabemos que não somos todos iguais, somos diversos e para pessoas diversas o melhor é uma educação diversa!!!!

    Escola especializada não é sinônimo de segregação, como o autor da matéria traz em vários pontos. Seria segregação se não houvesse uma sociedade imensa em torno da escola! A escola é um eixo da sociedade, mas não a representa como um todo!

    Vamos pensar na diversidade! Na diversidade de necessidades, na diversidade de aprendizados, na diversidade de opiniões!

    Para mim, este decreto contempla exatamente isso: a diversidade!

    Publicado por Thalita Chagas Silva Araújo | 22/11/2011, 6:35
    • Thalita, obrigada por escrever para o Inclusão Já!

      Vou repetir a você o que respondi à Rose, nesta mesma área de comentários. Mas, antes, gostaria de deixar uma pergunta a mais para pensarmos: a quem interessa a exclusão? Quem ganha com ela? Posso te garantir que muitas instituições que segregavam se ressignificaram e passaram a auxiliar a inclusão de seus antigos alunos. Porém, outras, simplemente permaneceram na resistência, e continuaram persistindo em propagar a informação absurda de que uns podem e outros não podem ir à escola. Como gozam de uam certa “credibilidade”, por serem consideradas especializadas, essas instituições continuam desinformando a população, fazendo a maioria acreditar que a escola é para uns, e não para todos.

      Não podemos desistir da educação inclusiva porque as práticas escolares ainda estão se ajustando. A escola é esse ambiente secular, quase imutável, que precisa se reinventar para legitimar as diferenças dentro dela. Não há dúvidas de que a inclusão é positiva para todas as crianças. Sobre a questão de opção, nossa legislação, pensando no bem estar de todos os cidadãos DESDE O NASCER, coloca a educação (leia-se escolarização em escola comum) como um direito inalienável, ou seja, nem mesmo os pais podem optar por oferecer. Os pais podem – e devem – exigir qualidade no atendimento e nos serviços de apoio para que a escolarização ocorra.

      A escola especial segrega partindo do princípio do conceito de normalidade/anormalidade. Oras, como é possível fixar a identidade de sujeitos (crianças e jovens!) dessa forma cruel? Como é possível continuarmos achando, adultos e pensantes que somos, natural segregar um indivíduo por uma única característica, desconsiderando todas as infinitas outras, simplesmente porque não conseguimos ser criativos o suficiente para questionar essa escola e seu modelo perverso de regulação e normalização das pessoas? Educação inclusiva é um preceito constitucional. É compromisso assinado pelo Brasil na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É um objetivo a ser alcançado pela escola, pelas famílias, pelos governos e pela sociedade. É um caminho. E nenhuma mudança é fácil.

      Por fim, não podemos nos esquecer de que existem MUITAS instituições que historicamente prestaram o serviço educacional em caráter substitutivo e que viram com maus olhos a inclusão. Pior, permanecem no campo oposto da partida. E continuam propagando a quem quiser ouvir que “há crianças que não podem estar na escola”. E as famílias (e a sociedade) acreditam nisso. Oras, se esses alunos não podem estar na escola comum, não deveriam poder estar em lugar algum que não fosse especial (um shopping especial, uma família hiper treinada e especializada, uma balada especial, um parquinho especial…). Por que só a escola é esse lugar minado para as crianças com deficiência? É a criança que precisa ser excluída ou a escola é que precisa mudar? Eu, e toda a equipe do Inclusão Já e muitas outras instituições, particularmente, ficamos com a segunda opção. Muitas escolas já fizeram essa curva, já mudaram suas práticas e seus conceitos. E trabalham muito bem na perspectiva inclusiva. Para isso, leva-se tempo e precisa-se, sim, da mobilização e do controle social. Um abraço.

      Publicado por Inclusão Já! | 22/11/2011, 11:56
  10. Creio que a Inclusão deve ser opção… opção do aluno e/ou da família; eles quem devem decidir e não ser um fato imposto pelo governo ou por quem mais quer que seja… é uma decisão que deve ser estudada, avaliada pela família e não imposta. No caso, sim dos surdos a inclusão parece ser bem “bonitinha” mas a realidade é bem diferente… os alunos que se comunicam através da LIBRAS (lingua de sinais) ficam numa sala de aula, na maioria das vezes sem intéprete, tentando ler os lábios do professor que por muitas vezes escreve na lousa enquanto explica… e o surdo como entende?… na verdade não entende, mas quem se importa, não é mesmo? Infelizmente as pessoas só pensam no próprio umbigo. Por isso sou a fovor da INCLUSÃO SER OPÇÃO… SOU A FAVOR DA ESCOLA ESPECIAL tb. por opção… o deficiente tem direito de conhecer as duas partes e escolher o que é melhor para ele; a inclusão social deve sim ocorrer, todos devemos respeitar os deficientes mas para isso ocorrer devemos primeiro dar a eles o direito do livre arbítrio!

    Publicado por ROSE AXL | 22/11/2011, 6:45
    • Rose, obrigada por escrever para o Inclusão Já! Não podemos desistir da educação inclusiva porque as práticas escolares ainda estão se ajustando. A escola é esse ambiente secular, quase imutável, que precisa se reinventar para legitimar as diferenças dentro dela. Não há dúvidas de que a inclusão é positiva para todas as crianças. Sobre a questão de opção, nossa legislação, pensando no bem estar de todos os cidadãos DESDE O NASCER, coloca a educação (leia-se escolarização em escola comum) como um direito inalienável, ou seja, nem mesmo os pais podem optar por oferecer. Os pais podem – e devem – exigir qualidade no atendimento e nos serviços de apoio para que a escolarização ocorra.

      A escola especial segrega partindo do princípio do conceito de normalidade/anormalidade. Oras, como é possível fixar a identidade de sujeitos (crianças e jovens!) dessa forma cruel? Como é possível continuarmos achando, adultos e pensantes que somos, natural segregar um indivíduo por uma única característica, desconsiderando todas as infinitas outras, simplesmente porque não conseguimos ser criativos o suficiente para questionar essa escola e seu modelo perverso de regulação e normalização das pessoas? Educação inclusiva é um preceito constitucional. É compromisso assinado pelo Brasil na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. É um objetivo a ser alcançado pela escola, pelas famílias, pelos governos e pela sociedade. É um caminho. E nenhuma mudança é fácil.

      Por fim, não podemos nos esquecer de que existem MUITAS instituições que historicamente prestaram o serviço educacional em caráter substitutivo e que viram com maus olhos a inclusão. Pior, permanecem no campo oposto da partida. E continuam propagando a quem quiser ouvir que “há crianças que não podem estar na escola”. E as famílias (e a sociedade) acreditam nisso. Oras, se esses alunos não podem estar na escola comum, não deveriam poder estar em lugar algum que não fosse especial (um shopping especial, uma família hiper treinada e especializada, uma balada especial, um parquinho especial…). Por que só a escola é esse lugar minado para as crianças com deficiência? É a criança que precisa ser excluída ou a escola é que precisa mudar? Eu, e toda a equipe do Inclusão Já e muitas outras instituições, particularmente, ficamos com a segunda opção. Muitas escolas já fizeram essa curva, já mudaram suas práticas e seus conceitos. E trabalham muito bem na perspectiva inclusiva. Para isso, leva-se tempo e precisa-se, sim, da mobilização e do controle social. Um abraço.

      Publicado por Inclusão Já! | 22/11/2011, 11:52
  11. Desabafo de Mãe!
    Não quero aqui deixar a imagem de que desisti, pelo contrário continuo lutando e acredito que a Inclusão é um processo que teve início e não terá fim.

    O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bonn.
    Martin Luther King

    Minha filha tem hoje 21 anos, e sempre pensei, mesmo que ela não se beneficie de ações minhas e de tantos que lutam pela INCLUSÃO, preciso e precisamos continuar, pelos mais jovens, pelos que ainda vão nascer. Se acreditamos que a criança é o futuro do Brasil, lamento mas o nosso futuro está condenado. Como podemos acreditar em futuro se a nossa Presidenta assim como gosta de ser chamanda assina um decreto 6711/11 que restringe direitos e viola os preceitos constitucionais e beneficia a exclusão, e os moldes segregatórios que vinham sendo usados até então, em contrapartida revoga o decreto 6571/08 põe no lixo todo um trabalho, uma luta que avançou e esta dando frutos e esses são reais, são pessoas deficientes, mas pessoas, passíveis de DIREITOS e deveres, como pode alguém ainda cogitar em educação para todos? Em que cabe o TODOS tão propagado pelos nossos dirigentes politicos que regem o nosso País? Acredito em escolas que as diferenças sejam celebradas e contempladas no fazer pedagógico, é direito inálienavel do ser humano estudar e conviver com pares com e sem deficiência. Para o exercicio da cidadania ser efetivo urge escolas que verdadeiramente tenham educadores comprometidos com o SER HUMANO, com a formação desse para a vida, e que tenha consciência que somos seres singulares, diferentes, e que essas nos completam, contudo a cultura da exclusão acaba por ser fortalecida por ações como as que preveem o decreto 6711/11.
    Emocionante quando no lançamento do plano “Viver sem Fronteiras” a presidenta se emociona vendo a filha de Romário (deputado) e fala: Que aquele é o momento que vale a pena ser presidente.
    E eu me pergunto será que em algum momento ela pensou nos nossos filhos, no que eles querem e almejam para suas vidas? Ou para eles a Democracia, o DIREITO, HUMANO e outros a Constiuição Federal, não podem ser práticados?
    Pergunto ainda: Quem neste mundo tem o DIREITO de LIMITAR a capacidade de outrem? Eu (mãe),(Pai), Governo, Estado, Nossos ilustres Políticos, Federações de Apaes e outras que ainda lutam por moldes segregatórios? Bem quero deixar bem claro que a luta deve continuar, e qcredito que os Bons não permanecerào em silêncio por toda a vida. Abraços Inclusivos de uma mãe indgnada, mas perseverante na LUTA.

    Publicado por andrea Cazella | 22/11/2011, 10:02
  12. Eu moro em Cuiaba Mt.,tem amigos que ainda nao conseguiram ler o tal documento, mais eu quando li, tudo que aprenderá por alguns teoricos e pesuisadores cairam por terra, por um instante deixei de acreditar que todos, eu disse todos devem ter a mesma oportunidade ao lugar na “praia pra ver o sol”;Porque deixar somente alguns, por que nao acreditar que a pessoa com deficiencia dará conta desde que use os recurso adequados e necessarios eu fico pensando e agora? mudo tudo que preguei, tudo que demostrei e provei que daria certo no ensino à pessoa com deficiencia.Como fico, ou como ficamos , com cara de troxa,esperando esse pessoal que nao conseguem nem cuidar dos proprios filhos,cuidar das nossas crianças que precisam sair das “grades” , das salas trancadas com chaves,salas no final do corredor, (para nao incomodar oas dito “normais”) será que terei que ver todos novamente sempre isolados por nao acreditarem que darao conta?Como ficar de braços cruzados vendo isso acontecer,?Chorei, e choro , por saber que estarem colocando novamente as algemas nas pessoas que nesse momentos sao as que mais precisam da nossa ajuda.Eu nao posso contribuir com isso.E nao posso deixar colocar pessoas inocentes em prisões,nas mãos de pessoas que ainda nao estao preparadas, na grande maioria pessoas que estao perto em aposentar ,assim a “equipe gestora” a coloca na sala especial no ensino regular pensando em diminuir o ritmo de trabalho(pensando no descanso)Pois descansam mesmo, pois nao fazer nada para mudar a pratica de sua aula,.Sao apenas desenho soltos para colorir e desenho animados para assistir, um grande “passa tempo ” na vida de pessoa que precisam de ajuda e de recurso diferenciados para conseguir prosseguir no ensino adequado.Estou muito revoltado…Nao quero ser cumplice desse crime e nem vou colocar algemas em pessoas inocentes, onde os que mereciam estar algemados e retirados da sociedade estao ditando leis e mudando vidas de pessoas.Sou professor Especialista em AEE

    Publicado por Mario Roney | 22/11/2011, 13:26
    • Mario, o teu sentimento é o sentimento de todos nós aqui. Tenha certeza! E não vamos nos silenciar, e nem ficar sentados vendo a farra de entidades que segregam e de políticos que buscam currais eleitorais passar. Não, mesmo! Estamos na mobilização. É fundamental que todos nós, indignados com a situação, nos manifestemos. No fim do texto, deixamos os links para algumas ações: mandar emails à presidência, à Casa Civil, ao MEC e à Sec. dos Direitos Humanos. Além disso, outra ação importante é aumentar o número de assinaturas do nosso manifesto online e coletar assinaturas de pais, amigos e familiares que não tenha acesso à internet (tudo isso está no fim do texto). Vamos em frente. O governo existe para o povo. Não nos fazem favores. E é baseados no nosso direito de eleitores e cidadãos que devemos nos manifestar.

      Abrirmos de novo escolas especiais não destrói a inclusão da noite para o dia. Vai ser uma destruição lenta, porque nenhum sistema de ensino vai fazer grandes esforços para incluir se a lei garantir a possibilidade de excluir. Não vamos ficar parados. Um abraço!!!

      Publicado por Inclusão Já! | 22/11/2011, 14:08
  13. Fiquei muito chateada ao saber da postura da nossa presidenta, pois havia comemorado a alguns dias o estímulo que conquistamos nos ensinos técnicos (Projeto Viver sem Limites), acreditando na inclusão social, abrindo as portas para o mercado de trabalho e a dignidade humana!

    Sou professora de atendimento educacional especializado e vejo na prática os resultados sociais da inclusão.

    Dilma disse em seu discurso: “Obviamente é um momento de emoção. Estamos aqui hoje para celebrar a coragem de viver sem limites e com autonomia em um de seus aspectos mais importantes, a capacidade que nós seres humanos temos de nos transformar, de nos superar. A incrível força que há nas pessoas para vencer desafios e superar limites”.

    Lamento em ver os limites e a autonomia saindo pelo ralo!!!!

    Publicado por Adriane | 22/11/2011, 16:31
  14. Será um desastre retroceder, depois de anos de luta por uma Educação Inclusiva para todos. Pessoas que nem sequer, vive a realidade das PNEEs, que ainda nem se deu conta do que é viver confinados, enclausurados, sem contato com a sociedade. Somente os professores que lidam e a família e pessoas que lutam por essa causa poderão entender o que estou mencionando.
    Sou especialista em AEE, esse é o 1º ano que atuo na sala de recursos multifuncionais da instituição onde trabalho, como também a 1ª experiências de 18 pessoas inclusive crianças e adultos do Município de Maturéia PB.
    Está sendo maravilhoso viver juntamente com eles, filhos e pais ou responsáveis, de aprender e compartilhar os trabalhos e experiência.
    Ah! Se vocês responsáveis pelo poder, ai em Brasília pudessem compreender e sentir o que nós, pais , professores e responsáveis por PNEEs sentimos e vivemos.
    Chega de clausuras, queremos continuar fora das quatro paredes. Não somos animais peçonhentos!!! Somos pessoas que agimos e pensamos como vocês.

    Publicado por Mª do SocorroRamalho daSilva | 22/11/2011, 16:52
  15. É com pesar que li este decreto, vejo que nosso trabalho de AEE que está dando as pessoas com deficiência a oportunidade de terem o tão falado direitos humanos respeitados está se rompendo através de um decreto que em nenhum momento foi discutido com a sociedade e sim decidido com as pessoas que tem interesse meramente financeiro. Tenho atuado junto as pessoas com deficiência nas escolas comuns e percebo claramente a felicidade de terem a oportunidade de conviver com pessoas com e sem deficiência, e isso sim é respeitar os Direitos Humanos. Há pouco tempo houve uma reunião técnica com a equipe da SECADI para falar sobre o Programa Educação Inclusiva Direito a Diversidade e na ocasião o Tema mais falado até mesmo pelo Ministro da Educação era “Direitos Humanos” como posso falar em educação para todos e direitos humanos realizando a segregação, selecionando quem pode e quem não pode ter acesso a esses direitos. Isso é uma vergonha, um absurdo. Tanto tempo de luta para conquistar a Política Nacional de Educação Especial e o Decreto 6571 e agora jogar tudo no lixo. Por favor equipe da SECADI, Ministro da Educação façam alguma coisa, não podemos aceitar esta situação.

    Publicado por Zeth | 22/11/2011, 20:32
  16. Gostaria de deixar um questionamento. Uma das coisas que mais me angustia na Inclusão não é sua proposta, pois a mesma é exemplar e digna de todo mérito, mas o que me preocupa são as pessoas que defendem a inclusão como quem defende uma religião: como dogma. Inclusão, antes de ser uma visão de mundo é uma prática pedagógica, para tal, necessita de fundamentaçao cientifica e muita pesquisa para efetivamente ser consolidada, neste quesito eu vejo poucos documentos e estudos corroborando que é 100% melhor a criança com deficiencia permanecer na escola regular em detrimento de uma escola especializada. Notem que uso o termo especializada e não específica, pois crianças não podem frequentar depósitos de gente, mas sim locais com treinamento e estudos coerentes com as necessidades específicas delas. Assim, meu questionamento é: onde encontramos documentos/estudos cientificos garantindo que a inclusao em sala regular é extremamente superior? Nao me compreendam mal, de modo algum estou defendendo a exclusão ou o modelo meritocrático na educação, estou sim buscando compreender a partir de outras realidades como modificar a escolar regular, tirando-a de seu estado secular imutável e transformando-a em algo diferente SEM sacrificar o educador, que sempre é o primeiro a se ver obrigado a acumular mais funçoes (especialista em sua área, papel de formador de opinioes e repasse de valores culturais, avaliador e agora capacitado em educação especial). Sei que serei crucificado por esta opiniao, mas como vivemos numa cultura dita democrática, acredito que meu questionamento é válido pois nao defende um retrocesso, mas sim uma reflexão teórico/científica sobre as diferenças e semelhanças da escola regular e da escola especializada.

    Publicado por Almeida | 22/11/2011, 20:44
    • Olá, Almeida! Obrigada por escrever para o Inclusão Já! A inclusão é a consequência de todo um avanço das teorias que enfocam a subjetividade humana, a emancipação e a autonomia intelectuais e a diferença como um traço humano produzido socialmente e que, na escola, tem sido valorado negativamente (e, em consequência, excluído). Todas as pesquisas e estudos relativos a esses temas nas áreas da sociologia, pedagogia, psicologia, antropologia, assim como na filosofia, são o suporte teórico-metodológico que nos dão meios de retirar implicações educacionais e práticas pedagógicas e, mesmo, criar uma pedagogia da diferença. Se você consultar o que existe nessas áreas do conhecimento, você terá um acervo de estudos que conduzem à inclusão escolar. Esta não se torna um fato científico unicamente pelos estudos na área pedagógica, mas a pedagogia avançada retira de outras áreas elementos para propor suas práticas e novas posições diante do processo educativo. A inclusão é um fato complexo, multidisciplinar e há abundante literatura e pesquisas que a sustentam nas mais diferentes áreas do conhecimento contemporâneas. Nesse sentido, não precisamos de documentos que comprovem por estatística se a criança com deficiência tem mais ou menos progresso na escola inclusiva, porque se parte do pressuposto que escola comum, para todos, é o seu lugar de direito, como é o de todos os demais brasileiros. A inclusão não é, como você disse, uma prática pedagógica. E não se trata de defender uma religião ou um dogma. Trata-se de ter, sim, uma visão de MUNDO DIFERENCIADA, onde todos cabem. Especialmente na escola. Por fim, suas contribuições e colocações são bem-vindas, porque elas reforçam o que nós defendemos. Um abraço inclusivo.

      Publicado por Inclusão Já! | 22/11/2011, 21:15
    • Você não está sozinho em seu questionamento. Junto-me a você em busca de cientificidade e que não se reduz a dados descritivos, facilmente encontráveis em estatísticas ou em manifestações marcadas pela emoção, ainda que compreensíveis. Também estou desejosa de conhecer análises qualitativas, bem fundamentadas, resultantes de pesquisas passíveis de serem replicadas, garantindo-se a intersubjetividade. Estou ávida para ter acesso a esses trabalhos nos quais a mais justa e democrática defesa da / inclusão/- verbete polissêmico e polifônico- seja a da inclusão na aprendizagem, com autonomia de pensamento e com capacidade crítica e reflexiva bem desenvolvida, além das funções executivas, de importância inegável para a aprendizagem humana. Como neuropsicóloga, lamento que nossas discussões acabem tomando uma dimensão ideológica, deixando-se de lado as inúmeras contribuições das ciências da e para a educação, como o são as contribuições da neurociência cognitiva e que tem tanto a nos ensinar acerca de condições (inclusive as de tempo e espaços) mais ou menos facilitadoras para que o processo ensino-aprendizagem seja bem sucedido, para todos e todas. Se vc for crucificado estaremos juntos, mas não acredito que isso ocorra, pois o que buscamos é identificar o que seja melhor para nossos alunos e alunas, mesmo para os que não se encontram em situação de deficiência. Precisamos aprimorar, urgentemente, a educação escolar em nossos “Brasis”. Meu cálido abraço, Rosita Edler Carvalho.

      Publicado por Rosita Edler Carvalho | 23/11/2011, 16:40
      • Prezada Rosita Edler Carvalho, aqui ninguém é crucificado. Somos pela vida. Educação é direito inalienável, bem distante da cultura de exclusão educacional construída durante décadas no município do Rio de Janeiro, por exemplo, onde a senhora atua como professora. Por lá, como todos sabem, existem escolas segregadoras de todos os tipos. Lugares que ferem os direitos humanos básicos daquelas pessoas.

        A medicalização da educação de pessoas com deficiência, a miopia da escola comum de achar que precisa educar para a competição, para a padronização e para o treino de mentes que decoram e nada aprendem, denunciam a falência do nosso sistema de ensino. Inclusão não é apenas tratar da educação das pessoas com deficiência, mas questionar o modo como a escola é concebida, é formatada e opera.

        Infelizmente, boa parte de quem pensa e faz a educação teima em continuar tentando consertar o que a própria educação cria dentro de si (ela é, segundo Deacon, estruturada para fracassar). Em vez disso, é fundamental reinventá-la sobre nova perspectiva. Sem essa reflexão, realmente encontraremos vasto campo teórico para continuar exluindo pessoas, porque as pessoas não servem para a escola (quando, na verdade, é o contrário). Isso é inadmissível. Ultrapassado. Inconstitucional. Demodê.

        Sabemos que em muitos sistemas de ensino (avalizados pela academia, já que o assunto aqui é a fundamentação teórica da inclusão) impera a cultura da exclusão. Mas também sabemos que com vontade política a educação inclusiva acontece, com todos os recursos disponíveis e Todos os estudantes em classes comum de escola regular.

        Vamos seguir mobilizados pela garantia do direito humano inalienável à educação, com base nos preceitos constitucionais e com base nos referenciais teórico-metodológicos que tratam da subjetividade, da autonomia e da emancipação intelectual dos seres humanos (e como tem bibliografia!).

        O Brasil, segundo o Censo 2010, do IBGE, tem hoje 45.000.000 de pessoas com algum tipo de deficiência e a grande maioria é pobre, ainda sem o pleno acesso aos direitos sociais. Além das questões relacionadas às pessoas com deficiência, combatemos qualquer forma de discriminação, seja por orientação sexual, origem, etnia ou qualquer outro motivo. No caso da pessoa com deficiência, a educação, como direito central e que acontece em classe comum de escola regular, é condição sine qua non para a vida independente e a autonomia, e com os apoios, em conformidade com a CDPD, sempre que necessário.

        Um forte abraço inclusivo!

        Publicado por Inclusão Já! | 23/11/2011, 17:15
  17. Meus caros,

    Registro aqui minha modesta contribuição, ancorada em 22 anos de magistério diretamente ligado ao ensino de pessoas surdas. Durante todo esse tempo, vivencio diariamente uma integração que não integra, uma inclusão que não inclui e, por isso, partilho minhas reflexões com vocês.

    Inclusão é o que TODOS QUEREMOS. Mas queremos inclusão verdadeira e não inclusão camuflada; queremos uma inclusão que inclui e não uma inclusão excludente. Precisamos ter cuidado, pois incluir não significa necessariamente colocar junto, estudar junto, na mesma sala, na mesma escola. Uma pessoa pode estar junto, estudar junto e não estar incluída. A inclusão não pode ignorar a diversidade; a inclusão não pode ignorar a diferença; a inclusão não pode apagar a língua do outro; a inclusão não pode constranger o outro.

    A verdadeira inclusão respeita os que querem estar junto com todos, os que precisam estar juntos, mas também respeita os que querem estar sozinhos e os que precisam adquirir uma língua com um grupo que a fala. Afinal, o direito de ser cidadão integral, pleno é de todos: cegos, surdos que sabem falar com os lábios e surdos que só sabem falar com as mãos, autistas, DPACs etc.

    Se para a INCLUSÃO SOCIAL verdadeira acontecer for preciso que o aluno estude numa escola especial, temos de permitir que isso aconteça; não como no passado, mas numa nova perspectiva de escola especial, de escola bilíngue, de escola para todos. Uma Escola especial pode ser uma escola regular, por que não? Uma escola bilíngue pode ser uma escola regular, por que não? Escola especial, escola biíngue, escola regular convencional, TODAS, podem ser inclusivas; todas podem promover a inclusão social verdadeira; aquela que respeita o outro por sua diferença e dá a quem precisa condições especiais para que seja verdadeiramente incluído entre TODOS.

    A meu ver, o novo decreto assinado pela Presidente Dilma é mais um passo para a inclusão de todos e não o contrário, pois não submete os estudantes a um só modelo de educação, mas a modelos opcionais que permitem, a cada um escolher o caminho que melhor o leva à inclusão que TODOS QUEREMOS.

    Publicado por Sandra Patrícia | 22/11/2011, 20:56
    • Sandra, obrigada por escrever ao Inclusão Já! Suas colocações são importantes, assim como suas preocupações. A escola bilíngue especial parte do mesmo pressuposto aqui já explicado em outros comentários: fixação de identidades por uma única característica do sujeito. Ao passo que seria desejável que toda a expertise de quem sabe ensinar surdos fosse usada para constituir escolas comuns realmente bilíngues. Para todos. Já existem escolas assim se constituindo, pois as políticas e as práticas são muito recentes. Mas possíveis. O que não dá para aceitar é a exclusão de pessoas em nichos específicos, impedindo a convivência com os pares (digo outras pessoas, e não pares na surdez, porque o que nos define como pares não deveria ser uma condição a não ser a da humanidade). Nessa perspectiva, nenhuma escola especial, seja de que natureza for, inclui. E acreditar que a inclusão social existirá sem a escola inclusiva é um equívoco, porque é na escola onde fazemos nossos primeiros contatos com as diferenças humanas (e onde, desejavelmente, deveríamos também aprender a legitimá-las). Crianças que não convivem com as diferenças vão ter muito mais dificuldade de vivenciar isso plenamente na idade adulta, quando ocorre mais intensamente a chamada inclusão social. Não faz sentido excluir para, depois que as crianças e jovens já se constituíram como seres que naturalizam a exclusão, submeter o sujeito ao processo desgastante de inclusão social. Sem sentido. Um abraço!

      Publicado por Inclusão Já! | 23/11/2011, 10:28
  18. Acabei de concluir uma especialização em educação inclusiva e o que mais debatemos foi a questão da segregação das pessoas com deficiência e agora a noticia desse retrocesso cai por terra os objetivos e metas que sonhamos alcançar com a inclusão,quem deve ser excluídos e segregados são esses políticos sem senso de justiça e sem escrúpulos,que além de querer excluir as pessoas deficientes querem encher os bolsos das ongs

    Publicado por Ioneide Reis | 22/11/2011, 21:16
  19. Conforme acabei de ler, acredito que o Decreto assinado pela Presidenta (como gosta de ser chamada a presidente Dilma) está dando o direito de opção de escolhermos, pois tenho um filho deficiente mental com 21 anos, e durante nossa trajetória escolar tivemos várias decepções. Não acredito na educação inclusiva porque os professores não estão preparados para entender, aceitar e ajudar os diferentes. A batalha na minha opinião não está em aceitar uma pessoa diferente em uma escola regular, e sim, em exigir do poder público, primeiramente a preparação adequada para o professor atender uma pessoa com deficiência, não ocasionando,ao invés da tão falada inclusão, uma maior EXCLUSÃO.

    Publicado por Laís Helena Carvalho da Silva | 23/11/2011, 5:07
    • Oi, Laís! Obrigada por escrever ao Inclusão Já! Toda história de vida precisa e deve ser respeitada. Respeito a sua. Mas vamos analisar isso tudo por um outro ponto de vista. Você realmente acha que é possível a escola se preparar para um aluno fictício, que NUNCA vai chegar? Enquanto as crianças não estiverem nas escolas, sendo VISTOS, EXISTINDO nela, nenhum sistema de ensino vai se mexer e nenhum professor vai se preparar. Segregar é mais fácil, mais confortável. É um caminho sabido. A história de tentativas de inclusão do seu filho, hoje com 21 anos, é a prova disso. Educação se dá no contato com o outro. Na interação. Não é porque seu filho tem uma deficiência que isso o torna absolutamente igual a qualquer pessoa que tenha a mesma deficiência. Ele é um sujeito, antes de mais nada. Não um diagnóstico. Ele deve ter preferências na alimentação, gosto musical, interesses muito diferentes de qualquer outro ser humano. Assim é a vida e a diversidade humana. Garantir o caminho de um sistema educacional inclusivo, com todos os desafios que isso apresenta, é a única maneira de tornar as escolas inclusivas de verdade. Trata-se de uma outra forma de enxergar a vida, as diferenças humanas, a deficiência e o direito do outro de existir, de ser visto e de ocupar espaços que historicamente lhes foram negados. Nada gera maior exclusão do que a escola que exclui. Partindo desse princípio, podemos, hoje, lutar e exigir dos sistemas de ensino que mudem suas práticas. E não vamos nos esquecer de que se a escola é ruim para um, é ruim para todos. As crianças sem deficiência estão sendo bem atendidas nessas escolas que temos hoje??? Isso precisa ser problematizado. Não podemos “defender” as crianças com deficiência da escola ruim. Temos é que lutar para que a escola seja boa para TODOS E TODAS. Veja, há 20 anos, você acha que tínhamos todo esse debate em torno do assunto? Que nada. “Tranca a molecada nas escolas especiais e resolve-se o problema!” Nessa perspectiva, essas pessoas só se tornavam visíveis para o pequeno grupo fechado da família – e da escola da exclusão. Hoje, o debate, por mais controverso que seja, existe. E esta desestabilização do status quo, tão saudável, provoca a reflexão nas escolas, nas famílias e nos próprios sujeitos. Fico triste de ver que, nisso tudo, as mais fragilizadas são justamente as pessoas com deficiência intelectual, a quem todos nós teimamos em atribuir o rótulo de incapazes (inclusive de dizerem de si mesmos). A educação inclusiva, nessa perspectiva proposta, com a oferta do Atendimento Educacional Especializado, empodera os sujeitos, auxilia cada um deles no seu processo de emancipação intelectual, dá a eles um lugar de saber que sempre lhes foi negado (principalmente na escola especial, que é especial justamente por ter um caráter restritivo, limitador desses sujeitos). Um abraço!

      Publicado por Inclusão Já! | 23/11/2011, 9:46
  20. Leio estarrecida a noticia sobre o retrocesso da “Inclusão” Trabalho numa escola onde tem se investido muito em Educação inclusiva, lutamos a mais de 6 anos para tornar esta uma escola realmente inclusiva, onde muitos alunos sairam das escolas especiais escludentes e estão demonstrando a sociedade que eles também podem estar onde os “ditos normais” estão. Temos exemplos maravilhosos de crianças com autismo, com deficiências múltiplas, surdas e com déficit cognitivo que estão incluídos na escola e nos dando uma grande exemplo de superação. Onde estão proporcionando aos demais colegas que o preconceito não pode mais fazer parte de uma sociedade culta e “educada” que ainda falta aos brasileiros principalmente aos nossos representantes políticos intereceiros e fajutos que estão para defender o interesse daqueles que lhes proporcionam algum benefício imediato, aí temos o exemplo do ministro da LUPY. Sou professora de AEE, e acabo de concluir uma especialização em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva,( toda financiada pelo MEC )que tem se preocupado em formar professores para atender as pessoas com Necessidades Educativas Especias, e agora como fica tudo o que já foi investido! O que vejo é o interesse de uma minoria que não quer perder sua fonte de renda, e por isso faz manobras “politiqueiras”, sem ter sensibilidade com o ser humano, visando apenas seus interesses pessoais. Isso não pode continuar, vamos lutar não podemos desistir, inclusão Já!!!

    Publicado por Ereni Paulus Gamarra | 23/11/2011, 8:01
  21. Como é que fica a nossa luta para inclusão dos nossos alunos?
    Brigamos com gestores, secretários de educação para que a nossa escola seja acessível, e agora pode cair por terra toda a nossa luta.
    Precisamos, encontrar solução para que a nossa criança com deficiência tenha um atendimento digno e de qualidade junto com os colegas de turma regular para que ele sinta-se valorizado e não discriminados.

    Publicado por Marinelia da Silva Alves Sampaio | 23/11/2011, 8:53
  22. Não vamos cruzar os braços diante de fato absurdo como este. E como fica os direitos da pessoa com deficiência consquistados com tanta dignidade? e o desenvolvimento comprovado da pessoa com deficiência pelo simples fato de estar junto!!! NÃO A ESTA AMEAÇA. INCLUSÃO SEMPRE!!!!! Retroceder jamais…….

    Publicado por Raimunda Antonia Silva de Almeida | 23/11/2011, 18:44
  23. É realmente lastimavel ver que o Brasil caminha como um adulto e cai como uma criança aprendendo a dar os primeiros passos. Acredito às vezes que tudo isso é realmente proposital, miseravelmente proposital. A educação inclusiva não pode e nem deve retroceder um milimetro do que já conquistou até aqui. Enquanto os interesses politicos e pessoais se sobressairem às necessidades do povo, seremos uma nação desacreditada e cada vez mais mentirosa.

    Publicado por Lucineide Oliveira Silva | 23/11/2011, 20:08
  24. Lamento ver posições tão radicais a respeito do decreto da nossa presidenta. Em uma sociedade que se diz democrática a familia deve ter o seu direito de escolha respeitado quando opta por deixar o seu filho em uma instituição especializada..Não podemos desprezar a histórica. contribuição dada pelas instituições no atendimento as pessoa com deficiência quando não existiam políticas públicas de atandimento voltadas para estas pessoas.
    Colocar todas as institições em um mesmo saco é desprezar quem sempre trabalhou seriamente investiu na qualificação dos seus profissinais e procurou incluir os seus alunos.
    Devemos lutar sim pór um ensino de qualidade onde qualquer aluno seja respeitado indepedente da sua condição ,por um processo de inclusão que realmente aconteça e não vejamos os nossos alunos excluidos dentro de um processo que deveria incluir.Inclusão não se faz por decreto mas por mudança de postura da sociedade. Se atualmente a escola não saba lidar com a diversidade dos alunos ditos normais imagine a dificuldade em lidadr com quem apresenta uma deficiência.Precisamaos ter a humildade suficiente para derrubarmos as nossas barreiras atitudinais e nos colocarmos como parceiros deste processo

    Publicado por Vanilza Freire Pereira | 23/11/2011, 22:44
    • Vanilza, o direito à educação é inalienável, nem mesmo os pais podem dispor desse direito pelos filhos. Indico uma preciosa leitura: O direito das pessoas com deficiência (Eugênua Augusta Fávero, WVA). Não se trata de radicalismo, trata-se de fundamentação teórica, respeito à constituição e uma nova perspectiva da vida, da educação. Escola é lugar de todos e todas. Inclusão não se faz por decreto, mas ela começa por decreto. O resto é processo. Agora, voltarmos a permitir que abram-se e mantenham-se escolas especiais (são sers humanos!!!) é um retrocesso sem tamanho, sim! E, por fim, indico a leitura de uma notícia recente publicada aqui no Inclusão Já. Pode ter certeza de que muitas instituições não merecem todo esse respeito e prestígio dos quais, infelizmente, por desconhecimento da sociedade, ainda gozam:

      https://inclusaoja.com.br/2011/11/22/ministras-gleisi-e-maria-do-rosario-em-defesa-da-exclusao/

      Publicado por Inclusão Já! | 23/11/2011, 22:56
      • As instituições são feitas de pessoas, e pessoas são honestas, dignas, desonestas, mau cartater, em qualquer lugar, seja nas instituições filantropicas, nos congressos, nas Assembleias Legislativas, nas Universidades, enfim em qualquer lugar. O que não dá para aceitar é alguém falar com certeza, entretanto sem provas, que instituições filantrópiacas não merecem respeito e prestígio! Pode me dizer então quem nesse país merece esse prestígio, existiria alguma instituição governamental ou não livre de canalhas?

        Publicado por Ligia | 24/11/2011, 17:03
      • Olá, Ligia.

        Está aqui a prova: reuniões com entidades que segregam, à revelia da sociedade civil. Leia você mesmo como foi o processo. Descobrimos que havia um decreto que MUDAVA os rumos da inclusão no Brasil 7 dias antes de seu lançamento, e por acaso:

        https://inclusaoja.com.br/2011/11/22/ministras-gleisi-e-maria-do-rosario-em-defesa-da-exclusao/

        Um abraço!

        Publicado por Inclusão Já! | 24/11/2011, 18:36
  25. Complementando o meu comentari ,Sou presidenta da Associação Pestalozzi de Arapiraca não me sinto incluida na posição de instituição segregadora pois investimos na qulificação dos nossos profissinais e na qualidade de nosso trabalho e na proposta de incluir os nossos alunos no sistema regular de ensino, apesar de vivênciarmos a experiência de recebermos alunos oriundos do sistema regular de esnsino e do retôrno a instituição de alunos que encaminhamos para o ensino regular .Portanto Inclusão não se faz com decretos nem com posturas radicais mas sim com respeito a democracia e compromisso com mudanças sociais. .

    Publicado por Vanilza Freire Pereira | 23/11/2011, 23:17
    • Instituições podem, e devem, ressignificar o seu trabalho e atuar pela inclusão. Algumas Apaes, por exemplo, já estão fazendo este movimento da inclusão que você cita em seu comentário. E isso é muito bom (não podemos esquecer, porém, que o motor disso foi o Decreto 6571/08, sim). Respeitar a história das instituições (que preencheram uma lacuna vergonhosa deixada pelo estado) é importante. Mas não significa mantermos escolas especiais abertas. Toda a expertise de intituições como a que você dirige deve ser usada em benefício da inclusão das crianças e dos jovens, em reais parcerias e, por que não, na atuação como verdadeiros promotores de mobilização e de controle social em relação aos serviços prestados pelo poder público, esclarecendo as famílias sobre seus direitos, dando os canais de cobrança junto ao estado e também ensinando as vias jurídicas, quando preciso. Daí, sim, haverá o único respeito com o qual todos nós temos que nos preocupar: à garantia do direito de todas as crianças com deficiência de estarem na escola comum. Um abraço!

      Publicado por Inclusão Já! | 24/11/2011, 0:32
  26. Sou Professora de Atendimento Educacional Especializado- AEE,na Sala de Recursos Multifuncionais -SRM. Vejo que se observarmos a linha do tempo a qual envolve a inclusão na sociedade,largos passos foram dados e que a exclusão é algo enraizado em nosso contexto social, mas precisamos repensar e ainda mudar bastante as estruturas físicas,reflexões inclusivas a toda comunidade escolar,assim como capacitações de todos os profissionais envolvidos neste processo educacional,já que não podemos incluir apenas com a boa vontade,faz-se necessário o conhecimento adequado às necessidades de todos os alunos, não apenas para aqueles na condição de deficiências. Ao saber que o ser humano é um ser social e de desenvolvimento constante e que não estará estático,independente da deficiência,acredito que aprenderá mais quando envolvido na diversidade e trocas de saberes,para isto terá êxito pleno quando incluído a seus pares dentro da escola comum.

    Publicado por Rita de Cássia Cláudio Rodrigues | 24/11/2011, 9:51
  27. Comecei a lecionar em agosto de 1995 no ensino regular e em fevereiro de 2010 comecei minha especialização em AEE.Até então,nunca havia trabalhado com alunos com necessidades educativas especiais.Em agosto de 2010,comecei nas Salas de Recursos Multifuncionais.Confesso que por ser uma experiência nova eu me sentí um pouco insegura.Sabe-se que o novo assusta,porém, está ocorrendo várias etapas de capacitação profissional na área de inclusão em meu município(o que antes não acontecia),reforçando em mim, o desejo de aprender mais sobre as diversas deficiências e atuar com maior segurança no espaço educacional.Um exemplo positivo desta inclusão,são os próprios relatos dos pais,que gostaram de ver seus filhos inclusos numa escola regular.Quanto a mim,estou me aprimorando,lendo a respeito das deficiências e principalmente,tendo o CONTATO direto com estes alunos tem capacidade para aprender!.Agradeço à Deus por esta oportunidade. Portanto,sou contra este retrocesso na educação brasileira.

    Publicado por Diana Coelho Nunes | 24/11/2011, 15:55
  28. Terminei recentemente uma Especialização em Inclusão, diante desta notícia a idéia é:”não ao radicalismo”.O nosso “Guerreiro surdo” sabe do que está “falando” , apesar dos esforços de entidades e profissionais idôneos engajadas na causa, presenciei recentemente uma mãe retirar o seu filho com paralisia cerebral e baixa visão, da escola (municipal)pq a prof afirmou que não estava preparada p recebe-lo e a mãe não queria que o filho fosse apenas um número na matrícula.
    (Para Vygotsky (1994) se a criança é excluída do contexto coletivo, isso atrasará ou impedirá o desenvolvimento das suas funções psíquicas superiores porque é na socialização que ela acontece.
    Porque não aceitar as duas opções?os pais tem o direito de escolher, Escola Especial sim e Escola Inclusiva também!!!!

    Publicado por Lismeri Carvalho | 24/11/2011, 16:25
  29. Isso é desconstruir tudo o que já foi construído através de muita luta em relação a inclusão.

    Publicado por Ângela Machado Kraemer Rocha | 24/11/2011, 21:25
  30. O que de mais nobre temos é “Atitude democrática” .Queremos o que entendemos que é
    melhor para nós e para os nossos filhos, parentes e amigos especiais , não nos obriguem a aceitar o que não queremos, não queremos e não queremos. Respeitem os Decretos 7.611 e 12.
    Elizabeth Vianna Guerzet – Vila Velha ES Brasil

    Publicado por Elizabeth Vianna Guerzet | 25/11/2011, 8:06
  31. `Caros colegas de luta, não podemos permitir que isso aconteça, depois de anos de luta, retroceder. Tanto investimento para resultar nisso!!!! Precisamos mobilizar toda sociedade para que a Presidenta Dilma, volte atrás e desfaça esse grande mal entendido. Agora que estávamos começando a sensibilizar a sociedade para a inclusão, temos uma noticia dessas.

    Keilane Santos- Cajazeiras-PB

    Publicado por Keilane Maria de Oliveira Santos | 25/11/2011, 8:30
  32. A quem possa atingir…
    Senhores e Senhoras.
    Eu, particularmente, acredito no bom senso e no meio termo.
    Temos que ser humildes para admitir que a Inclusão não é assim tão positiva para todos, não é mesmo. Quando pensamos nos casos de condutas típicas; dos mini-sociopatas; nos ritalinados; nos “bullynnistas” que não recebem atendimento nem nenhuma espécie de controle e que continuam convivendo e maltratando os demais etc. São muitos os casos de inclusão que não dão certo e continuam nas escolar regulares!! O problema é que quando se fala em Inclusão pensa-se somente em deficientes, quando na verdade a coisa é bem mais ampla do que isto!!!
    Mas com bom senso, em boa medida e com o conhecimento que já foi adquirido e os que ainda virão, tudo há de se resolver para o bem de todos.
    Creio que com as medidas que já deram certo e com a insistencia nas que ainda poderão dar, independentemente da decisão do governo Dilma, muita coisa boa há de vir. Estas incoerências políticas sempre existirão.
    Penso positivamente e congratulo as pessoas que fizeram da Inclusão o que ela é hoje e, com certeza, não será assim “desmanchada” e jogada por terra.
    Parabens a todos que dão sua contribuição tanto à Inclusão quanto às medidas mais especialzadas para pessoas que por alguma razão realmente não têm condições ser incluídas.
    Provavelmente todos nós somos incluídos no amor de Deus , uma vez que nós por mais perfeito que possamos achar que somos, não o sejamos de fato.
    Tudo vai acabar bem.
    Espero que todo este reboliço não desanime ninguem e que as conquistas de cada caso só venham a animar a todos que permanecerem fiéis à sua consciência enquanto cidadãos de bem.
    Um forte abraço Inclusivo a todos voces que são mais que vencedores!!

    Publicado por Marcia | 25/11/2011, 16:01
  33. Lembro -me de um dos maiores mártires da história cristã: Jesus Cristo. Segundo consta, o mesmo buscava apenas ser justo, foi crucificado pelos poderosos e por um grupo enorme da sociedade que gritava – crucificai! Crucificai. Sou professora de AEE, tendo sido antes, professora de classe regular. Como professora de classe regular, nunca atingi os padrões de qualidade exigidos pelo município, por possuir em minha sala alunos com comprometimentos que não chegavam a ser uma deficiência, mas, a estrutura educacional não viabilizava meios para que eu pudesse atendê-los, no meu árduo trabalho de alfabetizar. Este fato ainda presencio hoje nas salas regulares, com outros professores que não tem ideia do que fazer face a uma inclusão imposta. Também como professora de AEE, trago marcas na minha carreira profissional uma vez que, segundo avaliação de um grupo, não possuo perfil profissional para tal exercício, pois não consegui fazer brilhar uma sala-depósito, disponibilizada em uma escola, para atendimento do público a quem a sala se destina; Ao acionar o sindicato da categoria, que precisava engrossar a fileira de adeptos de suas correntes político partidárias, logrei êxito em permanecer em sala de AEE, porém adquiri “olhos mutantes” que vigiam todos os meus passos, comprometendo até minha vida pessoal e familiar, também cheia de conflitos sobre a emancipação feminina. Ao expor aqui minha opinião sobre a inclusão da forma que esta posta, acreditando que a mesma não está sendo uma inclusão de fato e de direito; que estas pessoas se não estão segregadas, estão isoladas em espaços discriminatórios (falo apenas da experiência em que vivo nas escolas em que visito, no meu município), não me colocando com isto, favorável à escola especial, mas, apenas denunciando o descaso que se está dedicando à educação nacional. Pergunto-me: A quem vocês irão mandar crucificar?

    Publicado por miachaih | 26/11/2011, 11:43
    • Que bom que você escreveu, Mirian! Porque tudo o que você denuncia precisa, mesmo, ser denunciado. E, note, o problema não está na inclusão, como você mesma pontua: está na educação. E é justamente isso o que a equipe do Inclusão Já! tem dito insistentemente: a concepção de escola e o grau de comprometimento dos gestores é que precisam mudar. E não a criança com deficiência permanecer isolada. A inclusão dessas pessoas desestabilizada o estado de acomodação da escola em muitos sentidos e, em milhares delas, grandes mudanças têm tranformado a realidade. Há locais, porém, dominados por feudos, por coronéis que tomam a coisa para si como uma criança mimada que toma a bola da brincadeira: o mundo lhes pertence. Defendemos que as famílias sejam informadas de seus direitos e que se tornem agentes de real controle social. A inclusão de fato e de direito, portanto, não é apenas das crianças e jovens com deficiência. É de todos e todas. A escola, tal qual está, oferta um serviço precário à quase totalidade de nossas crianças. Muitos gestores, por motivos mil, se acham no DIREITO de ofertar ou não escola boa, de fazer ou não mudanças, de implantar ou não a inclusão. É contra isso que devemos gritar. E não contra a inclusão escolar de uma parcela da população. Afinal, no contexto em que você vive, pela sua exposição, estão todas as crianças condenadas à escola que causa o fracasso, certo? Entendemos suas colocações, somos solidárias a você e, por isso mesmo, a pergunta sobre a crucificação é sem sentido. A luta empreendida pela equipe deste portal e das dezenas de instituições e centenas de pessoas parceiras é por educação de qualidade, para todos, e para que a gente não continue eternamente achando que segregar pessoas é protegê-las da escola ruim, como se a escola ruim fosse algo natural. Um forte e sincero abraço, professora!

      Publicado por Inclusão Já! | 26/11/2011, 12:46
  34. Lamentavel o que acabo de ler. Tantos anos de luta em busca de uma sociedade mais justa e igualitaria para que todos tivessem os mesmos direitos de aprender e conviver com o outro. É uma tristeza. Por que nesse pís não se preserva o que é bom? Será que os que votam por esse retrocesso já tiveram a oportunidade de conviver com quem realmente precisa interagir com o seu semelhante para se desenvolver?
    Presidente Dilma um Pais que se diz para todos deve garantir o dirteito de todos de forma igulitaria a uma escola de qualidade onde as diferenças sejam respeitadas.
    Presidenta peço a sua compreensão! não permita esse retrocesso.
    Fátima Fernandes
    Pombal

    Publicado por Maria de Fátima Fernandes | 26/11/2011, 19:29
  35. Minha carta à presidenta (com a, mesmo, antes que me corrijam, porque escrever assim não é errado):

    Querida presidenta,

    O lançamento do VIVER SEM LIMITES é um passo importante para a promoção da qualidade de vida das pessoas com deficiência. No entanto, infelizmente, no dia 18/11, foi publicado um decreto (o 7611/11) que DESMONTA as políticas de educação inclusiva e traz de volta ao país escolas e classes especiais. JÁ SUPERAMOS ISSO, PRESIDENTA!!! Garanto que as pessoas que assessoraram (muito mal) suas ministras Gleisi e Maria do Rosário são aquelas que se beneficiam da exclusão (política e financeiramente). E como foi possível, na calada da noite, um texto inconstitucional ser redigido sem o debate com a sociedade civil, que luta há mais de 20 anos pela escola inclusiva e só foi ouvida de verdade no governo do presidente LULA? Eu sugiro que a senhora pergunte ao ministro Haddad, e também à profa. Claudia Dutra (hoje, na Secadi/MEC), os enormes avanços que o decreto 6571/08 (agora, revogado) trouxe à educação do país. Fiquei triste de ver que dados do BPC na escola, por exemplo, foram citados como se não tivessem sido fruto de muito trabalho da equipe da antiga SEESP (hoje, Secadi) e do MEC. Manter a cultura da segregação fere direitos humanos, presidenta. O olhar medicalizado, terapeutizado da deficiência é o que justifica a segregação. Mas escola não é hospital! Para que a inclusão ocorra, é preciso entender que não é a escola a responsável por oferecer fisio, fono, odonto, terapias, remédios… isso é da área da saúde. Para viver realmente sem limites, pessoas com deficiência precisam estar na escola. Precisam ser vísíveis à sociedade. QUEM GANHA COM A EXCLUSÃO, PRESIDENTA??? Ganham os gestores dessas ONGs que fazem lavagem cerebral nas famílias (tudo isso recebendo muita verba pública!). E ganham políticos que enxergaram no segmento um belo curral eleitoral. Mais ninguém. E tem algo mais grave ainda por trás disso: com a regulamentação de escolas e classes especiais, nenhum gestor público vai se ocupar de propiciar um sistema inclusivo para as crianças, porque é mais fácil segregar! O resultado desse decreto que a senhora assinou já pode ser visto em apenas uma semana: há lugares no Brasil onde já estão operando o fechamento de centros de apoio à inclusão e o REENVIO de pessoas com deficiência às APAES, como se fossem coisas. Isso precisa ser denunciado! Estamos andando para trás. Daqui pouco tempo, tudo o que conquistamos estará no ralo. Jamais, dessa forma, conseguiremos cumprir o que determina o Artigo 24 da Conveção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. PRECISAMOS MONTAR UMA REDE INTERSETORIAL PARA QUE A INCLUSÃO SEJA EFETIVA! Para que as escolas não sejam vistas como depósitos ou hospitais. A pessoas com deficiência precisam ter direito à educação em escola comum. E também acesso a tratamentos e terapias pela pasta da saúde. Enquanto isso não ocorrer, teremos pais e mães que PREFEREM EXCLUIR seus filhos por ignorância, e porque vêem nessas instituições a única forma de ter atendimento. A senhora sabia que há lugares em que os pais são ameaçados? Se quiserem tirar a criança da escola especial, simplesmente perdem os tratamentos de saúde. Veja só. E o novo Decreto ainda versa sobre o envio de MAIS VERBAS, pelo Fundeb, às instituições. Não é possível. Presidenta, pessoas com deficiência não são coitadas. São cidadãs. Estamos insistindo no pedido de agenda às ministras. O governo da senhora foi eleito para dar continuidade aos avanços, não para retroceder! Precisamos ser ouvidos!

    Abraços, Meire Cavalcante

    Publicado por Inclusão Já! | 27/11/2011, 0:51
  36. Eu sou professora do atendimento Educacional Especializado, e também muito me angustia, ver a atitude de retrocesso no processo de Educação Inclusiva, vejo o quanto de possibilidades estamos tendo e oportunizando os professores do ensino comum a aprenderem e serem desafiados com os alunos especiais , que abraçam a causa , se debruçam no aprendizado e caminham juntos para que no amanha realmente a inclusão aconteça sem nada de discriminação. Sei que ainda a Politica de Educação Inclusiva gera certas ansiedades, mas nem por isso podemos deixar morrer essa luta que só vai favorecer nossos alunos , nossas escolas caminhando para uma sociedade justa igualitária, que respeita a diversidade de cada um dando oportunidades de viver em um ambiente que não segrega, e as escolas especiais como ongs ainda são excludentes, mesmo tendo o atendimento SAED nas escolas , é possível perceber que não acontece como forma de inclusão mas sim de exclusão, por não desenvolver um trabalho educacional. Falo da realidade que conheço, sei que muitos lugares ocorre de maneira correta.
    Alcionir Farias

    Publicado por Alcionir Farias | 27/11/2011, 15:16
  37. Sinceramente, não consigo interpretar desta forma o decreto 7.611 de 17/11;2011.; quanto ao artigo 14º entendo que reconhecem para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, haja vista, que educação especial é modalidade, a escola especial, turma especial ou seja o que referindo-se a educação especial, seja AEE e não escolaridade, por que so será no meu entendimento assim…. será que estou ficando mauca, haja vista que, avançamos tanto em relação a não mais segregar, agora estou eu aqui solicitando explicações ao MEC, com o que farei com as escolas especiais do meu municipio mantidas pela prefeitura que realizamos a extinção e outrea que transformamos em Centro de AEE. Como fica todos nossos estudos e todas nossas ações em nossos municipios em promover ensino e qualidade de ensino com igualdade para todos, independentes de suas limitações. Estou com a sensação de não saber se o que fiz foi certo ou errado……ajudem-me MEC….Ministro Hadad e Presidente Dilma que tanto confiamos e admiramos. Detalhe, além de profissional da área, sou mãe de um jovem com múltipla deficiência que lutou por esta igualdade de condiçoes.

    Publicado por GARROLICI ALVARENGA | 27/11/2011, 19:59
  38. Faço minhas as palavras da Meire Cavalcante que com muita competência soube nos representar….lutadores de igualdade e superação da educação especial segregadora, conheço entidades, ongs que possuem esta postura relatada por nossa querida Meire, pensavamos estarmos livres deste roedores… há muitas entidades sérias, mas na sua maioria não lutam para a verdadeira emacipação de pessoas com deficiência e suas famílias…..assim, repito as palavras da Meire para que nossa Presidenta possa analisar todo esforço da SEESP em seu trabalho pela inclusão….Se até mesmo a SEESP foi extinta…como exemplo, isso tudo foi a forma que encontraram para manter a segregação,…. não consigo fazer esta leitura, sinceramente, faltou senso.
    Minha carta à presidenta (com a, mesmo, antes que me corrijam, porque escrever assim não é errado):

    Querida presidenta,

    O lançamento do VIVER SEM LIMITES é um passo importante para a promoção da qualidade de vida das pessoas com deficiência. No entanto, infelizmente, no dia 18/11, foi publicado um decreto (o 7611/11) que DESMONTA as políticas de educação inclusiva e traz de volta ao país escolas e classes especiais. JÁ SUPERAMOS ISSO, PRESIDENTA!!! Garanto que as pessoas que assessoraram (muito mal) suas ministras Gleisi e Maria do Rosário são aquelas que se beneficiam da exclusão (política e financeiramente). E como foi possível, na calada da noite, um texto inconstitucional ser redigido sem o debate com a sociedade civil, que luta há mais de 20 anos pela escola inclusiva e só foi ouvida de verdade no governo do presidente LULA? Eu sugiro que a senhora pergunte ao ministro Haddad, e também à profa. Claudia Dutra (hoje, na Secadi/MEC), os enormes avanços que o decreto 6571/08 (agora, revogado) trouxe à educação do país. Fiquei triste de ver que dados do BPC na escola, por exemplo, foram citados como se não tivessem sido fruto de muito trabalho da equipe da antiga SEESP (hoje, Secadi) e do MEC. Manter a cultura da segregação fere direitos humanos, presidenta. O olhar medicalizado, terapeutizado da deficiência é o que justifica a segregação. Mas escola não é hospital! Para que a inclusão ocorra, é preciso entender que não é a escola a responsável por oferecer fisio, fono, odonto, terapias, remédios… isso é da área da saúde. Para viver realmente sem limites, pessoas com deficiência precisam estar na escola. Precisam ser vísíveis à sociedade. QUEM GANHA COM A EXCLUSÃO, PRESIDENTA??? Ganham os gestores dessas ONGs que fazem lavagem cerebral nas famílias (tudo isso recebendo muita verba pública!). E ganham políticos que enxergaram no segmento um belo curral eleitoral. Mais ninguém. E tem algo mais grave ainda por trás disso: com a regulamentação de escolas e classes especiais, nenhum gestor público vai se ocupar de propiciar um sistema inclusivo para as crianças, porque é mais fácil segregar! O resultado desse decreto que a senhora assinou já pode ser visto em apenas uma semana: há lugares no Brasil onde já estão operando o fechamento de centros de apoio à inclusão e o REENVIO de pessoas com deficiência às APAES, como se fossem coisas. Isso precisa ser denunciado! Estamos andando para trás. Daqui pouco tempo, tudo o que conquistamos estará no ralo. Jamais, dessa forma, conseguiremos cumprir o que determina o Artigo 24 da Conveção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. PRECISAMOS MONTAR UMA REDE INTERSETORIAL PARA QUE A INCLUSÃO SEJA EFETIVA! Para que as escolas não sejam vistas como depósitos ou hospitais. A pessoas com deficiência precisam ter direito à educação em escola comum. E também acesso a tratamentos e terapias pela pasta da saúde. Enquanto isso não ocorrer, teremos pais e mães que PREFEREM EXCLUIR seus filhos por ignorância, e porque vêem nessas instituições a única forma de ter atendimento. A senhora sabia que há lugares em que os pais são ameaçados? Se quiserem tirar a criança da escola especial, simplesmente perdem os tratamentos de saúde. Veja só. E o novo Decreto ainda versa sobre o envio de MAIS VERBAS, pelo Fundeb, às instituições. Não é possível. Presidenta, pessoas com deficiência não são coitadas. São cidadãs. Estamos insistindo no pedido de agenda às ministras. O governo da senhora foi eleito para dar continuidade aos avanços, não para retroceder! Precisamos ser ouvidos!

    Abraços, Meire Cavalcante

    Publicado por GARROLICI ALVARENGA | 27/11/2011, 20:17
  39. O governo não pode estabelecer por decretos nem a inclusão absoluta e retirada do apoio às escolas especiais, nem determinar a exclusividade da educação inclusiva. O cidadão precisa ter a liberdade de escolher o que julga adequado para si e para seus filhos. Cabe ao poder público contemplar o ambiente democrático, de escolhas pessoais. Ouvir a opinião das famílias e dos próprios deficientes, considerar as peculiaridades de cada aluno. As manifestações contrárias ‘as escolas especiais correm o risco de criar uma inclusão perversa, lançando jovens e crianças num ambiente igualmente perverso, baseados num discurso político e generalista. O que fazer com as crianças com graves deficiências e saúde delicada? Lança-las numa escola regular que não dá conta nem das crianças e jovens sem deficiências? Nâo quero dizer com isso que sou contra a inclusão, pelo contrário. A criança que pode deve estar incluída, mas a criança grave não mpode ser esquecida, afinal, educação é para todos, lugar de criança é na escola. A Escola Especial pode ser inclusiva na medida em que instrumentaliza o indivíduo a fazer sua propria inclusão cultural quando respeitado em suas particularidades. Não respeitar a escola especial é ter preconceito .

    Publicado por Milene Vasconcellos | 28/11/2011, 10:50
    • Milene, obrigada por escrever a Inclusão Já! O direito à educação é da criança, e não dos pais, como esclarecemos aqui em outros tópicos nos comentários. Por isso se chama direito inalienável. Acabar com escolas e classes especiais não é preconceito, é garantir o direito das crianças de crescerem em espaços não limitadores e medicalizados. Escola não é hospital. E é essa visão médica da deficiência que faz tanta gente, equivocadamente (e com a ajuda das instituições em difundir essa ideia errada), acreditar que a escola é um lugar onde a criança precisa ser protegida, isolada, cuidada. Peço que leia outros comentários do Inclusão Já! aqui nessas discussões (que fundamentam tanto a questão legal quanto a questão pedagógica e ética). Um abraço!

      Publicado por Inclusão Já! | 28/11/2011, 10:55
  40. Parabéns,Milene! Gostei do seu comentário.Foi simples,claro e objetivo. Demonstra experiência e conhecimento no assunto. Sou a favor da inclusão,mas não vejo como política inclusiva matricular alunos com deficiências graves nas escolas regulares. Quem vivencia a rotina da escola pública sabe de sua carência estrutural,apesar da boa vontade da maioria dos professores ( falta material de todos os tipos, limpeza do ambiente escolar,cancha para realizar atividades esportivas,às vezes, até mesmo o básico).Os professores muitas vezes precisam comprar diversos itens para poder realizar um trabalho diferenciado com o seu aluno. A visão médica e clínica pode acontecer tanto na escola especial quanto na escola regular. Também não vejo a criança segregada na escola especial.ao contrário, na escola especial ela pode construir uma leitura de mundo mais fortalecida e que irá levá-la a realizar maiores e melhores conquistas na sociedade. O tempo dos asilos clinicos e dos tramentos terapêuticos já passou e hoje temos outra visão tanto da pessoa com deficiência quanto da escola especial.

    Publicado por Cármen Cristina Pereira | 28/11/2011, 14:32
    • “Na escola especial ela pode construir uma leitura de mundo mais fortalecida e que irá levá-la a realizar maiores e melhores conquistas na sociedade”. Desculpe, Cármen, mas baseada em quê você afirma uma coisa dessa? Escolas especias de pessoas com deficiência que são CATEGORIZADAS como “graves” são depositadas em lugares absurdamente desumanos. É triste de ver. Uma escola especial não se configura, nem de longe, como um ambiente desafiador e propício para uma leitura de mundo mais fortalecida. É o contrário. E justamente por isso é que se configrua como inconstitucional.

      Publicado por Inclusão Já! | 28/11/2011, 15:59
      • Respeito sua opinião mas gostaria de convida-lo a conhecer melhor algumas instituições sérias que não hospitalizam as crianças, nem oferecem um espaço limitador ou medicalizado. A educação especial pode ser libertadora na medida em que desenvolve cidadãos pensantes, críticos e atuantes , mesmo quando presos a um corpo que não corresponde aos ideais sociais e nem mesmo respondem ao seu proprio desejo de ir e fazer. Permanecer na escola comum como mero expectador da vida não inclui além do espaço físico, desconsiderando a subjetividade das relações humanas.
        Devo discordar também da forma de expor o direito à educação como um privilégio da criança isoladamente ao contexto familiar. Os pais têm direito de optar como aqueles que desejam algo melhor para seus filhos . Afinal, a criança na sua fase inicial de vida busca corresponder ao desejo dos pais, e precisa sentir-se desejada por eles para constituir-se .Exclui-los desse processo é abusar do “poder” tecnico, daquele que “sabe” , negligenciando aquele que ama
        Mesmo antes de sua sugestão eu já havia lido os demais comentários da discussão, uma vez que um diálogo parte do ouvir e de expor suas proprias idéias
        Grata pela oportunidade de reflexão coletiva
        Abç
        Milene Vascncellos ( m.albeny@uol.com.br )

        Publicado por Milene Vasconcellos | 28/11/2011, 20:05
      • Oi, Milene, respondi a você no outro comentário sobre a questão do direito. Isso não se discute à luz da nossa CF. O direito é da pessoa. Por isso se chama inalienável. É o mesmo que o direito à saúde (ninguém escolhe levar o filho ou não ao médico quando ele adoece, pois é direito da criança ser cuidada), ou o direito à vida, ou, ainda, o direito de não trabalhar na infância, mesmo que os pais achem bom que o filho trabalhe desde os 10 anos de idade, pelo motivo que for (cultura, crença…). Sendo inalienável, todos esses direitos não estão sob a tutela de ninguém e é dever do estado, da família e da sociedade sua garantia. Não nos cabe discordar da Constituição Federal. Ela existe para estar acima dos achismos, seja de que vertente for. Sobre a questão do amor, muitas mães que “fizeram a curva” se viram, depois, como antigas cassadoras dos direitos dos filhos. Acreditavam que, ao segregar, estavam protegendo seus filhos. Mas quando pais e mães descobrem que a inclusão é possível (pra todos, sem peneira, que fique claro), elas mudam de ideia. Porque mães e pais querem o melhor pros seus filhos, mas não podem lutar se não acreditam em algo. E é dever da escola especial fazer o trabalho de transição para a inclusão. E não o contrário. É um dever moral, inclusive, porque a vida, as relações, o namoro, o trabalho, tudo está do lado de fora, no mundo comum. E essas pessoas precisam conviver e terem sua presença na sociedade LEGITIMADA. E isso só ocorre na inclusão. Por isso, apesar de não duvidar que a educação especial possa propiciar pessoas pensantes, é preciso questionar: pensantes em que contexto? Convivendo com que pessoas? Nossa sociedade precisa rever seu conceito de diferença e isso só ocorre na convivência plena, sem segregação, desde o berço.

        Publicado por Inclusão Já! | 30/11/2011, 1:16
      • Cara Carmen, obrigada pela concordância .Se me permite, gostaria de ajudar em sua discussão.
        Quando nos referimos a “graves deficiências” não estamos fazendo julgamento de qualidade do ser humano. Estamos falando de crianças com múltiplas deficiências que podem incluir alterações motoras associadas a disfunções sensoriais, com a presença ou não de alterações cognitivas. Algumas necessitam de respirador artificial, foram submetidas a gastrostomia e fazem uso de alimentação parenteral. Podem ter descontrole de esfincteres ou apresentar quadros convulsivos importantes. Precisam ter todo seu material adaptado e a tutela de um especialista que acompanhe. A escola comum pode recebe-los com as condições atuais? Elas também nâo têm direito a escola?

        A Escola Especial baseada em estratégias psicopedagógicas sérias , inseridas num contexto pos moderno educacional que contemple a tecnologia e os valores humanos, com uma visão de homem que transcende o corpo físico, nunca funcionará como “depósito”. Mas será um ambiente desafiador sim, com respeito as competências e as características individuais. Como disse educador ” Quem dera TODAS as crianças , mesmo as ditas “normais” tivessem uma escola especial, que as vissem em sua individualidade e estimulassem seu potencial pessoal , as incluindo verdadeiramente no mundo de forma criativa e criadora”
        Abç
        Milene Vasoncellos

        Publicado por milene vasconcellos | 28/11/2011, 21:02
      • Oi, Milene! Não há nada que a escola especial faça (em questão de apoios) que a escola comum não possa fazer. Se a criança precisa de aparatos para respirar, vai precisar dos mesmo indo ao shopping, indo ao médico passar em consulta, indo ao dentista, indo à festinha de aniversário na casa do vizinho, indo para a casa da avó. Então, que vá à escola comum também. Não é preciso um especialista 24 horas para isso porque, se fosse assim, a criança estaria internada em um hospital sob vigilância de médicos. Se ela pode se locomover à escolas especial, pode também ir à escola comum. O que a maioria das famílias não sabe (porque muitas instituições sonegam essa informação) é que os apoios dessa natureza (de cuidador para tais necessidades) é um serviço que o estado tem OBRIGAÇÃO de oferecer, além do transporte. Mas enquanto as famílias permanecerem DESINFORMADAS, como elas poderão cobrar do poder público o que é de direito??? O conceito de normalidade/anormalidade é JUSTAMENTE a cilada perigosa de tudo isso. Quem não se encaixa, tá fora. Mas só fora da escola, claro… E, Milene, toda essa mobilização pela inclusão é também (e principalmente) pela transformação da escola para que TODA escola seja especial (no sentido de ser boa e de qualidade) para TODAS as crianças e que todas elas possam crescer juntas. Queremos a mesma coisa, no final, mas por caminhos diferentes, porque o modelo de escola que segrega já superamos faz tempo (a inclusão está aí para quem quiser ver, em MILHARES de escolas do país), mas é difícil romper com o status quo. Façamos a curva! Um grande abraço!

        Publicado por Inclusão Já! | 30/11/2011, 1:01
      • Bem, como estou entendo que este é um espaço para construção de nossos conhecimentos sobre o tema proposto, quero dizer a quem respondeu aqui para a Carmen (adianto logo que não conheço Carmen) que poderia solicitar à Carmen que explicite um pouco melhor sobre a experiência dela quanto ao seu entendimento quando diz: “Na escola especial ela pode construir uma leitura de mundo mais fortalecida e que irá levá-la a realizar maiores e melhores conquistas na sociedade”. Quem sabe Carmen pode nos esclarecer mais sobre isso. Em são consciência fico pensando que nem todos os atendimentos em Escolas Especializadas sejam por si só inconstitucionais, pois não?! De minha parte gostaria de dialogar com Carmen sobre isso.

        Publicado por emeli marques | 29/12/2011, 14:26
  41. Apesar de não concordar com a Educação Inclusiva para algumas deficiências, gostaria de falar que fico feliz ao ver que hoje temos pessoas preocupadas em dar condições melhores para pessoas deficientes.
    Acho muito produtiva e democratica essa discussão.Sou mãe de um rapaz de 26 anos com Paralisia Cerebral severa.Devido a falta de acessibilidade, material assistivo, capacitação profisional na rede pública ,é inviavel incluir pessoas com esse grau de gravidade motora nessas escolas, pq pouquissimas atendem as suas necessidades.Concordo com a Milene sobre a maneira como a escola especial olha para essa população mais grave, muitas escolas fazem um bom trabalho, mas também existem aquelas escolas especiais que não fazem um bom trabalho, elas não visam o melhor para o deficiente e sim para o seu bolso!!!! Essas escolas comprometem aquelas que fazem um trabalho sério, assim como na rede de ensino público, algumas funcionam e outras não.
    É a familia quem deve optar pela educação mais indicada. Para o meu filho a Educação Inclusiva hoje não funciona, daqui a alguns anos pode ser que funcione, porém ele tem que ter um grupo ao qual faça parte e exerça alguma atividade e isso a escola especial oferece.Eu acredito que para muitas deficiências a Educação Inclusiva funciona. É a familia quem deve optar pela educação pq ela mais que ninguém conhece as necessidades dos filhos.
    É claro que estamos falando de uma população mais esclarecida, porém existe uma parte dessa população que não teve nenhum acesso a educação não sabendo assim escolher, ai sim deve entrar uma assistente social interferindo nessa escolha.
    Para as pessoas que efetivamente não podem ser incluídas deveria ter um trabalho de integração que é diferente de inclusão, porque a inclusão é misturar as diferenças, e integração é aproximar as diferenças.Diferenças muito grandes se chocam quando incluídas.
    Imagine numa sala de aula uma pessoa que não fala no meio das que falam, imagine tb o inverso uma pessoa falante no meio de outras que não falam!Acho que se conseguirmos olhar sem defesas tentando entender o ponto de vista do outro e saber que nem todos os deficientes precisam de educação especial mas que também muitas deficiências estão muito longe da inclusão todas as pessoas com deficiência ganharão, e esse com certeza é o objetivo dessa discussão.

    Publicado por Sulamita Mattoso Meninel | 29/11/2011, 9:13
    • Sulamita, obrigada por escrever para o Inclusão Já! A perspectiva de que algumas deficiências não podem ou não devem estar na escola partem do princípio de que o aluno precisa se encaixar na escola, e não a escola ser aberta às diferenças de todos, legitimá-las e trabalhar para a aprendizagem de todos e todas, dentro de suas capacidades. A inclusão MEXE COM A ESCOLA, com o jeito de ensinar (porque é aí onde está o nó). Crianças e jovens são crianças e jovens. Têm DIREITO INALIENÁVEL à educação. Tal direito é da pessoa, e não de seus pais ou tutores, entende? Isso é a Constituição Federal do nosso país (que não prevê outra escola que não a comum, inclusive). Não existe quem “não possa ser incluído” e é para isso que precisamos trabalhar. Enquanto acharmos natural segregar, estaremos também achando natural que a escola continue essa instituição fechada, seletiva e perversa, que exclui porque assim lhe parece ser o sentido da educação… Veja, seu filho hoje já tem 26 anos. Da época que ele nasceu até agora, a escola se preparou (já que a grande DESCULPA para excluir é a “falta de preparo”)? A resposta é simples: não. E por um motivo igualmente simples: ninguém se prepara pra quem nunca vai chegar. Jaime Balbino, um outro leitor do Inclusão Já!, disse aqui nos comentários algo simples e verdadeiro:

      “em se tratando de preconceito e inclusão não dá para esperar a sociedade se conscientizar sem a convivência o deficiente. O processo é dialógico, como diria Paulo Freire, e a inclusão só ocorre onde não há segregação. Onde a segregação existe ela é vista com naturalidade. Onde a inclusão existe ela será também absorvida com naturalidade.”

      Um abraço.

      Publicado por Inclusão Já! | 30/11/2011, 0:49
  42. Olá, sou professora, atuou na Educação Especial no Estado do Amapá paro e fico a pensar, realmente, se tratando da Educação a modalidade Educação Especial tem passado por várias conquistas. Sou de acordo que as mudanças ocorram, porém sempre para oferecer acesso, permanência e a participação a todos sem distinção. E quando deparo com o retrocesso que estamos dando, pois quando se aceita classes especiais nas escolas ou escolas especiais só vejo a grande segregação e eu jamais posso aceitar. Coloco-me no lugar do publico alvo desta modalidade e não consigo ver inclusão; com certeza só consigo perceber o distanciamento o que certamente levará aos mais diferentes pseudos e fortalecerá a falta de credibilidade, de aceitabilidade, de capacidade…. como seres que não podem estar juntos aos demais.
    Sei que minha opnião é como Isac Newton já dizia ” Uma gota de água no oceano” mas, neste momento não posso calar-me.

    Att,
    Nelcicleide

    Publicado por Nelcicleide Viana Dias | 30/11/2011, 0:01
  43. Oi! sou professora em um Centro de Atendimento Educacional Especializado e concordo com a resposta da Inclusão já para a Sulamita. Vejo que muitas foram as conquistas. Podemos perceber que são grandes as mudanças em alunos com deficiencia que já estão inseridos no ensino regular e voltamos sempre a mesma questão ” A escola regular não esta preparada para receber um aluno com deficiencia” São as escolas que tem que se adequar as pessoas com deficiencia e não o contrário. Não podemos voltar ao tempo em que os alunos eram segregados. Sou super a favor da inclusão. Todas as pessoas com deficiencia são capazes apesar de sua limitação. Vamos a luta amigos que acreditam numa inclusão de qualidade para nossos alunos.
    Abraços fraternos
    Vanda Brito
    Roraima

    Publicado por Vanda Brito | 30/11/2011, 22:49
  44. Conviver entre os pares é um mal? As pessoas “ditas” deficientes se conviverem entre si é ruim para elas? Para o seu desenvovimento? É a “dita” deficiência que promove a EXCLUSÃO? Ou é a SOCIEDADE “DITA” NORMAL?
    Nesse caso as pessoas “ditas” deficientes não deveriam conviver com as “ditas” normais para não apreender o seu modo de viver excluindo.

    Publicado por emeli marques | 02/12/2011, 0:00
    • Olá, obrigada por escrever ao Inclusão Já! Essa argumentação, Emeli, não faz sentido, porque as crianças não excluem por natureza. O preconceito é aprendido. E se tem um lugar onde podemos combatê-lo e construir uma sociedade melhor é a escola, não? Um abraço.

      Publicado por Inclusão Já! | 27/12/2011, 16:57
      • O argumento é seu de que a Inclusão se dá pelo convívio dos diferentes entre os ditos “normais”. As pessoas ditas “diferentes” nascem de famílias ditas “normais”. Vivem a vida toda com os ditos “normais”. O seu argumento de que elas precisam começar a conviver com os “normais” na escola, também, não procede, pois já vivem desde que nascem. Entendo que a escola pode construir um novo pensamento sobre as pessoas diferentes. Mas, não penalizando-as com a nossa companhia em momento em que elas necessitam de processos difertenciados dos meus. Não vejo a convivência escolar como uma solução para isso. Me parece mais algo do tipo “fique do me lado aqui na escola e aquiete a minha consciência. Não posso me sentir culpado de vc ser como é, isto é, diferente de mim. Mas eu não quero ser igual a vc. Por isso, fique quietinho aqui do meu lado, já basta”. Eu luto pelo DIREITO À INCLUSÃO NA ECOLA PÚBLICA. Porém, há especificidades dos diferentes grupos que precisam ser RESPEITADOS NESSE PROCESSO, caso contrário corremos o risco de fazer EXCLUSÃO. Pelo direito ao ATENDIMENTO PÚBLICO EM TODOS OS SENTIDOS e para TODOS.

        Publicado por emeli marques | 28/12/2011, 12:40
      • Emeli, aqui quem está escrevendo é Meire Cavalcante, coordenadora editorial do Inclusão Já! Desafio você a encontrar um ÚNICO texto meu em que eu tenha utilizado o termo “dito normal” ou chamado pessoas com deficiência de “diferentes” nesse contexto que você fala, uma vez que minha concepção de diferença é universal, ou seja, todos somos diferentes – e não só as pessoas com deficiência. Leia mais meus textos antes de lançar sobre eles interpretações equivocadas. Alem disso, defendo, sim, que pessoas com deficiência convivam desde cedo com quem não tem deficiência no ambiente escolar, com seus pares de idade e de interesse. Seu argumento de que pessoas com deficiência já convivem com quem não tem deficiência por estar perto da família pode me dar a liberdade de inverter o que você diz: se essas pessoas precisam tanto de gente especializada por perto, porque a família também não é treinada e hiperespecializada na deficiência da criança? Respondo: porque não é preciso hiperespecialização para o amor, para a convivência, para ver o outro como ser humano, para existir em um ambiente social, não importa a natureza do mesmo. Se a família legitima a presença das pessoas com deficiência em seu seio, porque a escola, outro importante ambiente de desenvolvimento cidadão, seria diferente??? Escola boa é aquela que ensina TODOS. E respeita as especificicidades educacionais de TODOS, e não só de quem tem deficiência. Usar a deficiência como critério para APARTAR crianças e jovens do convívio com pessoas da mesma idade em um amnbiente primário de interação SOCIAL – além da familiar – é perverso e precisa, sim, ser questionado até o fim. É o que fazemos aqui, por meio de nossos textos e manifestos. E todos estão convidadíssimos à reflexão. Trata-se de um novo jeito de ver a vida e a escola. Bem-vinda!

        Publicado por Inclusão Já! | 28/12/2011, 16:15
      • Cara Meire Cavalcante,

        interagir aqui neste espaço não me obriga a ler textos de ninguém, me desculpe a franqueza. Agente responder baseado no está escrito, ponto. Assim, vamos construindo nossas referências. Não lemos apenas um comentário. Lemos os que aí estão e formamos um pensamento a favor ou contrário. Não me sinto obrigada a ler nada mais do que está colocado nesse espaço, pois entendo (como todos os leigos que por aqui estão interagindo) que este é o espaço livre para a defesa de nossas idéias comuns ou não. Na verdade entendo que os seus organizadores estejam querendo mais, que seja um espaço dialético/dialógico do que um espaço de idéias comuns. Do contrário, para que abrí-lo, não é mesmo? Não sinta-se ‘acusada”, minha fala está voltada para o geral. Não a conheço, minha senhora, me desculpe se é uma falha minha, mas é assim. Irei conhcê-la aqui, através de suas colocações, aqui. Quanto ao diferente e normal estão aspados por entender, também, que não pode haver rótulos. Há pessoas que não se sentem enquadradas neles apesar de serem classificadas como tais. Por exemplo, os surdos não se entendem como “deficientes”, muito menos “deficientes auditivos”, por isso, se é preciso de rótulo eles optaram por Surdos. Menos hipócrita, talvez. Convivo com cegos que se auto denominam cegos, e não “deficientes visuais” e sequer usam óculos escuros. Afinal, a quem “incomoda” os olhos cegos dos cegos? Bem, estou tocando nesses pontos, pois já defendi que este é o nosso espaço de contrução de um novo (ou não) saber baseado em nossos saberes que vão sendo colocados aqui em cada fala nossa. Sem obrigação de precisarmos ler as teses dos participantes. Cada um nós que exponha com clareza suas opniões sem invocar a leitura de suas próprias publicações, fora deste espaço.
        Se a questão é todas as crianças na escola pública, me parece que não divergimos. Mas, se é o mesmo ensino para todas as crianças, aí sim, já começamos a divergir. Então, alguém pode me responder “mas quem disse que é assim?”, vc está equivoda e sem informação.” Eu repondo, como pode uma mesma professora acumular tantos saberes e aplicá-los a diferentes alunos, com necessidades diferentes, com rítmos diferentes a partir de um currículo que não atende as suas necessidades de desenvolvimento, em um mesmo espaço físico e tempo? Repito, o convívio entre as pessoas existe é saudável e precisa continuar a ser estimulado. A escola é o momento de atender as especificidades dos alunos de uma forma completa. É o momento de nos sentirmos plenos, também, entre os nossos pares. Apesar de ter aspado a palavra diferente, parece que não podemos fugir dela. Somos diferentes, assim me parece.

        Publicado por emeli marques | 29/12/2011, 14:06
      • Olá, Emeli. É evidente que você não é “obrigada” a ler mais nada do que escrevi além daqui, desde que você não coloque aspas indevidas em termos que jamais eu utilizaria. Você escreveu: “O argumento é seu de que a Inclusão se dá pelo convívio dos diferentes entre os ditos ‘normais’. As pessoas ditas ‘diferentes” nascem de famílias ditas ‘normais'” Pois bem: os termos “normal”, “dito normal” e “diferente” (no sentido de que a pessoa com deficiência é a única “diferente”) são termos que JAMAIS utilizo em meus textos e nos textos do Inclusão Já! E, na sua colocação, deu-se a entender que eu havia assim me colocado. Meu comentário foi no sentido de se frisar muito bem isso, porque entendo que expressões e palavras são carregadas de sentido, e que não podem ser usadas de forma leviana. E justamente porque, nisso concordamos, as pessoas não podem ser rotuladas. Não estou, portanto, invocando leitura alguma sobre meus escritos em outro contexto se não esse. Entendeu?

        Esté é um espaço, sim, de discussão, de diálogo (como você pode ver ao longo de todos os comentários desta matéria). Mas, antes de mais nada, o Inclusão Já! é um portal de MOBILIZAÇÃO e de DEFESA da educação inclusiva. Somos parciais, nesse sentido, e iremos argumentar, quantas vezes forem necessárias, em defesa do direito inalienável das pessoas com deficiência à escola comum.

        A questão toda não é a de que todas as crianças devem estar na escola pública. A questão toda é que as crianças devem estar na escola COMUM (pública ou privada). É isso o que defendemos aqui. A exclusão é inconstitucional, e essa interpretação não depende de achismos ou de manipulação da lei. É um fato. A escola inclusiva não defende o mesmo ensino para todas as crianças, isso seria estupidez. A escola inclusiva é aquela que LEGITIMA AS DIFERENÇAS a ponto de pensar em programas, currículos e estratégias que contemplem as diferenças. Para isso também serve o atendimento educacional especializado (que você deve conhecer). Você fez uma pergunta brilhante, eis:

        “…como pode uma mesma professora acumular tantos saberes e aplicá-los a diferentes alunos, com necessidades diferentes, com rítmos diferentes a partir de um currículo que não atende as suas necessidades de desenvolvimento, em um mesmo espaço físico e tempo?”

        Pois bem, essa é a questão fundante em torno da educação inclusiva. Queremos um professor que é TRANSMISSOR (aquele que “acumula saberes” e que, depois, os transmite)? Ou queremos professores que permitam a emancipação intelectual de seus estudantes, inclusive aqueles com deficiência intelectual? Queremos essa escola secular, atrasada, do século 18, que não legitima os saberes dos alunos, que exigem que todos cheguem no mesmo ponto, ao mesmo tempo e do mesmo jeito? Ou queremos uma escola que, ao observar e respeitar os interesses, os ritmos, o modo de aprender e as dificuldades de cada aluno planeja a aula para todos? É difícil, mesmo, conceber essa escola, porque não foi nessa escola que todos nós, que aqui estamos debatendo, estudamos. Mas existem milhares de professores neste país que estão fazendo essa curva, que estão criando estratégias, utilizando outros espaços e tempos, que estão subvertendo a lógica perversa da escola que normaliza, doutrina, adestra, disciplina seus alunos. Acho muto bonito o que você escreveu abaixo, e concordo plenamente:

        “A escola é o momento de atender as especificidades dos alunos de uma forma completa. É o momento de nos sentirmos plenos, também, entre os nossos pares.”

        EXATO! Isso é a escola inclusiva, Emeli: uma escola que não só faz isso que você disse, mas que também propicia a convivência, o respeito, a interação social e o mundo como ele é para nossas crianças e jovens. Uma escola que faz de crianças e jovens pares na idade, nos interesses, na cidadania – e não na deficiência (pois isso é discriminação).

        Um abraço!

        Publicado por Inclusão Já! | 29/12/2011, 22:52
      • Cara Meire,

        a desejo de inclusão está posto muito antes de Salamanca. Ele surge quando nós pais temos filhos que não se enquandram na dita “normalidade” (as aspas são minhas). Mas, são pessoas, são gente. Precisam de condições para que se desenvolvam de forma plena na sociedade como um todo, não só na escola. O que é pleno para uns pode não ser para outros. E não precisamos penalizar ninguém por causa das diferenças.
        Tenho falado de contrução e não de transmissão de conhecimentos. De construção de conhecimento que pode ser escolar ou não. Entendo por conhecimento o acúmulo de todo o desenvolvimento humano. Bem, esses conhecimentos não são contruídos da mesma forma por nós. Há questões que precisam ser esclarecidas. Quando falo de pares não me refiro tão somente a constituir pares ou parceiros. Me refiro a pares como semelhantes, como iguais (dentro da mesma diferença).
        Eu que vejo com meus olhos não sou o par mais competente (entendendo par mais competente conforme colocado em Moita Lopes,1996 Oficina de Linguística) que possa inspirar uma pessoa cega a superar obstáculos. Por mais adpatações que se faça p/ os cegos (e isso está longe de ser pelo menos mais ou menos em nossa sociedade), por exemplo, eles precisarão de estimulos de quem superou barreiras. É assim os filhos com seus pais. Não vamos ser hipócritas de defender aqui que nós somos modelos de identificação para os cegos ou para os cadeirantes ou para os surdos, só citando alguns. Quando falo em pares falo desses. Por isso, uma escola que se rotula como segregadora para os surdos, por exemplo, não o é, na verdade. Pelo contrário, ela é totalmente inclusiva, pois permite que através de seus pares os surdos construam todo o conhecimento (ao qual já nos referimos) com a língua que lhe é confortável, do seu afeto como falante natural da língua de sinais. Também, essa escola que em minha opinião, dever ser pública (ou privada como já dito), mas não obrigatória. Deve ser sim mais uma garantia de atendimento a esse segmento da sociedade que assim deseja. Por que querer baní-la, antes mesmo de seu nascimento? Por que se colocar contra quando a proposta é inclusão. Inclusão sim e para todos respeitando suas necessidades, respeitando seus desejos. Quem somos nós para impedir o desejo do outro? Ainda mais quando estamos defendendo a necessidade que é ele que sente em sua carne e não nós. Não é esse um dos significados da INCLUSÃO? Se há um segmento de pessoas surdas (ou deficiente auditivas como preferir) que tem um outro desejo, que se respeite. Mas, não vamos anular o desejo do outro em pról do nosso daquilo que entendemos como sendo o adequado. Não será isso etnocentrismo?
        Por uma Escola Bilingue para surdos já!

        Publicado por emeli marques | 30/12/2011, 3:19
  45. Queria pedir mesmo q acionem o MPF pra q eles saibam q existimos… Tenho conhecimento de q a FENEIS entrou com representação defendendo a escola especial pra surdos sinalizados… E enchem a boca pra dizer q surdos oralizados são minoria, quase não existem e a maioria dos ouvintes compram como verdade, assim como todo o resto das baboseiras q são ditas sobre as outras deficiências em geral… E eu me sinto impotente pq como surda oralizada atuante, sou impedida de atuar nestes procedimentos pq sou interessada, então a chefia até ajuizadamente não me deixa atuar nos procedimentos da Feneis, quando chegam, mas me sinto de pés e mãos atadas pq não vejo o mesmo movimento tão forte do outro lado e os poderes constituídos acham q não existimos e continuam apoiando a ditadura do segregacionismo…

    Publicado por Di | 03/12/2011, 14:23
  46. Precisamos nos mobilizar cada vez mais para não deixar que a inclusão seja tratada com esse desrespeito com que vem sendo tratado no brasil .

    Publicado por Maria de jesus | 06/12/2011, 12:50
  47. Olá, sou professora há doze anos e nunca tinha visto algo tão ideal para as pessoas com necessidades
    educacional especial, como a inclusão escolar, posso afirmar que os frutos dessa perspectiva já estão surgido
    basta observar os alunos que começaram estudar no ensino regular.

    Publicado por Maria de Fátima Silva | 06/12/2011, 21:16
  48. Desculpem, mas poucos comentaristas conhecem o que defendem, com relação a educação dos surdos. A grande maioria de surdos neste País é usuária da LIBRAS e portanto, precisa de um ambiente liguístico para desenvolver a sua lingua. E não é na escola inclusiva que vai conseguir. Já que vivemos numa democracia, vamos respeitar a maioria surda, que repudia esta inclusão que está aí? vamos conviver com os surdos para compreender melhor porque que eles querem uma escola bilingue?. Essa palavra, segregação, tão mensionada nestes debates, precisa ser melhor compreendida. Na minha leitura, pela experiência de ter fihos surdos que já passaram por escolas regulares, segregar é está junto a outras pessoas sem poder interagir com elas. Para quem não vivenciou esta realidade… ” a inclusão é linda”. Os surdos agradecem a Presidente Dilma pelo Decreto 7.612.

    Publicado por Maria Aldenora Nogueira Machado. | 26/12/2011, 23:39
    • Creio ser o contrário: muitos que defendem a segregação conhecem pouco o que é escola inclusiva e, portanto, não lutam para que ela se desenvolva no país. Meire Cavalcante.

      Publicado por Inclusão Já! | 27/12/2011, 0:18
      • Olá!

        Meu nome é Vânia. Betim, MG.
        Sou militante na causa da inclusão e dos direitos das pessoas com deficiência, há 18 anos.
        Penso que o novo decreto é um retrocesso.
        Tenho uma filha de 8 anos com uma deficiência física bem complicada mas, estuda e sempre estudou em escolas comuns. Lá, ela aprende e é feliz.
        Não podemos e não devemos abrir mão dos nossos direitos. Muito conquistamos nestes ultimos 20 anos. Precisamos continuar lutando e fazer valer nosso compromisso de homens e mulheres que acreditam que conviver com a diferença nos torna seres mais humanizados e mais dignos de nós mesmos.
        Parabéns a estas pessoas que organizaram este espaço de debate e nunca se calam diante da mínima possibilidade de exclusão.
        Maria Teresa e todos! É uma horra té-los como nossos mestres.
        Saudações e muita coragem.
        É sempre um grande prezer dialogar com a sociedade e posicionar sobre minha opinião de que:
        LUGAR DE ALUNO COM DEFICIENCIA É NA ESCOLA COMUM!!!
        Atenciosamente

        Vânia

        Publicado por Vânia Maria Martins Rodriguez | 27/12/2011, 16:08
      • Vânia, obrigada por escrever ao Inclusão Já! para partilhar seu posicionamento. É fundamental que mães e pais de todo o país comecem a se manifestar, assim como fez você por meio deste comentário. Precisamos mostrar que as famílias, cada vez mais cientes dos direitos dos filhos, não querem exclusão ou “apadrinhamentos” de protetores vindos do céu. Querem cidadania e respeito, dignidade, acima de tudo. Vamos continuar lutando por isso! LUGAR DE ALUNO COM DEFICIÊNCIA É NA ESCOLA COMUM!!! Eis o nosso grito. :-)

        Publicado por Inclusão Já! | 27/12/2011, 16:23
      • Lugar de aluno é na Escola Pública e de qualidade! Se a sua escola é pública e tem qualidade no atendimento aos diferentes grupos, parabéns, vá em frente. O QUE DEFENDO É O ATENDIMENTO ESCOLAR PÚBLICO PARA TODOS, MAS COM QUALIDADE E RESPEITANDO AS ESPECIFICIDADES EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE CADO INDIVÍDUO.

        Publicado por emeli marques | 28/12/2011, 12:48
  49. Olá
    Sou professora universitária e fisioterapeuta e atendo a crianças com problemas de desenvolvimento por lesões neurológicas. Concluí no final de 2011 o Mestrado em Educação com a dissertação: “Educação Inclusiva: percepções e práticas docentes”. Hoje, ao retornar meus estudos, fiquei estarrecida ao tomar conhecimento da revogação do decreto 6571/08 e a assinatura do decreto 7611/11 pela presidenta Dilma. Percebo o retrocesso e verifico uma grande dificuldade em avançar, o que comprova a minha pesquisa. Observei que alguns profissionais da educação não sabem o que estão fazendo. Pude verificar o caos que existe ao perceber que alguns profissionais: confundem integração com inclusão, acham que a dificuldade em ensinar à criança “está localizada no tipo de deficiência que a criança possui” (fala de professora), e pensam que “é somente dom, carinho e muito coração” (fala de professora) o necessário para ensinar a alunos com deficiência. A falta de conhecimento e de interesse é imensa, e infelizmente ainda não se acredita que a tendência é aumentar o número de crianças com deficiências nas escolas, até porque com o desenvolvimento médico-científico, um maior número de crianças sobrevive às diferentes intempéries que ocorrem na infância.
    Abraços
    Graça

    Publicado por Maria da Graça Tavares Monteiro | 13/01/2012, 9:30
    • Professora Mª da Graça,

      vou fazer aqui um breve esclarecimento no tocante a educação dos surdos. Não entendemos (estou falando do meu lugar de professora nessa área) que se trata de uma incompreensão ou falta de conhecimento, da parte dos colegas professores, pois eles, os que estão trabalhando na rede regular de ensino não tem formação necessária para trabalhar com questões de ordem linguísticas com os alunos surdos. Mesmo que tivessem, não poderiam fazer o trabalho necessário com duas línguas ao mesmo tempo na sala de aula. Intérprete de LIBRAS não resolve a questão da construção do conhecimento partilhado, de acordo com M. Lopes, 1994. Também, como foi dito “infelizmente ainda não se acredita que a tendência é aumentar o número de crianças com deficiências nas escolas,…”, não é uma questão de se garantir número. É a garantia do direito a uma educação escolar pública. O que as lideranças de pessoas surdas estão reivindicando como INCLUSÃO é a garantia da Escola Bilingue para Surdos na rede regular de ensino. Muito prazer, e um abraço fraterno.

      Publicado por emeli marques | 20/01/2012, 22:24
      • Perfeito, Emeli.

        Concordo plenamente com o que disse.

        Publicado por Sandra Patrícia | 22/01/2012, 10:28
  50. A educação é um direito da criança – e não dos pais. A Constituição Federal não permite escolarização em lugar que não seja a escola comum. Oferecer escolarização fora da escola comum é ilegal. E as famílias não podem escolher sobre um direito que não é delas, mas da criança. A Constituição Federal existe para proteger os direitos inalienáveis e indisponíveis de todos os cidadãos (inclusive os menores de idade). Se a escola comum ainda está aprendendo a trabalhar com as diferenças, a sociedade (incluindo os pais) precisa lutar para que a qualidade seja oferecida para todos. Muitas escolas particulares, que na teoria teriam plena possibilidade de fazer um trabalho digno, são, muitas vezes, piores do que as escolas públicas nesse sentido. O que falta? Controle social. O papel das famílias é fazer valer o direito dos filhos, e não cassá-los (por melhor que seja a intenção, sabemos).
    Não podemos achar que se nada presta a gente tem que deixar as crianças excluídas. Até quando??? Aceitar isso é abandonar as crianças e, principalmente, NEGAR-LHES UM FUTURO DIGNO.

    Publicado por Inclusão Já! | 22/01/2012, 16:24

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