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MEC recebe reivindicações contra desmonte da PNEEPEI

Diante da ameaça de desmonte da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC, 2008), o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED/FE/UNICAMP) e a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD) levaram ao Ministro da Educação Rossieli Soares da Silva uma carta com reinvindicações para a manutenção e fortalecimento da PNEEPEI. Além disso, exigiu transparência no que diz respeito aos documentos elaborados pelo MEC com a finalizada de alterar a Política.

Na reunião, foram apresentados os pontos mais preocupantes apontados no DOCUMENTO TÉCNICO: Em defesa da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Também foi entregue uma cópia da pesquisa A Escola e suas Transform(ações) a partir da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e da página do abaixo-assinado em defesa da Política, que já tem mais de 10 mil assinaturas.

 

***

 

EM DEFESA DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

 

Brasília, 20 de junho de de 2018.

 

A Sua Excelência Ministro
Sr. Rossieli Soares da Silva
Ministério da Educação
Esplanada dos Ministérios, Bloco L, 8º Andar, Gabinete
70.047-900- Brasília/DF

 

A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva – PNEEPEI (MEC, 2008) constitui um importante marco para a garantia da inclusão de estudantes da Educação Especial nas escolas regulares, assegurando o acesso ao ensino comum e ao atendimento educacional especializado (AEE). Suas bases legais estão firmadas na Constituição Federal de 1988, que trata os alunos titulares da Educação Especial nos dispositivos referentes à Educação em geral (a matéria, no texto constitucional anterior, era tratada no âmbito da assistência social). Esse fato constituiu um avanço significativo para a educação desses alunos e tem sido pouco enfatizado, quando se trata de se definir o lugar em que os mesmos devem ser formados.

Desde sua promulgação, outros marcos legais foram se somando à Constituição de 1988, dentre os quais se destaca a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD (ONU, 2006),  que consolidou princípios e diretrizes que alteraram a concepção da deficiência e, por consequente, os serviços destinados a esse grupo social.

O Brasil ratificou essa Convenção com equivalência de Emenda Constitucional, por meio do Decreto Legislativo nº186/2008 e do Decreto da Presidência da República nº 6.949/2009. O Art. 24 da CDPD estabelece o compromisso dos Estados-parte com a garantia do acesso à educação das pessoas com deficiência em um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e com a adoção das medidas de apoio necessárias a sua participação, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

É importante destacar a construção democrática e os principais aspectos relativos à implementação da PNEEPEI, enquanto política pública transformadora:

  • A PNEEPEI contribuiu para transformar os sistemas de ensino em sistemas educacionais inclusivos, fortalecendo as ações de discussão e de formação das gestões públicas e das equipes pedagógicas das escolas brasileiras;
  • Para isso, os sistemas de ensino municipais, estaduais e do DF subsidiados técnica e financeiramente por meio do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade, um sistema com cerca de 140 municípios-polos e suas abrangências.
  • O Programa foi lançado em 2003, cinco aos antes da publicação da PNEEPEI. Foram realizados seminários em todo o país, que permitiram o início da elaboração das bases da PNEEPEI;
  • Foi criado um Grupo de Trabalho do Ministério da Educação, nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 09 de outubro de 2007.
  • Esse GT foi responsável por conduzir o processo de elaboração, discussão e finalização do texto da PNEEPEI, cujo texto-base foi amplamente trabalhado em reuniões técnicas, em 5 seminários nacionais (nas 5 regiões) e nos seminários locais promovidos em todo país;
  • Tal processo envolveu a articulação com instituições formadoras e gestões públicas de todo o país, promovendo o aprofundamento da pesquisa e da reflexão sobre as práticas pedagógicas e de gestão.
  • A PNEEPEI compreendeu o apoio técnico e financeiro da União aos sistemas de ensino e promoveu: a implantação de 42 mil Salas de Recursos Multifuncionais para a realização do atendimento educacional especializado nas escolas regulares; a destinação de recursos para projetos de acessibilidade em 57,5 mil escolas públicas; a aquisição e entrega de 2.307 ônibus para o transporte escolar acessível nas redes públicas de ensino; a implantação e a oferta do curso de Licenciatura em Letras com habilitação em Língua Brasileira de Sinais – Libras em 30 universidades e de núcleos de acessibilidade em 63 instituições federais de educação; a produção de livros em Braille e nos formatos digitais acessíveis; a implantação dos núcleos de formação e produção de materiais acessíveis nas áreas da deficiência visual, da deficiência auditiva e altas habilidades/superdotação; a criação do BPC Escola, para o acompanhamento do acesso à escola das pessoas com deficiência, de 0 a 18 anos, beneficiárias do Benefício da Prestação continuada – BPC.

Ações de tal vulto e complexidade demandam muito, seja em termos de esforços de convencimento, esclarecimento, mudanças de atitudes, acomodações de todo o tipo – burocráticas, políticas – mas, principalmente, transformações nas práticas educativas. O tempo para que se consiga avançar no pretendido por uma escola para todos não é medido apenas em anos, mas em poder e força da experiência de seus praticantes. Esse tempo é subjetivo, mas é preciso subsidiá-lo objetivamente, com financiamento, com apoio direto às escolas e, também, por vontade política. Apesar de todos esses desafios, a realidade dos sistemas de ensino vem se modificando e a sociedade se mobiliza em defesa da educação inclusiva e do direito à não discriminação. Além da evolução do acesso à escola, a matrícula dos estudantes público alvo da educação especial no ensino comum, que em 2003 era de apenas 24% do total, em 2017 passou a representar 84%, conforme dados do Censo Escolar (INEP/MEC).

 

Pesquisa nacional do MEC
Essa ação foi proposta pelo Ministério da Educação (MEC) e coordenada pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com o Instituto de Pesquisa do Discurso do Sujeito Coletivo (IPDSC), no âmbito da cooperação internacional da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI). O resultado foi publicado em dezembro de 2014.

A pesquisa envolveu 48 municípios-polos do Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade de todas as regiões brasileiras. Foram entrevistadas as pessoas diretamente envolvidas nas escolas: professores de AEE, professores do ensino básico em todas as suas etapas, gestores dessas escolas, coordenadores de Educação Especial dos municípios estudados, além de pais de alunos com e sem deficiência, matriculados nas escolas onde a pesquisa foi realizada. Foram coletados 3.570 depoimentos em 96 escolas, à luz de uma metodologia qualiquantitativa denominada Discurso do Sujeito Coletivo. As conclusões da pesquisa evidenciam uma alteração do entendimento secular sobre a pessoa com deficiência e sobre o seu lugar no processo educacional. Essa alteração desloca, igualmente, o professor da Educação Especial, que deixa de atuar em um ambiente restritivo (classes e escolas especiais) e passa a enfrentar os desafios inerentes ao seu papel em escolas comuns inclusivas.

Na pesquisa, 81,18% dos entrevistados responderam que indicariam a matrícula na escola comum aos pais de crianças com deficiência. Pode-se inferir que as percepções e posições dos sujeitos sobre a inclusão escolar estão ancoradas na convicção do direito de todos à educação, e nos ganhos que a educação inclusiva traz aos estudantes com e sem deficiência do ponto de vista pedagógico, da socialização e da aprendizagem de valores. Além disso, 89,14% dos entrevistados perceberam ganhos na vida dos profissionais da educação, dos pais e estudantes que vivenciam o processo de inclusão. O levantamento mostrou entraves, desafios, dificuldades, o que é natural na implementação de uma política pública de grande porte como a PNEEPEI. Mas é inegável o avanço em relação à percepção e à certeza de que o lugar da pessoa com deficiência é na escola comum.

Tais evidências são provocadoras e demandam novas investidas no campo político e educacional. Uma delas é o aprofundamento do papel da Educação Especial como modalidade que apoia o processo de inclusão na escola comum, de forma que os professores do AEE não se constituam em um suporte para adequar os alunos às concepções e práticas pedagógicas conservadoras vigentes, mas para questioná-las. A outra, diz respeito às formações inicial e continuada de professores do ensino comum e especial, que precisam ser igualmente fortalecidas e reorientadas segundo os princípios da educação inclusiva, de modo a suplantar de vez os resquícios do modelo segregacionista ainda presente nas práticas educacionais e os discursos que vinculam o AEE à reabilitação e às práticas de ensino diferenciadas, com base na condição de deficiência de alguns alunos.

 

Nosso objetivo
Neste documento, nosso objetivo é a garantia da continuidade da PNEEPEI, norteando as Secretarias de educação de todo o país no sentido de avançar nas mudanças desejadas para que as nossas escolas se tornem ambientes de ensino de qualidade, justos e democráticos e, em consequência, inclusivos. Há que se reconhecer o trabalho que até hoje a PNEEPEI tem semeado e garantido nos sistemas educacionais brasileiros. Nenhum retrocesso ou desmonte desse trabalho pode ser admitido. A orientação inclusiva trazida pela PNEEPEI à educação brasileira deve ser reconhecida no seu mérito irrefutável de promover um desafio ao conservadorismo de nossa educação, que qualquer governo deveria se orgulhar e se empenhar para, a partir dessa bandeira, buscar novos caminhos para a educação em todos os seus níveis – do ensino básico ao ensino superior. Trata-se de uma política de Estado.

As políticas de educação básica precisam igualmente se basear no acervo de contribuições oferecido pela Educação Especial dos tempos atuais, para que possam questionar o que têm proposto como soluções para a melhoria do ensino brasileiro. Um ensino que não considera a diferença de cada aluno, jamais alcançará o nível de excelência que temos de buscar para a nossa educação. Toda homogeneização, toda solução que desconsidera essa especificidade dos seres humanos está fadada ao fracasso.

São essas as preocupações e os motivos que nos trazem para uma discussão aberta e relevante, que não tenha qualquer outro sentido a não ser a busca de um entendimento sobre um projeto educacional que precisa se manter, para que não marque mais um retrocesso na história de nossa educação.

 

Sobre a proposta de reforma
Causa-nos preocupação a anunciada reforma dessa Política pela SECADI/MEC, pois a pasta não divulgou um texto base que explicite os fundamentos teóricos da política que defende. Entretanto, na análise dos slides da SECADI que mostram alguns tópicos da proposta que pretende homologar por meio de consulta pública, compreende-se que não se trata de “atualização” da Política e, sim, de uma alteração em relação à concepção de deficiência e à perspectiva inclusiva da educação especial.

A SECADI justificou que fez um diagnóstico que aponta a necessidade de reforma da PNEEPEI e que há uma defasagem dessa Política em relação à legislação. Esses argumentos precisam ser esclarecidos. Primeiramente, a PNEEPEI está em total acordo com a Constituição Federal, com o Decreto nº 6949/2009 e com a Lei Brasileira de Inclusão – Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) e não cabe ao MEC qualquer recuo em relação a sua implementação. A SECADI/MEC também não explicitou qual a base legal que utiliza para propor um retorno ao modelo de modalidade substitutiva ao ensino comum.

Segundo, a gestão da pasta não permitiu o acesso aos resultados das consultorias contratadas para subsidiar sua proposta de modificação da Política, mesmo mediante solicitação via Lei de Acesso à Informação. No mais, a pesquisa nacional acima mencionada A Escola e suas Transform(ações) a partir da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva foi desconsiderada pela gestão da SECADI/MEC.

Acrescentamos, finalmente, um resumo de nossas reivindicações, no sentido de conhecer as razões pelas quais essa Secretaria está propondo a mudança da PNEEPEI, dado que isso não foi possível, por ora, via Lei de Acesso à Informação.

 

Sobre nossas reinvindicações
Considerando que o governo federal não pode retroceder no cumprimento do direito à educação das pessoas com deficiência; que a PNEEPEI é uma conquista histórica da sociedade brasileira; e que há falta de transparência no processo de “atualização” da PNEEPEI, solicitamos que o Ministério da Educação:

  1. Não altere a PNEEPEI, que está em plena implementação e que, em seu décimo ano de execução, já apresenta avanços significativos, analisados por importantes instituições de pesquisa em educação, por organismos de acompanhamento das políticas públicas e pelo monitoramento da ONU sobre o cumprimento da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência;
  2. Assegure a transparência dos serviços de consultoria e permita o acesso, na íntegra, aos produtos contratados pela SECADI/MEC e respectivos pareceres de aprovação, no âmbito dos seguintes editais: PROJETO 914BRZ1148 EDITAL Nº 12/2016 – Republicação; PROJETO 914BRZ1148 EDITAL Nº 14/2016; PROJETO 914BRZ1042.7 EDITAL Nº 02/2016; e PROJETO 914BRZ1148 EDITAL Nº 15/2016, possibilitando que a instituições como o LEPED analisem os resultados desses trabalhos que embasaram as percepções da SECADI/MEC sobre a PNEEPEI;
  3. Que suste qualquer ação para alterar a PNEEPEI até que seja feita a análise de todo o material dessas consultorias pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED) da Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e demais instituições de pesquisa em educação envolvidas com o direito à educação inclusiva;
  4. Garanta a continuidade e o fortalecimento dos programas de pesquisa, formação continuada de professores e de acessibilidade nas escolas das redes públicas de ensino, ampliando as condições de acesso, participação e aprendizagem de todos os estudantes.

 

Assinam esse documento:

 

Maria Teresa Eglér Mantoan
Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (LEPED)
Faculdade de Educação Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP

Lenir Santos
Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FEBASD)

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Carta aberta pela MANUTENÇÃO do Decreto 6571/08 e da Política Nacional de Educação Inclusiva

MANIFESTO INCLUSÃO JÁ! Brasil: país sem miséria é país que inclui e jamais retrocede.

Soubemos de fonte segura que três entidades se reuniram com a Ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com o objetivo de preparar um decreto para modificar as políticas públicas de INCLUSÃO do Governo Federal. Esta ação tem como objetivo o desmonte da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e a REVOGAÇÃO DO DECRETO 6571/2008, que dispõe sobre o Atendimento Educacional Especializado e que foi fruto da luta da sociedade civil organizada.

O DECRETO 6571/2008 beneficia centenas de milhares de alunos público alvo da educação especial e garante o acesso e a permanência para pessoas que estavam condenadas à invisibilidade social. Este decreto cumpre os preceitos Constitucionais e responde positivamente ao artigo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (que versa sobre Educação).

Sim, Pessoas com deficiência são seres humanos que pertencem à sociedade e, como todas as outras pessoas, não podem crescer e viver segregadas em estabelecimentos específicos, institucionalizadas. O DECRETO 6571/2008 compreende a Pessoa com deficiência como sujeito de direitos e foi duramente conquistado pela sociedade civil organizada.

MUITO MAIS do que três entidades filantrópicas que caminham na contramão da inclusão e dos direitos humanos, O MANIFESTO DE APOIO À POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA, embasada na CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, é TAMBÉM UM MANIFESTO DE APOIO AO DECRETO 6571/2008, que faz computar a matrícula do aluno público alvo da educação especial em dobro no âmbito do FUNDEB. Neste sentido, em nome dos mais de 12.000 signatários do referido Manifesto (ver abaixo), afirmamos que não aceitaremos a sua revogação.

EDUCAÇÃO É DIREITO HUMANO INALIENÁVEL E DIREITOS HUMANOS SAO INEGOCIÁVEIS! DEFENDEMOS OS DIREITOS HUMANOS E OS PRINCÍPIOS DA DEMOCRACIA E DO ESTADO DE DIREITO, DEFENDEMOS A NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, DEFENDEMOS A VIDA E A CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA.

Assinam esta carta aberta:

– Signatários do MANIFESTO – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CUMPRA-SE! (ver as assinaturas abaixo)
– Equipe Inclusão Já!
– Rede Inclusiva – Direitos Humanos Brasil

Link para as 3.243 assinaturas ao Manifesto em defesa da Educação inclusiva postadas pela Rede Inclusiva (número registrado até a publicação deste post).
Link para as 8.801 assinaturas coletadas por meio de petição online (número registrado até a publicação deste post).
Link para as cartas de apoio à Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (enviadas por diversas instituições).

Não é possível nosso Brasil crescer sem miséria se permitir retrocessos nas políticas da educação inclusiva!

Brasil sem miséria é país que INCLUI E NÃO RETROCEDE. Inclusão Já!!!

Irmandade da Pessoa Deficiente apoia política de inclusão

Em nome da Irmandade da Pessoa Deficiente, escrevo esta Nota de Apoio à atual Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (Secadi/MEC), marco político imprescindível para que se abram portas para mais pessoas com deficiência no que diz respeito ao direito humano à educação de qualidade, entendedo que esta só existe quando a educação dessa população ocorre junto com as demais pessoas da sociedade.

Nesse sentido, apoiamos também o Decreto 6571/2008, que dispõe sobre o atendimento educacional especializado, regulamenta o parágrafo único do art. 60 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e acrescenta dispositivo ao Decreto no 6.253, de 13 de novembro de 2007. Trata-se de marco legal que representa ações afirmativas para a consolidação da inclusão da pessoa com deficiência na sociedade.

A educação não é um favor, e sim um direito, previsto em nossa Constituição Federal, garantido a qualquer cidadão brasileiro em território nacional. Sabemos que há “coronéis” de instituições que defendem seus interesses e que querem barrar tal decreto, causando um desmonte na Política Nacional. Não podemos retroceder, tampouco permitir que interesses particulares se sobreponham ao direito inalenável das pessoas com deficiência, dignas do mesmo respeito dado a qualquer cidadão.

A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, para garantir o princípio democrático que rege este país, precisa escutar a sociedade civil organizada. Acreditamos que isso irá acontecer. Nós, membros da IPD, estamos em campanha maciça para garantir o direito à educação inclusiva. Lembramos que o voto de nós, pessoas com deficiência, tem o mesmo peso do voto de qualquer outro cidadão, e não mediremos esforços para que nossas políticas não voltem a ser pautadas no assistencialismo, na nossa segregação e no desrespeito aos nossos direitos!

Não permitiremos retrocessos.

Amauri Nolasco Sanches Junior e Marley Cristina Felix Rodrigues
Coordenadores da Irmandade da Pessoa Deficiente

Instituto Rodrigo Mendes apoia Política Nacional de Inclusão

 

NOTA DE APOIO DO INSTITUTO RODRIGO MENDES À POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

O Instituto Rodrigo Mendes, organização da sociedade civil de interesse público que tem como missão colaborar para que colaborar para a construção de uma sociedade inclusiva por meio da educação e da arte, vem a público expressar seu apoio aos esforços do Ministério da Educação em promover a educação inclusiva como modelo de educação no Brasil.

A atual Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva está em consonância com as mais avançadas práticas de ensino e de inclusão social, sendo elogiada por pesquisadores e estudiosos no âmbito global. Compreendemos que são mudanças paradigmáticas, que precisam de todo o apoio da comunidade escolar e do poder público para ser levadas a cabo. Ao mesmo tempo, acreditamos que tais mudanças contribuirão para colocar em prática os princípios básicos da educação inclusiva, a saber:

Toda criança tem o direito de acesso à educação de qualidade na escola regular e de atendimento especializado complementar, de acordo com suas especificidades. Esse direito está em consonância com a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” e outras convenções compartilhadas pelos Países Membros das Nações Unidas.

Toda criança aprende: sejam quais forem as particularidades intelectuais, sensoriais e físicas do educando, é necessário partir da premissa de que todos têm potencial de aprender e ensinar. É papel da comunidade escolar desenvolver estratégias pedagógicas que favoreçam a criação de vínculos afetivos, relações de troca e a aquisição de conhecimento.

O processo de aprendizagem de cada criança é singular: as necessidades educacionais e o desenvolvimento de cada educando são únicos. Modelos de ensino que pressupõem homogeneidade no processo de aprendizagem e sustentam padrões inflexíveis de avaliação geram, inevitavelmente, exclusão.

O convívio no ambiente escolar comum beneficia todos: acreditamos que a experiência de interação entre pessoas diferentes é fundamental para o pleno desenvolvimento de qualquer criança ou jovem. O ambiente heterogêneo amplia a percepção dos educandos sobre pluralidade, estimula sua empatia e favorece suas competências intelectuais.

A educação inclusiva diz respeito a todos: a diversidade é uma característica inerente a qualquer ser humano. É abrangente, complexa e irredutível. Acreditamos, portanto, que a educação inclusiva, orientada pelo direito à igualdade e o respeito às diferenças, deve considerar não somente crianças e jovens tradicionalmente excluídos, mas todos os educandos, educadores, famílias, gestores escolares, gestores públicos, parceiros, etc.

Dessa forma, esclarecemos que o Instituto Rodrigo Mendes não só apoia a Política Nacional de Educação Especial proposta pelo MEC, como se se coloca como parceiro do ministério para sua disseminação e desenvolvimento.
São Paulo, 19 de outubro de 2011.

Rodrigo Hübner Mendes
Superintendente do Instituto Rodrigo Mendes

Instituto Baresi apoia política de educação inclusiva no país

 

CARTA DE APOIO À POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA – MEC

O Instituto Baresi, que tem com missão melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças raras, facilitar o acesso à informação a respeito deste tema, bem como defender os direitos de pessoas com deficiência, considerando que 1/3 das deficiências advém das raras, reconhece a educação como direito humano fundamental inalienável, para todos e todas. Por este motivo, APOIA A INCLUSÃO EDUCACIONAL SEM RESTRIÇÕES, em concordância com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva do MEC, que tem por base a Convenção. A equivalência de Emenda Constitucional do tratado internacional reforça os preceitos constitucionais de igualdade e de acesso aos direitos sociais com equiparação de direitos. A educação é um bem maior, e é nos bancos da escola que acontece a construção da cidadania e o reconhecimento e legitimação do outro, independente de condição. Iguais na diferença somos todos, precisamos sim que a educação inclusiva seja aprofundada, e ainda com mais recursos, para que os direitos continuem a ser respeitados em todo país.

Considerando que a SECADI/MEC, através da Diretoria de Políticas de Educação Especial (antiga SEESP), vem cumprindo com o seu papel, legitimando diferenças e respeitando direitos humanos, o Instituto Baresi mais uma vez reitera o seu apoio incondicional à Educação Inclusiva.

Inclusivamente,

Marcelo Higa
Diretor Executivo do Instituto Baresi

Petistas apoiam políticas de inclusão de pessoas com deficiência

Nesta quarta-feira (6) movimentos da sociedade civil entregaram ao líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), à Presidente da Comissão de Educação, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), e ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS) o Manifesto – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CUMPRA-SE!, abaixo-assinado em defesa da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Trata-se de uma petição online, lançada há dois meses (sem data para sair do ar) e que já conta com mais de 10 mil assinaturas. São signatários pessoas da sociedade civil e entidades que defendem o direito à educação inclusiva, de acordo com o capítulo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que trata da temática da “Educação”. O intuito do grupo, composto por pessoas com deficiência, representantes de pais, educadores, profissionais que atuam na área e membros do Ministério Público, é chamar a atenção das autoridades para a importância da garantia dos avanços conquistados nos dois governos anteriores.

A petição on-line permanecerá no ar por tempo indeterminado e seu conteúdo (bem como a possibilidade de assinatura) encontra-se no link:

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=INCLUSAO

Assessoria Parlamentar

via Petistas apoiam políticas de inclusão de pessoas com deficiência (PT na Câmara).

Entidades de direitos humanos manifestam apoio à educação inclusiva

O ministro Fernando Haddad recebeu representantes de diversas entidades. Foto: Fabiana Carvalho.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, recebeu nesta quarta-feira, 6, de representantes do movimento Inclusão Já! e da Rede Inclusiva – Direitos Humanos no Brasil o Manifesto – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – Cumpra-se!. Participaram da audiência a presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência, Rebecca Nunes Bezerra, e representantes de diversas instituições.

Com 11 mil assinaturas, o manifesto defende a política de educação inclusiva do MEC e a manutenção da redação dada pelo ministério à meta número quatro do Plano Nacional de Educação (PNE) 2011-2020, que tramita na Câmara dos Deputados.

A meta quatro do PNE diz: “Universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino.” Essa meta do PNE recebeu 187 emendas parlamentares.

De acordo com Cláudia Grabois, da Rede Inclusiva – Direitos Humanos no Brasil, participam do manifesto cerca de 80 entidades de defesa dos direitos à educação em escolar regular de crianças e jovens com deficiência. “Neste momento”, explicou, “estamos juntos com o Ministério da Educação para aprofundar a agenda da inclusão”.

Haddad também recebeu apoio da representante do Ministério Público, Rebecca Nunes Bezerra.

Ionice Lorenzoni

Confira o projeto de lei que cria o PNE 2011-2020.
Confira o banco de dados com as emendas ao PNE.

via Entidades de direitos humanos manifestam apoio à educação inclusiva (MEC).

A comunidade acadêmica em defesa das políticas de inclusão

Há cerca de duas semanas, foi lançado um manifesto entitulado “Manifesto da comunidade acadêmica pela revisão da política nacional de educação inclusiva”. Neste manifesto, os signatários criticam a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva e pedem por sua revisão. No entanto, não sendo o texto representativo de toda a comunidade acadêmica, hoje foi lançado um manifesto-resposta, cujo conteúdo aparece a seguir. A estrutura do texto está organizada da seguinte maneira: em letras minúsculas, o manifesto original e, em CAIXA ALTA, o manifesto-resposta.

O Inclusão Já! registra aqui o seu apoio ao manifesto-resposta, entitulado MANIFESTO AO “MANIFESTO DA ‘COMUNIDADE ACADÊMICA’ PELA REVISÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA”.

O texto explica POR QUE NÃO ASSINAREMOS o primeiro manifesto. Acreditamos que não existe nenhuma justificativa aceitável para a manutenção de qualquer tipo de escola especial.

O Inclusão Já! deixa registrada apenas a ressalva: discordamos do texto em relação à META 4 do Plano Nacional de Educação, que foi construída de forma democrática e legítima nas Conferências Municipais e Estaduais de Educação e, depois, deliberada por mais de 3.000 delegados, representantes de seus municípios e estados, na CONAE 2010. Aproveitamos o ensejo para dizer que discordamos da maneira como muitos debates em relação à Meta 4 vem sendo realizados nas assembléias e nas câmaras do país, sem a presença do Ministério Público e de legítimos representantes do movimento nacional de defesa da educação inclusiva, que defendem a valorização da diversidade na escola das diferenças e a educação de qualidade para todos e todas, sem restrições.

Veja, agora, a íntegra do manifesto em oposição ao primeiro. E, se desejar assiná-lo, clique aqui:

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MANIFESTO AO “MANIFESTO DA ‘COMUNIDADE ACADÊMICA’ PELA REVISÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA”

Caros Colegas,

Depois de respeitosamente considerarmos o texto deste abaixo-assinado, e cumprindo o papel que pensamos que nos cabe, qual seja, o de enriquecer o debate fundamentadamente, apresentamos aqui as razões pelas quais não assinaremos o mesmo, e convocamos aqueles que concordarem conosco em assinarem os contrapontos aqui tecidos. Não temos, com isso, nenhuma pretensão de verdade, mas dois objetivos apenas: demonstrar o quanto esta petição não compreende o pensamento de todo o universo acadêmico da área, bem como enriquecer o debate.

Em nosso ver, nem tudo é exatamente o que parece. Para não prejudicarmos nossas análises – que devem ser estritamente acadêmicas, precisamos tentar nos distanciar emocionalmente da coisa. O MEC não é nem santo, nem diabo. Como nós (acadêmicos) também não somos, aliás. O MEC está fazendo seu papel, cumprindo sua plataforma. Podemos discordar da plataforma, mas “personalizar” a análise em cima de uma instância é, em nossa opinião, um erro estratégico e metodológico. Políticas públicas não são feitas tão somente por uma única instituição, muito menos se resumem a somente um contexto nacional; e sim em função de todo um contexto histórico e político que ultrapassa as fronteiras brasileiras. Não podemos perder isto de vista. Assinalamos nossos contrapontos em caixa-alta, para facilitar a compreensão do leitor.

Abraços fraternos a todos,

Os pesquisadores, professores e profissionais da educação abaixo assinados.

POR QUE NÃO ASSINAREMOS O “MANIFESTO DA COMUNIDADE ACADÊMICA PELA REVISÃO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA”.

“A educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais no Brasil foi institucionalizada no sistema educacional público a partir da década de 1970 e desde então tem havido um movimento contínuo envolvendo essas pessoas, suas famílias, políticos, pesquisadores, profissionais e organizações, no sentido de garantir cada vez mais o direito à educação a essas pessoas.”

SEM DÚVIDA. APENAS CHAMAMOS ATENÇÃO AO TERMO NEE, QUE NÃO DEVERÍAMOS ESTAR USANDO MAIS…

“Ao longo dos 40 anos dessa história, muito embora os caminhos traçados nem sempre tenham sido consensuais, pode-se observar importantes avanços, particularmente a partir de 2003 com mudanças no âmbito da legislação e no financiamento.”

a) UM PEQUENO LEMBRETE: OS CAMINHOS TRAÇADOS NUNCA FORAM CONSENSUAIS (E NÃO APENAS “NEM SEMPRE”). AS POLÍTICAS SÃO CONSTRUÍDAS SOB TENSÕES E LUTAS SOCIAIS, PRECISAM SER DISCUTIDAS PARA SEREM RECONFIGURADAS PELOS GRUPOS E PELAS RELAÇÕES DE PODER QUE OS CONSTITUEM. COMO DIZ BALL NO TEXTO SOCIOLOGIA DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS E PESQUISA CRÍTICO-SOCIAL: UMA REVISÃO PESSOAL DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS E DA PESQUISA EM POLÍTICA EDUCACIONAL. CURRÍCULO SEM FRONTEIRAS, V.6, N.2, PP.10-32, JUL/DEZ 2006.

POLÍTICAS COLOCAM PROBLEMAS PARA SEUS SUJEITOS, PROBLEMAS QUE PRECISAM SER RESOLVIDOS NO CONTEXTO. SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS POSTOS PELOS TEXTOS POLÍTICOS SERÃO LOCALIZADOS E DEVERIA SER ESPERADO QUE DISCERNISSEM DETERMINADOS FINS E SITUAÇÕES CONFUSAS. RESPOSTAS QUE PRECISAM, NA VERDADE, SER “CRIATIVAS”. AS POLÍTICAS NORMALMENTE NÃO NOS DIZEM O QUE FAZER, ELAS CRIAM CIRCUNSTÂNCIAS NAS QUAIS O ESPECTRO DE OPÇÕES DISPONÍVEIS SOBRE O QUE FAZER É REDUZIDO OU MODIFICADO OU NAS QUAIS METAS PARTICULARES OU EFEITOS SÃO ESTABELECIDOS (P.26).

“Apesar disso, constata-se que a construção da política educacional para essa parcela da população, a partir de então, tem sido um empreendimento cada vez menos conduzido de forma coletiva e democrática, produzindo resultados que muito têm preocupado à comunidade acadêmica no país.”

a) GOSTARÍAMOS DE LEVANTAR, AQUI, A RELATIVIDADE DESTA AFIRMAÇÃO. SE LEVARMOS EM CONTA QUE AS POLÍTICAS TÊM PROCURADO SEGUIR (AINDA QUE NEM SEMPRE COM SUCESSO GARANTIDO) O QUE OS MOVIMENTOS ORGANIZADOS INTERNACIONAIS DE (E, PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA, PREDOMINANTEMENTE “DE” MESMO, E NÃO “PARA”, NEM “POR”) PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS TÊM PROPOSTO, CREMOS QUE NÃO PODEMOS AFIRMAR QUE NÃO ESTAMOS SEGUINDO UM RUMO DEMOCRÁTICO. SÓ PODEMOS HIPOTETIZAR. A DEMOCRACIA PODE SER AFIRMADA SE HOUVER PARTICIPAÇÃO, E PELO QUE VIVENCIAMOS DA HISTÓRIA, ESTA PARTICIPAÇÃO EXISTE, EMBORA COM OPINIÕES QUE NÃO SÃO CONSENSUAIS.

“A princípio deixamos clara nossa posição a favor do princípio e da política de educação inclusiva, pois consideramos imperativo moral para o país os valores de igualdade e respeito à diferença. Adicionalmente, consideramos ser esta a estratégia ideal no contexto brasileiro para permitir a universalização do acesso à educação para essa população, que vem sendo continuamente marginalizada de nossas escolas. Assim, reafirmamos não haver divergências ideológicas entre o posicionamento da comunidade acadêmica que aqui se manifesta, e a política educacional do MEC, sendo que o presente questionamento se deve exclusivamente à maneira como esta política vem sendo operacionalizada e aos resultados alcançados.

Elencamos a seguir alguns dos problemas que nossos estudos têm evidenciado em relação à política educacional nacional de escolarização de crianças e jovens com deficiências, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação em classes comuns das escolas regulares:

1) Na gestão política do atual governo, a SEESP/MEC ignorando o aporte que se teve no país com o debate acerca da inclusão escolar na última metade da década de 1990, e desafiando o pressuposto de que uma política tenha que ser um processo de construção coletiva, tem tentado consistentemente impingir aos sistemas uma diretriz política não consensual, fundamentada no princípio da inclusão total, o que tem prejudicado o processo de construção da inclusão escolar na realidade brasileira, entre outros motivos, por que: transformou o debate em embate, produzindo divisão no movimento histórico de luta pelo direito à educação de pessoas com necessidades educacionais especiais, ao invés de promover a articulação entre as ações do poder público e da sociedade civil e, além disso, deslocou o debate de seu cerne, que seria de como melhorar a qualidade da educação brasileira para todos os alunos indistintamente, e não sobre onde os alunos com necessidades educacionais especiais deverão estudar.”

ESTE ITEM MERECE MUITOS DESTAQUES:

a) EM PRIMEIRO LUGAR, SERIA INTERESSANTE DEIXAR CLARO QUAL FOI O “APORTE QUE SE TEVE NO PAÍS COM O DEBATE ACERCA DA INCLUSÃO NA ÚLTIMA METADE DA DÉCADA DE 1990”.

b) EM SEGUNDO LUGAR, COMO JÁ DISPUSEMOS ANTERIORMENTE, É DISCUTÍVEL QUE AS POLÍTICAS ATUAIS NÃO SEJAM FRUTO DE CONSTRUÇÕES COLETIVAS, HAJA VISTA OS MOVIMENTOS DAS COMUNIDADES INTERNACIONAIS (DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, EM PARTICULAR) EM FAVOR DA INCLUSÃO;

c) EM TERCEIRO, A FRASE “TEM TENTADO CONSISTENTEMENTE IMPINGIR AOS SISTEMAS UMA DIRETRIZ POLÍTICA NÃO CONSENSUAL” SUGERE QUE POLÍTICAS SEJAM CONSENSUAIS, O QUE, ASSIM NOS PARECE, É UM EQUÍVOCO. DIFICILMENTE UMA POLÍTICA É CONSENSUAL, ESPECIALMENTE SE SE TRATAREM DE POLÍTICAS DEMOCRÁTICAS (VIDE BALL, ACIMA CITADO).

d) EM QUARTO LUGAR, TAMBÉM A SENTENÇA “O QUE TEM PREJUDICADO O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA INCLUSÃO ESCOLAR NA REALIDADE BRASILEIRA” NOS PARECE UMA GENERALIZAÇÃO DISCUTÍVEL. O FATO DE QUE EM ALGUNS LUGARES O QUE SEJA PROPOSTO POSSA NÃO DAR CERTO, NÃO SIGNIFICA QUE TAL ACONTEÇA, NECESSARIAMENTE, DE MODO GERAL. ASSIM COMO TEMOS EXPERIÊNCIAS DE INSUCESSO, TEMOS TAMBÉM AS DE SUCESSO. INTERNACIONALMENTE, INCLUSIVE, AS EXPERIÊNCIAS DE SUCESSO TÊM SIDO FORTIFICADAS. ALÉM DISSO, A REGRA PODE NÃO SER A MESMA PARA TODOS , TENDO EM VISTA QUE CADA REALIDADE TEM UM CONTEXTO ESPECÍFICO E ISSO RELATIVIZA O QUE SE PODE ESPERAR DOS RESULTADOS. TAMBÉM VALE DIZER QUE MUITOS SÃO OS FATORES QUE PODEM FAVORECER OU NÃO UM RESULTADO, E NÃO, APENAS UM FATOR.

e) EM QUINTO LUGAR, NO QUE TANGE À AFIRMAÇÃO DE QUE AS DIRETRIZES “NÃO CONSENSUAIS” DO MEC TRANSFORMARAM “O DEBATE EM EMBATE, PRODUZINDO DIVISÃO NO MOVIMENTO HISTÓRICO DE LUTA PELO DIREITO À EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS”, VALE LEMBRAR QUE O “MOVIMENTO” SEMPRE FOI DIVIDIDO (PORTANTO, O “EMBATE” É ANTIGO E NÃO NECESSARIAMENTE ORIGINADO SOMENTE PELO PODER PÚBLICO, TAMPOUCO PELO PODER PÚBLICO ATUAL), ATÉ MESMO QUANDO RESUMIA-SE À QUESTÃO DA INTEGRAÇÃO, QUE É PROPOSTA TOTALMENTE DIFERENTE DA DE INCLUSÃO. ESTA PERSISTÊNCIA PERDUROU ATÉ O INÍCIO DOS ANOS 90. SOMENTE EM 1994 A PALAVRA INCLUSÃO ENTRA NO BRASIL POR MEIO DA DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (E TENHO, MÔNICA, ORGULHO DE LEMBRAR QUE A PRIMEIRA PESSOA QUE TROUXE A DECLARAÇÃO DE SALAMANCA TRADUZIDA COM AUTORIZAÇÃO DA PRÓPRIA UNESCO, FUI EU, EM CONGRESSO INTERNACIONAL PROMOVIDO EM SANTA CATARINA, EM JULHO DE 1994. ESTIVE PRESENTE NAS DISCUSSÕES E PREPARO TANTO DA DECLARAÇÃO MUNDIAL SOBRE EDUCAÇÃO PARA TODOS QUANTO DA DE SALAMANCA. PARTICIPEI DOS BASTIDORES DE AMBAS E CONTRIBUÍ COM A ANÁLISE DE DADOS E ELABORAÇÃO DE TEXTOS SUBSIDIÁRIOS DAS REFERIDAS DECLARAÇÕES. PUDE VER, PORTANTO, QUEM POLARIZAVA: ERAM OS QUE SE POSICIONAVAM CONTRÁRIOS À IDEIA DE INCLUSÃO. TANTO QUE OS TEXTOS FINAIS ABRIRAM ESPAÇOS PARA ESTAS POSIÇÕES, DEMOCRATICAMENTE, COMO TINHA DE SER. A PRIMEIRA VERSÃO QUE O BRASIL PUBLICOU, ENTRETANTO, ALÉM DE TER DEMORADO UM POUCO, ESTAVA INCOMPLETA E CONTINHA UMA SÉRIE DE ERROS DE TRADUÇÃO, INCLUSIVE O DA PALAVRA INCLUSÃO, QUE MUITAS VEZES SAÍA COMO INTEGRAÇÃO. CHEGUEI A ESCREVER ARTIGO SOBRE ESTE ASSUNTO, INTITULADO “EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A DECLARAÇÃO DE SALAMANCA: CONSEQUÊNCIAS AO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO”, PUBLICADO NA ENTÃO INTEGRAÇÃO – ANO 10, NO. 22 – 2000, PP. 34-40);

f) POR FIM, QUANTO À AFIRMAÇÃO DE QUE TAIS POLÍTICAS AINDA DESLOCARAM “O DEBATE DE SEU CERNE, QUE SERIA DE COMO MELHORAR A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA PARA TODOS OS ALUNOS INDISTINTAMENTE, E NÃO SOBRE ONDE OS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS DEVERÃO ESTUDAR”, ALÉM DE LEMBRAR QUE NEE NÃO SEJA MAIS O MELHOR TERMO A SER UTILIZADO, PENSAMOS QUE ESTA INTERPRETAÇÃO TAMBÉM SEJA PASSÍVEL DE RELATIVIZAÇÃO, SE PENSARMOS, POR EXEMPLO, QUE “TODOS OS ALUNOS, INDISTINTAMENTE”, IMPLICA, SEGUNDO O VIÉS DOS DIREITOS HUMANOS, QUE NINGUÉM DEVE FICAR SEPARADO DE NINGUÉM, E QUE A DIFERENCIAÇÃO DO ENSINO PARA ATENDER ÀS PARTICULARIDADES DE CADA UM SEM DEIXAR DE LADO O “TODOS” SÓ PODE SE DAR NA CONVIVÊNCIA MÚTUA. ISTO PORQUE SÓ PODEMOS ASSEGURAR QUE NOSSOS DIREITOS À DIGNIDADE E AO ACESSO E PERMANÊNCIA (COM QUALIDADE) À EDUCAÇÃO SE FIRMAM QUANDO TODOS, JUNTOS, APRENDEMOS SOBRE O QUE SEJA CONVIVER, APRENDER E ENSINAR A TODOS E CADA UM DE NÓS SOBRE QUEM SOMOS E COMO SOMOS. FAZER ISSO EM AMBIENTES SEPARADOS É VIRTUALMENTE IMPOSSÍVEL, ALÉM DE SER CONTRADITÓRIO À PRÓPRIA DEMOCRACIA QUE TANTO DEFENDEMOS. A EXISTÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE “ONDE” INTERFERE FORTEMENTE NA VIABILIZAÇÃO DO “COMO”.

“2) A literatura internacional aponta que a proporção 2% a 20% da população escolar teria necessidades educacionais especiais (NEEs) (JÁ COMENTADO), sendo esta variação dependente do conceito de NEEs (JÁ COMENTADO) adotado. A parcela é mais restrita quando a definição é exclusivamente baseada em critérios médicos, e mais ampla, quando adotados critérios essencialmente educacionais. No caso do Brasil, a definição tem privilegiado critérios educacionais, e considerando que o Censo Escolar de 2010 apontou que o Brasil tem 51,5 milhões de estudantes matriculados na educação básica (pública e privada) podemos estimar haver entre 5 a 10 milhões de crianças e jovens em idade escolar com NEEs (JÁ COMENTADO). Entretanto, em 2010, o INEP/MEC verificou apenas cerca de 700 mil matrículas nos diferentes níveis de ensino na educação especial. Portanto, a significativa maioria desses alunos ou encontra-se fora de qualquer tipo de escola, ou então não tem sido identificada pelos sistemas educacionais.”

a) AQUI CONVÉM ESCLARECER QUE ESTE QUADRO TAMBÉM É ANTIGO, MUITO ANTERIOR ÀS ATUAIS POLÍTICAS DE INCLUSÃO, O QUE MOSTRA QUE NÃO SÃO RESULTANTES DELAS. PORTANTO, O QUE PODEMOS, E DEVEMOS, FAZER, COMO ACADÊMICOS, É LEVANTAR ESTES NÚMEROS CORRETAMENTE.

“3) Segundo as estatísticas oficiais do censo escolar, o número de matrícula de alunos com NEEs (JÁ COMENTADO), em 2007, era de 654.606, em 2008, de 695.699, em 2009, de 639.718, e, em 2010, de 702.603. O que significa tais oscilações de matriculas que variaram entre mais 41.093 a menos 55.981 de um ano para o outro? Tais dados de matrículas têm sido pouco confiáveis, pois carecem de definições e diretrizes políticas mais precisas para identificar alunos com NEEs (JÁ COMENTADO) no país. Exceto nos casos de algumas condições das deficiências, cuja identificação é baseada em critérios objetivos (como por exemplo, nas deficiências visual, auditiva, física, múltipla e surdocegueira), nos demais casos (deficiência intelectual, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação), a identificação tem sido arbitrária e subjetiva.”

a) DE ACORDO. MAS, VOLTAMOS A LEMBRAR: JÁ TÍNHAMOS ESTE QUADRO DESDE MUITO ANTES DAS ATUAIS POLÍTICAS! ESSAS VARIAÇÕES NUMÉRICAS ENVOLVEM UMA ANÁLISE CRITERIOSA DE FENÔMENOS QUE PODEM CONDICIONÁ-LAS, POR EXEMPLO, MUDANÇAS TERMINOLÓGICAS NOS CENSOS ESCOLARES E PROGRAMAS SOCIAIS ASSOCIADOS À IDENTIFICAÇÃO DO GRUPO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (BPC/LOAS).

“Consequentemente, no âmbito dos sistemas estaduais e municipais isso tem comprometido indicadores para avaliar a política, pois os dados não são confiáveis dado que crianças, vítimas da baixa qualidade da educação oferecida na escola pública brasileira, são identificadas arbitrariamente por seus professores como estudantes com “deficiência intelectual”. Além disso, tais variações sinalizam mudanças nos critérios de identificação, a partir da aprovação do Decreto nº 6.571 (BRASIL, 2008) que garantiu possibilidade de financiamento dobrado para esses alunos, o que evidencia que os critérios de identificação têm sido arbitrários, parecendo flutuar ao sabor das conveniências políticas e financeiras dos poderes públicos.”

a) NESTE TRECHO, SUGERIMOS DEFINIR O QUE SEJA ARBITRARIEDADE, POIS TRATA-SE DE CONCEITO PASSÍVEL DE DIFERENTES INTERPRETAÇÕES QUANDO SE FAZ UMA CRÍTICA DO PORTE DESTE ABAIXO-ASSINADO. ARBITRÁRIO POR QUE? O QUE É QUE EXATAMENTE FAZ COM QUE OS CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO DO MENCIONADO DECRETO SEJAM ARBITRÁRIOS? A ARBITRARIEDADE ESTÁ EM DISPOR DO ORÇAMENTO DE FORMA A FAVORECER O PROCESSO DE INCLUSÃO? GOSTARIA DE VER ARGUMENTOS MAIS POTENTES SOBRE ISSO. OS DO ABAIXO-ASSINADO NÃO SE APRESENTAM MUITO CONVINCENTES NA MEDIDA EM QUE JÁ TIVEMOS POLÍTICAS QUE FAVORECIAM O OUTRO LADO DESTA HISTÓRIA (O MESMO ARGUMENTO, PORTANTO). MAS QUE, ENTRETANTO, GERARAM PRÁTICAS EDUCACIONAIS TÃO OU MAIS MAL SUCEDIDAS DO QUE AS QUE NO TEXTO SE ALEGAM ESTAREM SENDO MAL SUCEDIDAS.

ESSE TRECHO APONTA QUE NOSSA REALIDADE É REPLETA DE PRÁTICAS E CULTURAS INSTITUCIONAIS DE IDENTIFICAÇÃO E ROTULAÇÃO DE ESTUDANTES, FUNDAMENTADAS NUM MODELO CLÍNICO, QUE MAIS ATUAM COMO BARREIRAS À APRENDIZAGEM. ESSA SITUAÇÃO SEMPRE FOI UM PROCESSO COMPLEXO NA EDUCAÇÃO, QUE PRECISA SER SUPERADA A PARTIR DE ESCLARECIMENTO E DISPOSITIVOS QUE SUPEREM A “ARBITRARIEDADE” DE TAIS CATEGORIZAÇÕES. PODEMOS AINDA (AQUELES DE NÓS QUE SOMOS PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA JÁ O FIZERAM!) ENTENDER ESSE TRECHO COMO OFENSIVO POR ACUSAR O PROFESSOR POR ATITUDES ARBITRÁRIAS. O PROFESSOR NÃO PODE IDENTIFICAR NENHUM ALUNO COMO SENDO PESSOA COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL. ELE PODE ENCAMINHAR UM ALUNO PARA UMA AVALIAÇÃO MÉDICA, PEDAGÓGICA, PSICOLÓGICA E OUTRAS. O PROFESSOR NÃO PODE ASSUMIR, E NÃO O FAZ, SOB PENA DE SE EXPOR A SANÇÕES, POR TENTAR EFETUAR COMPETÊNCIAS QUE NÃO LHE CABEM, E ELE TEM PLENA CONSCIÊNCIA DISSO, HOJE MAIS DO QUE NUNCA.

“4) Os documentos do Ministério da Educação/MEC são omissos quanto à exigência do planejamento educacional individualizado, documento formal que deveria descrever o programa educacional em termos de serviços demandados por um estudante em particular, tendo como base a avaliação dos aspectos desenvolvidos do estudante e de suas necessidades especiais a serem ainda atendidas; que registre as adequações individualizadas necessárias para apoiar o estudante a alcançar expectativas de aprendizagem; que identifique como essas expectativas de aprendizagem podem ser alteradas levando-se em consideração as necessidades de aprendizagem do estudante, o currículo padrão e a definição de metas alternativas nas áreas de programas; que permita identificar o repertório de partida, acompanhar a evolução em direção às metas e traçar novos caminhos se determinado programa não estiver permitindo atingir as metas estabelecidas para o estudante; e que enfim permite prestar contas ao aluno, aos seus pais, e a todos que têm responsabilidade para que os objetivos da educação sejam alcançados. Essa omissão exime os sistemas, as escolas e os educadores da responsabilidade pela educação dessas crianças e jovens.”

a) ESTE ARGUMENTO NÃO NOS PARECE MUITO CONVINCENTE. TEMOS SÉRIAS DÚVIDAS QUANTO A SER ESTE O PAPEL DO MEC, E SIM, MUITO MAIS, DAS SECRETARIAS ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE EDUCAÇÃO, E MESMO DAS ESCOLAS, QUE COMPROMETIDAS COM A CAUSA, DEVERIAM CRIAR ESTES INSTRUMENTOS. ESTUDOS MOSTRAM (VEJAM, POR EXEMPLO, TEXTOS DO SITE HTTP://WWW2.FC.UNESP.BR/CONAVE/), INCLUSIVE, QUE TAIS INSTRUMENTOS PODEM VARIAR LARGAMENTE DE ESCOLA PARA ESCOLA, TENDO EM VISTA, POR EXEMPLO, ENTRE OUTROS ASPECTOS, A POPULAÇÃO ESTUDANTIL A QUE ATENDE. O MEC TEM SE ESFORÇADO EM HABILITAR PROFISSIONAIS PARA O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO ATRAVÉS DE PROGRAMAS DE ESPECIALIZAÇÃO SEMIPRESENCIAIS. RECONHECEMOS QUE INICIATIVAS A DISTÂNCIA NÃO TÊM SURTIDO O EFEITO ESPERADO EM SUA TOTALIDADE. NO ENTANTO, HÁ EXPERIÊNCIAS BEM SUCEDIDAS EM QUE, NESSES PROGRAMAS DE FORMAÇÃO, OS PROFISSIONAIS QUE IRÃO ATUAR NAS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS APRENDEM A IDENTIFICAR AS POTENCIALIDADES DE CADA ESTUDANTE, PARA ASSIM DESENVOLVÊ-LAS, FAVORECENDO SEU PROCESSO DE INCLUSÃO EDUCACIONAL. OS PRINCÍPIOS DA INCLUSÃO SÃO REAFIRMADOS NESSAS INICIATIVAS, NO SENTIDO DE PAUTAR QUE A INCLUSÃO É RESPONSABILIDADE DE TODA A COMUNIDADE ESCOLAR. CADA ESTUDANTE TEM UM PLANO DE ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO QUE CONSIDERA SUAS SINGULARIDADES SEM OLVIDAR QUE O PROCESSO EDUCACIONAL É TAMBÉM COLETIVO. SE ENTENDEMOS QUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES, QUE OS PERFIS PODEM VARIAR DE ACORDO COM AS REALIDADES E OS CONTEXTOS, É DEVER DE CADA ESCOLA CRIAR ESSES INSTRUMENTOS, E NÃO DO MEC, QUE DEVE, ENTRETANTO, FORMULAR SEUS DOCUMENTOS COM AS DIRETRIZES QUE MOSTRAM A VISÃO DA SOCIEDADE E DA CONCEPÇÃO DE INCLUSÃO EM EDUCAÇÃO, QUE QUEREMOS, ENQUANTO CIDADÃOS BRASILEIROS E, TAMBÉM COMO CIDADÃOS DO PLANETA. ASSIM, E DESSA FORMA, TAIS DOCUMENTOS, CRIADOS POR CADA ESCOLA, DEVERIAM ESTAR FUNDAMENTADOS E TER COMO REFERÊNCIA ESSA UNIDADE DE VALORES E PRINCÍPIOS.

“5) Em 2010 foram registradas cerca de 70 mil matrículas de estudantes com NEEs (JÁ COMENTADO) na Educação Infantil, contra aproximadamente 523 mil matrículas no ensino fundamental (74% do total das matrículas). Tais dados indicam que apenas cerca de 13% da população que chega ao ensino fundamental está tendo acesso à educação infantil.”

a) PENSAMOS QUE É IMPORTANTE QUE SE FAÇA UM LEVANTAMENTO SOBRE OS MOTIVOS PELOS QUAIS ESSAS MATRÍCULAS SÃO TÃO BAIXAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL, EM RELAÇÃO ÀS DO ENSINO FUNDAMENTAL. TAL LEVANTAMENTO DEIXARÁ CLARO UM RETRATO DO QUE PENSAM E DO QUE SENTEM AS PESSOAS, QUE TÊM ESSA DEMANDA E, QUE BUSCAM MATRICULAR SUAS CRIANÇAS QUANDO VÃO INICIAR O ENSINO FUNDAMENTAL.

“O resultado disso é que a maioria significativa das crianças com NEEs (JÁ COMENTADO) somente chega à escola com seis anos de idade, para ingressar no ensino fundamental. Portanto, quando muitas ‘janelas’ de possibilidades de desenvolvimento se fecharam, deixando nas crianças e jovens déficits difíceis de serem superados. Além do pouco acesso à educação infantil as estatísticas do censo escolar indicam que o número de matrículas neste nível de ensino vem diminuído gradativamente nos últimos três anos, caindo de 83.247 em 2008, para 74.779 em 2009 e 69.441 em 2010, perfazendo uma diminuição de cerca de 15 mil matrículas de estudantes com NEEs (JÁ COMENTADO) nos últimos três anos. Cumpre ressaltar que no caso específico das crianças que nascem ou que desde cedo apresentam necessidades educacionais especiais, há muito tempo é reconhecida a importância de um processo educacional formal, chamado de intervenção precoce, porque as crianças com dificuldades diferem de algum modo das crianças com desenvolvimento normal. Tais diferenças criam uma demanda por serviços que vão além do que normalmente se encontra disponível à maioria das crianças e, em maior ou menor grau, elas necessitam de ensino especial, tratamentos terapêuticos, equipamentos especiais ou ambientes estimuladores, que são diferentes daqueles necessários às crianças com desenvolvimento normal. Assim, ainda que houvesse acesso amplo a programas de educação infantil regulares, o que não é efetivamente o caso, eles não seriam suficientes, pois crianças com NEEs (JÁ COMENTADO) recisam de programas de intervenção precoce, que ainda são raros na realidade brasileira.”

a) EXATO. E SEMPRE FORAM. O QUE SIGNIFICA QUE ESTE PROBLEMA VAI ALÉM, HISTORICAMENTE, DAS POLÍTICAS ATUAIS, PODENDO SER CONSIDERADO UMA “HERANÇA” COM A QUAL AINDA TEMOS QUE LIDAR. ESSA SITUAÇÃO REFORÇA A NECESSIDADE DE ESTABELECER REDES ENTRE SAÚDE, EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. EM OUTRAS PALAVRAS: POLÍTICAS INTERSETORIAIS, POR MEIO DAS QUAIS AS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA SÃO IDENTIFICADAS INICIALMENTE PELO SISTEMA DE SAÚDE E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, TAIS SETORES SERIAM RESPONSÁVEIS PELO ENCAMINHAMENTO DAS MESMAS ÀS ATIVIDADES DE ESTIMULAÇÃO ESSENCIAL E À EDUCAÇÃO INFANTIL. ISTO É BEM DIFERENTE DE, POR EXEMPLO, TRANSFORMAR A ESCOLA NUMA CLÍNICA, OU NUM HOSPITAL.

“6) A opção política da SEESP/MEC tem sido a de priorizar a chamada “sala de recurso multifuncional” com serviço de apoio à escolarização de crianças e jovens com NEEs (JÁ COMENTADO) em classe comum. Tal opção, entretanto, representa uma simplificação dos serviços de apoio que não encontra sustentação na literatura da área de inclusão escolar, em termos de efetividade para atender às necessidades diversificadas desses estudantes.”

a) ESTA AFIRMAÇÃO É DISCUTÍVEL. ASSINALAMOS EXCERTOS DE QUATRO ESTUDOS PARA ILUSTRAR:

DE 1988: ARTIGO DE JAMES Q. AFFLECK, SALLY MADGE, ABBY ADAMS, SHEILA LOWENBRAUN. INTEGRATED CLASSROOM VERSUS RESOURCE MODEL: ACADEMIC VIABILITY AND EFFECTIVENESS. EXCEPTIONAL CHILDREN, VOL. 54, 1988: “GLAVIN, QUAY, ANNESLEY, AND WERRY (1971) RANDOMLY ASSIGNED BEHAVIORALLY DISORDERED STUDENTS TO EITHER A RESOURCE PROGRAM OR REGULAR CLASS PLACEMENT. THE RESOURCE STUDENTS GAINED SIGNIFICANTLY IN READING AND MATH ACHIEVEMENT. RECENT RESEARCH USING AN INTEGRATED APPROACH HAS SHOWN FAVORABLE ACADEMIC AND SOCIAL EFFECTS WHEN COMPARED WITH RESOURCE ROOM STUDENTS (WANG & BIRCH, 1984A, 1984B)”.

DE 2001: ARTIGO DE SANTOS, L. M. E DENARI, F. CLASSE ESPECIAL: O OLHAR DE SEUS USUÁRIOS E USUÁRIAS. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL, V.7, N.2, 2001. “É IMPORTANTE SALIENTAR, MAIS UMA VEZ, O FATO DE QUE TANTO ALUNOS E ALUNAS, PERCEBEM A CLASSE ESPECIAL COMO UM ESPAÇO FAVORECEDOR DE APRENDIZAGEM. NO DIZER DESTES USUÁRIOS E USUÁRIAS, A CLASSE ESPECIAL REPRESENTA UM ESPAÇO PRIVILEGIADO DEVIDO AOS RECURSOS DIDÁTICOS ALI EXISTENTES, EM CONTRAPOSIÇÃO À INEXISTÊNCIA OU ESCASSEZ DOS MESMOS NAS CLASSES REGULARES. O PRIVILÉGIO DA CLASSE ESPECIAL EM RELAÇÃO À CLASSE REGULAR DEVE-SE, AINDA, AOS RECURSOS HUMANOS: O NÚMERO DE ALUNOS REDUZIDO, FAVORECENDO UMA MAIOR ATENÇÃO NO ATENDIMENTO POR PARTE DA PROFESSORA. NESTE ASPECTO, NÃO SE PODE NEGAR QUE O FATO DE SE TRABALHAR COM UM NÚMERO REDUZIDO DE ALUNOS – QUINZE NO TOTAL – HÁ MAIORES CHANCES DE CONQUISTAR RESULTADOS SATISFATÓRIOS. NO ENTANTO, PERMANECE UMA INCOERÊNCIA: MESMO A DESPEITO DOS RECURSOS EXISTENTES NA CLASSE ESPECIAL, A MAIORIA DOS ALUNOS E ALUNAS, USUÁRIOS E USUÁRIAS DESTE SERVIÇO DURANTE ALGUNS ANOS, PREFEREM ESTUDAR EM UMA CLASSE REGULAR. APESAR DAS VANTAGENS, APONTADAS PELOS SUJEITOS DESTE ESTUDO, OS RÓTULOS E ESTIGMAS QUE A ACOMPANHAM SÃO EXTREMAMENTE MARCANTES NA VIDA ESCOLAR E SOCIAL DOS SEUS USUÁRIOS E USUÁRIAS. NESTAS EXPERIÊNCIAS NEGATIVAS, O ESTIGMA RECEBIDO REPRESENTOU, TAMBÉM, “A SITUAÇÃO DO INDIVÍDUO QUE ESTÁ INABILITADO PARA A ACEITAÇÃO SOCIAL PLENA” (GOFFMAN, 1982, P.7).” (GRIFOS NOSSOS)

DE 2001: ARTIGO DE CAPELLINI, V. L. M. F. E MENDES, E. G. ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS EM CLASSES COMUNS: AVALIAÇÃO DO RENDIMENTO ACADÊMICO. DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW.PROFALA.COM/ARTEDUCESP16.HTM “OS RESULTADOS DO ESTUDO EVIDENCIAM QUE A ESCOLARIZAÇÃO EM CLASSE COMUM PARA OS ALUNOS COM DEFICIÊNCIAS, DA FORMA COMO VEM SENDO FEITA, PODE SER UMA CONDIÇÃO NECESSÁRIA E BENÉFICA NA PERSPECTIVA DO RENDIMENTO ESCOLAR, MAS NÃO É UMA MEDIDA SUFICIENTE PARA GARANTIR A INCLUSÃO ESCOLAR E SOCIAL FUTURA. ENTRETANTO, A SOLUÇÃO ALTERNATIVA NÃO PASSA NECESSARIAMENTE PELA EXCLUSÃO DA CLASSE COMUM E O ENCAMINHAMENTO PARA SERVIÇOS SEGREGADOS OU DE APOIO EXTRA-CLASSE, MAS SIM, EM COMO GARANTIR UMA MELHORA MAIS EFETIVA NO RENDIMENTO ESCOLAR DOS ALUNOS NA CLASSE COMUM.” (GRIFOS NOSSOS)

DE 2003: ARTIGO DE JUSTIN J.W. POWELL, MAX PLANCK INSTITUTE FOR HUMAN DEVELOPMENT, BERLIN, GERMANY. CONSTRUCTING DISABILITY AND SOCIAL INEQUALITY EARLY IN THE LIFE COURSE: THE CASE OF SPECIAL EDUCATION IN GERMANY AND THE UNITED STATES. DISABILITY STUDIES. QUARTERLY SPRING 2003, VOLUME 23, NO. 2 PAGES 57-75 (WWW.DSQ-SDS.ORG) : CONCLUSION: IN THE US (LESS SO IN GERMANY), EACH SUCCEEDING GENERATION OF DISABLED STUDENTS HAS BEEN INCREASINGLY ‘INTEGRATED’ FIRST INTO PUBLIC SCHOOLS AND MORE RECENTLY INTO REGULAR CLASSROOMS. FOR RECENT COHORTS OF STUDENTS IN THE US, 95% OF CHILDREN AND YOUTH CLASSIFIED AS HAVING SEN DO ATTEND THEIR LOCAL REGULAR SCHOOLS, ALTHOUGH MOST OF THEM SPEND SOME OF THEIR SCHOOL DAY IN SEPARATE CLASSES. IN CONTRAST, MOST OF THE FEDERAL REPUBLIC OF GERMANY’S STATES (LSNDER) MAINTAIN SEGREGATING SPECIAL SCHOOLS, WITH ONLY AROUND 10% OF ALL CHILDREN AND YOUTH CLASSIFIED DISABLED ATTENDING THEIR LOCAL REGULAR SCHOOLS. ALTHOUGH WITH SUBSTANTIAL VARIATION BY REGION AND CATEGORY, EDUCATIONAL ATTAINMENT RATES OF STUDENTS CLASSIFIED AS HAVING SEN ARE ALSO MUCH HIGHER IN THE US THAN GERMANY (POWELL, IN PRESS), DESPITE A HIGH SCHOOL DROPOUT RATE FOR YOUTH WITH DISABILITIES TWICE AS HIGH AS FOR THOSE WITHOUT (PHELPS AND HANLEY MAXWELL 1997: 218). RESULTS OF THE ONLY REPRESENTATIVE LONGITUDINAL STUDY OF POST-SECONDARY OUTCOMES FOR AMERICAN YOUTH WITH DISABILITIES (THE NATIONAL LONGITUDINAL TRANSITION STUDY OF SPECIAL EDUCATION STUDENTS) SHOW THAT MORE TIME IN REGULAR EDUCATION IN HIGH SCHOOL FOR STUDENTS WITH DISABILITIES WAS ASSOCIATED WITH BETTER RESULTS AS A YOUNG ADULT.

“Tal sistema apresenta razoáveis desafios à realidade brasileira. Isso porque os professores especializados terão a responsabilidade de responder, em uma ou duas horas de atendimento em turno alternado, às necessidades diferenciadas das mais variadas crianças (com deficiências, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação), que em geral, chegam à escola somente aos seis anos de idade, com atrasos cognitivos, linguísticos e psicomotores consideráveis no desenvolvimento.”

a) ESSA RESPONSABILIDADE NÃO PODE SER DE FATO SOMENTE DOS PROFESSORES DAS SALAS DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS. AS ATIVIDADES E PROPOSTAS DO AEE, NUMA PERSPECTIVA DE INCLUSÃO, PRECISAM SER ASSUMIDAS PELO COLETIVO DA ESCOLA. NO PLANO DE AEE CADA MEMBRO DA ESCOLA TEM UM PAPEL PARTICIPATIVO NO DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DO ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA, TGD OU ALTAS HABILIDADES.

“7) A política nacional prevê ainda que o atendimento educacional especializado possa ser realizado também em instituições especializadas, e como resultado dessa política tem se observado que a parcela da população de estudantes com maiores prejuízos, que se encontravam nas escolas especiais porque nunca tiveram acesso à escola comum, estão no momento correndo sério risco de serem excluídas do sistema educacional porque as escolas especiais estão sendo estimuladas pelo governo, inclusive financeiramente, a fechar suas escolas especiais com a finalidade de prestar serviços de apoio às crianças com dificuldades escolares encaminhadas pelas escolas comuns. Entre 2007 a 2010 houve, por exemplo, uma diminuição equivalente a cerca de 30 mil matrículas nas provisões consideradas “especiais” (escolas e classes especiais) de estudantes da educação infantil; ao passo que o aumento nas provisões consideradas “inclusivas” para este nível de ensino registrou apenas um acréscimo de nove mil matrículas. Assim, um número considerável de matrículas desapareceu do sistema especializado, sem o contraponto do aumento de matrículas nas classes comuns ou mesmo a garantia de que os estudantes transferidos para as classes comuns estão recebendo suporte do atendimento educacional especializado.”

a) NA ESCOLA ESPECIAL É COMUM A PERMANÊNCIA DE ESTUDANTES POR 20 ANOS OU MAIS NAS INSTITUIÇÕES. A POLÍTICA NACIONAL PREVÊ QUE A ESCOLARIZAÇÃO DE TODOS DEVE OCORRER NA ESCOLA COMUM E QUE O AEE PODE SER OFERECIDO TAMBÉM PELAS INSTITUIÇÕES ESPECIALIZADAS. SE A EDUCAÇÃO ESPECIAL NÃO MAIS SE CONSTITUI EM MODALIDADE PARALELA DE EDUCAÇÃO E SIM, COMO FORMA COMPLEMENTAR OU SUPLEMENTAR À FORMAÇÃO DOS ALUNOS NO ENSINO REGULAR, NÃO SE JUSTIFICA A CONTINUIDADE DE OFERTA DE ESCOLARIZAÇÃO NAS INSTITUIÇÕES ESPECIAIS. ESTAS, TAMBÉM, PRECISAM SE ABRIR A TODOS E DEMOCRATIZAR SEUS SABERES ESPECIALIZADOS, SOCIALIZAR SEUS RECURSOS HUMANOS.

“8) As medidas oficiais padronizadas de rendimento escolar coletadas sistematicamente em nosso país nas redes públicas de ensino na última década têm mostrado que o rendimento escolar geral encontra-se abaixo do esperado na série para um amplo contingente de estudantes. Entretanto, a situação é pior no caso dos alunos com NEEs (JÁ COMENTADO), pois muitos sequer participam dessas avaliações padronizadas.”

a) NÃO PARTICIPAR NÃO PROVA, NECESSARIAMENTE, QUE SUA SITUAÇÃO É PIOR! OU SEJA, NÃO PARTICIPAR NÃO É JUSTIFICATIVA PARA NÃO SER BEM SUCEDIDO. O QUE PROVA É QUE NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL AINDA NÃO TRABALHOU O SUFICIENTE PARA QUE SUA PARTICIPAÇÃO NESTA PROVAS SEJA POSSÍVEL E FEITA COM JUSTIÇA. POR OUTRO LADO, PERGUNTAMOS: POLÍTICAS DE TESTES PADRONIZADOS TRADUZEM O QUE REALMENTE QUEREMOS POR EDUCAÇÃO EM NOSSO MUNDO? ACRESCENTAMOS AINDA: ATÉ QUE PONTO ESSES TESTES TRADUZEM A REALIDADE? FORAM CRIADOS, FUNDAMENTADOS E CONSIDERANDO QUE CRITÉRIOS, QUE PERFIL, QUE SOCIEDADE? ALÉM DO MAIS, EM NOSSO VER, O ERRO ESTÁ NA PADRONIZAÇÃO DOS TESTES E DAS AVALIAÇÕES. É PRECISO RESPEITO AO RITMO DIFERENCIADO DA APRENDIZAGEM DO ALUNO. COMO ESTÃO POSTAS, ESTAS AVALIAÇÕES SERVEM MAIS A INTERESSES DE RANQUEAMENTO INTERNACIONAL DO QUE DE ELEVAÇÃO DE QUALIDADE NA EDUCAÇÃO PROPRIAMENTE DITA!

“Por outro lado, a distribuição de matrícula observada nos diferentes níveis de ensino permite identificar que de fato há um grande funil do ensino fundamental para o ensino médio, associado a um grande contingente de alunos com NEEs (JÁ COMENTADO) na Educação de Jovens e Adultos. Tais evidências indicam uma falta de avanço desses estudantes no percurso de escolarização e isso tem implicações graves no processo de inserção social futura, comprometendo os objetivos de qualquer política de inclusão escolar.”

a) COMPREENDEMOS ESTE ARGUMENTO, MAS NÃO O CREMOS CONVINCENTE. EJA NÃO DEVE SIGNIFICAR ESTAGNAÇÃO, TAMPOUCO RETROCESSO NA APRENDIZAGEM: PELO CONTRÁRIO! SE ISTO ESTÁ ACONTECENDO, PRECISAMOS DISCUTIR NOSSA EJA, E NÃO SEGURAR ALUNOS EM NÍVEIS ANTERIORES DE ENSINO. SERÁ QUE O PROBLEMA É MERAMENTE POLÍTICO? DE QUE FORMA AS INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS TÊM IDENTIFICADO TAIS BARREIRAS E FEITO PROPOSIÇÕES PARA TRANSFORMÁ-LAS? A POLÍTICA É UM PROCESSO DINÂMICO QUE CONSISTE NA PARTICIPAÇÃO E REFORMULAÇÃO DE TODOS (VIDE CITAÇÃO ANTERIOR, DE BALL). SUA SIMPLES EXISTÊNCIA ENQUANTO TEXTO OU DISCURSO NÃO IMPLICA EM TRANSFORMAÇÕES NAS CULTURAS E PRÁTICAS ESCOLARES, O PROBLEMA É MAIS COMPLEXO QUE ISSO. ENVOLVE RECONHECERMOS, POR EXEMPLO, QUE AS CLASSES DO PEJA NÃO SÃO CONTEMPLADAS COM OS MESMOS INVESTIMENTOS DAS CLASSES REGULARES (CUJO INVESTIMENTO TAMBÉM É BAIXO). A METODOLOGIA USADA ATUALMENTE CARECE DE REFORMULAÇÃO E RECURSOS, CARECE DE ESTRATÉGIAS PARA TORNAR CONCEITOS DE FÍSICA, MATEMÁTICA, QUÍMICA E ETC … EXPERIENCIÁVEIS. ISSO SERIA ÓTIMO PARA TODOS OS ALUNOS, INDISTINTAMENTE, INCLUSIVE OS DO PEJA.

“9) No tocante à formação de professores ressalta-se que no país, associada a uma escassez de oportunidades de formação inicial nos cursos de graduação nas instituições de ensino superior , coexistem programas e projetos pontuais de formação de professores de Educação Especial por parte da Secretaria de Educação Especial (SEESP/MEC), cuja tendência atual tem sido na forma de cursos de curta duração à distância, propostas essas insuficientes para atender às necessidades da área.”

a) CREMO-LAS INSUFICIENTES PARA AS NECESSIDADES DE QUALQUER ÁREA, NÃO SÓ A DE EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS. PORTANTO, O QUE PRECISAMOS DISCUTIR É A EAD E A MANEIRA COMO ESTÁ SENDO APLICADA/ORGANIZADA E APROVEITADA, E NÃO OS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO… A MODALIDADE DE EAD COMO INICIATIVA DE APROFUNDAMENTO DE ESTUDOS DE FORMAÇÃO CONTINUADA ATÉ PODE PROPORCIONAR QUE OS OBJETIVOS DA FORMAÇÃO SEJAM ATINGIDOS, COM EFICÁCIA, COM A QUALIDADE EXIGIDA. PARA TANTO, VAI ATUAR COM PARCERIAS COM INSTITUIÇÕES LOCAIS, QUANDO NECESSITAR DE MOMENTOS PRESENCIAIS, RELACIONADOS À PRÁTICA. ENTRETANTO, PARA ISTO, OS CURSOS PRECISAM SER BEM PLANEJADOS, PRECISAM DE UM ADEQUADO MAPEAMENTO DO ENSINO-APRENDIZAGEM A SER OFERECIDO, USANDO MÍDIAS E ESTRATÉGIAS DIDÁTICAS ADEQUADAS, MATERIAIS BEM ELABORADOS, ACOMPANHAMENTO CONSTANTE E DEDICADO, SISTEMA INFORMATIZADO COM ACESSO A DADOS E INFORMAÇÕES QUE VÃO PROPORCIONAR UM QUADRO REAL DA SITUAÇÃO DA DINÂMICA DE FUNCIONAMENTO DOS CURSOS. OS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO, POR SUA VEZ, PRECISAM SER PREVIAMENTE PREPARADOS PARA PARTICIPAREM DESSA MODALIDADE, SABENDO APROVEITAR TUDO QUE ELA OFERECE. CASO CONTRÁRIO, MUITO PODERÁ SER ESQUECIDO OU DESCARTADO.

“Em 2006, o censo escolar apontou que havia 54.625 professores especializados no sistema educacional brasileiro e a falta de uma solução definitiva para a questão da formação coloca em xeque a política de inclusão escolar pela ausência de perspectiva sobre onde e como os futuros professores especializados serão formados.”

a) EXATO. MAS A SOLUÇÃO DEFINITIVA PASSA POR NEGAR O DIREITO À APRENDIZAGEM EM CONVIVÊNCIA ESCOLAR?

“10) A história da Educação Especial brasileira tem mostrado que as alterações de status dado ao órgão responsável pelo equacionamento da educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais no país tem refletido o grau de prioridade dado a esta questão pelos diferentes governos. O Decreto 72.425, de 3/07/1973, por exemplo, criou o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP), junto ao Ministério de Educação. Em 1985 o CENESP foi elevado à condição de Secretaria de Educação Especial (SEESPE), sinalizando uma priorização da educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais. Em 1990 uma nova reforma administrativa extinguiria a SEESPE, atribuindo à Secretaria Nacional de Educação Básica (SENEB) a responsabilidade de implementar a política de educação especial. Entretanto, neste mesmo ano a Secretaria de Educação Especial (com a nova sigla SEESP) seria restituída, em virtude do reconhecimento da importância deste órgão para garantir o avanço nesta área. Recentemente, o Decreto n.º 7.480 de 16 de maio de 2011 extinguiu novamente a SEESP atribuindo suas funções à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI). Considerando que os problemas crônicos da educação de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais, a comunidade acadêmica questiona se esta medida trará algum benefício para esta parcela da população brasileira, além da possibilidade de contenção de gastos para o atual governo.”

a) SUGERIMOS COLOCAR, AO FINAL DESTE TRECHO, ONDE SE LÊ “A COMUNIDADE ACADÊMICA QUESTIONA…”, O COMPLEMENTO: “A COMUNIDADE ACADÊMICA AQUI ABAIXO-ASSINADA…”, POIS NÃO SE TRATA, NECESSARIAMENTE, DE VISÃO CONSENSUAL.

“11) O Projeto de Lei nº 8035, de 2010, do Poder Executivo, que “aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras providências” (PL803510) contém especificamente a Meta IV, com proposições cujas implicações precisam ser melhor analisadas, incluindo a proposta de universalização do atendimento às crianças com NEEs (JÁ COMENTADO) na faixa de escolaridade de 4-17 anos, excluindo de antemão o direito à intervenção precoce dos zero aos três anos e institui a possibilidade da terminalidade do processo educacional; a proposta de educação bilíngue português-libras, com o polêmico entendimento de que a principal língua do aluno surdo é a Língua Portuguesa (oral) e não a Libras; além da falta de previsão de transversalidade da Educação Especial para todos os níveis (principalmente para o Ensino Superior) com as devidas garantias de suportes aos alunos com NEEs (JÁ COMENTADO), dentre outras.”

a) AQUI, PENSAMOS QUE O PROBLEMA MAIOR NÃO É A META 4 SOZINHA, E SIM O PNE COMO UM TODO E SUA EMBUTIDA PROPOSTA DE SOCIEDADE, QUE NOS PARECE UM TANTO CONTRADITÓRIA COM TODO O IDEÁRIO DE INCLUSÃO, EM VÁRIOS PONTOS, E NÃO SOMENTE NA META 4. POR ISSO É QUE MOVIMENTOS SOCIAIS/SINDICAIS TÊM SE UNIDO RECENTEMENTE PARA RESGATAR OS FÓRUNS ESTADUAIS DE DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA E TÊM SE PROPOSTO A DISCUTIR/QUESTIONAR O PNE COMO UM TODO, E NÃO SUAS METAS SEPARADAMENTE. CREMOS QUE ESTA LUTA SIM, DEVA SER O VERDADEIRO FOCO. O PNE DEVE RETRATAR A SOCIEDADE E O CIDADÃO QUE QUEREMOS. UMA VEZ QUE ESSA VISÃO SEJA CLARA, O RESTANTE (AS METAS!) SERÃO RESULTANTES DESSE CENÁRIO.

“Enfim consideramos que a ciência será essencial para que a sociedade brasileira busque contribuir, de maneira intencional e planejada, para a superação da educação que tem atuado contrariamente aos ideais de inclusão social e plena cidadania.

O futuro da inclusão escolar em nosso país dependerá de um esforço coletivo, que obrigará à revisão da postura de pesquisadores, políticos, prestadores de serviços, familiares e indivíduos com necessidades educacionais especiais (JÁ COMENTADO ANTERIORMENTE), para trabalhar numa meta comum, que é a de garantir uma educação de melhor qualidade para todos indistintamente. A gravidade do atual momento político demanda um posicionamento da comunidade acadêmica que aqui se expressa, considerando que:

A existência humana não pode ser muda, silenciosa, tampouco pode nutrir-se de falsas palavras, mas de palavras verdadeiras, com que os homens transformam o mundo… Não é do silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. (FREIRE, 1987, p.78).”

CONCORDAMOS PLENAMENTE COM ESTA AFIRMAÇÃO! EIS PORQUE ESTAMOS, AQUI, APRESENTANDO NOSSAS PERSPECTIVAS SOBRE A MATÉRIA.
Os signatários

Vamos fortalecer a inclusão no nosso país*

*Carta enviada a milhares de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para reforçar nosso movimento em defesa da Educação Inclusiva no país.

Caros amigos e amigas,

Desde que iniciamos nossa campanha em defesa da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, recebemos muito apoio, milhares de assinaturas ao nosso manifesto e, claro, algumas oposições.

No entanto, esta comunicação chega a todos os educadores brasileiros, em especial aos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE), com o intuito de divulgar o seguinte:

***

1) Nosso trabalho e nossa luta estão totalmente baseados na Constituição Federal Brasileira e na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Por isso, para fortalecermos essa luta, reafirmamos nosso movimento. Pedimos que todas as pessoas que tenham consciência do trabalho sério que tem sido feito até aqui se mobilizem para que o país todo saiba o que é inclusão, o que os professores do AEE fazem e a importância desse trabalho. Para isso, nosso manifesto online está no ar e não tem data para sair! Já atingimos a meta inicial de 10 mil assinaturas. A nova meta agora é 15 mil. Vamos em frente! Assine, divulgue:

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=INCLUSAO

***

2) Além do manifesto on-line, recebemos, por e-mail, muitas assinaturas a mão! Só para se ter ideia, de Parintins (AM) vieram 2.372 assinaturas de uma vez, tudo digitado ou escaneado. O pessoal coletou assinaturas nas escolas, com pais e mães de crianças atendidas pelo AEE. Se você quiser enviar assinaturas em papel, basta escanear as páginas e enviá-las ao e-mail de Meire Cavalcante (mecavalcante@gmail.com). Vamos fazer uma supermobilização durante esta e a próxima semana. Coletem assinaturas! Precisamos mostrar o trabalho feito pelos profissionais do AEE, que tem sido alvo de críticas por puro desconhecimento.

***

3) Lançamos oficialmente o site www.inclusaoja.com.br. Nele, é possível:

a) assinar o manifesto online.

b) enviar assinaturas de pessoas que não têm e-mail (bastando colocar nome completo, CPF e cidade/estado).

c) contar casos de inclusão de alunos, professores, familiares e redes de ensino. VAMOS, PESSOAL, MOSTRAR O QUE É O AEE e o que os PROFESSORES QUE ATUAM NA INCLUSÃO FAZEM!

d) acessar legislação, textos, documentos, publicações, vídeos.

Participem! E não se esqueçam de twitar e compartilhar as páginas do site no seu Facebook!

***

4) Assistam ao vídeo do administrador e professor Hanz Frank. Ele é surdo e deu, de forma espontânea, um depoimento sobre sua história e sobre o que ele defende quando o assunto é a escolarização de alunos surdos em escolas comuns. O vídeo também esclarece o ponto de vista daqueles que, como a professora Maria Teresa Mantoan, defendem a educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Divulguem!

Clique aqui para assistir ao vídeo do Hans.

***

5) Informamos que a Ampid (Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Pessoa com Deficiência e Idoso) lançou uma nota de apoio à política nacional de Educação Inclusiva. Vamos divulgá-la também!

Acesse aqui o conteúdo desta nota.

***

Por fim, vamos nos mobilizar! Assim, teremos como exigir respeito ao trabalho de milhares de professores e gestores que atuam para a inclusão acontecer e teremos como garantir que se cumpra a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e, portanto, nossa própria Constituição Federal.

Um abraço inclusivo.

Equipe do Inclusão Já!
Claudia Grabois
Maria Teresa Eglér Mantoan
Meire Cavalcante

www.inclusaoja.com.br

 

Orientações para a implementação da Política de Ed. Inclusiva

Neste texto, você poderá conferir quais são as orientações para a implementação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

Vale a pena ler, divulgar, discutir. São documentos que visam trazer ao público e aos educadores informações e orientações importantes para tornar as escolas de todo o país um lugar aberto à diferença e que respeita cada um.

1. Introdução
2. Contexto Histórico da construção da Educação Inclusiva no Brasil
3. Mecanismos para a garantia do direito das pessoas com deficiência à Educação Inclusiva
4. Programas e Ações de apoio ao desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino
5. Documentos orientadores a implementação da Política de Educação Inclusiva

    5.1.    Notas Técnicas

2011

Nº 08 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Orientação para promoção de acessibilidade nos exames nacionais.

Nº 05 – MEC/SECADI/GAB
Assunto: Implementação da Educação Bilíngue.

Nº 03 – MEC/SECADI/GAB
Assunto: Crescimento da política de inclusão é realidade no país

Nº 05 – MEC/SEESP/DPEE
Assunto: Publicação em formato digital acessível – Mecdaisy

Nº 07 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: INES e IBC

Nº 06 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Avaliação de estudante com deficiência intelectual

Nº 03 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Atendimento de estudantes público alvo da educação especial com 18 anos ou mais

2010

Nº. 19 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Profissionais de apoio para alunos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento matriculados nas escolas comuns da rede públicas de ensino

Nº. 15 – MEC/ CGPEE/GAB
Assunto: Orientações sobre Atendimento Educacional Especializado na Rede Privada

Nº. 11 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Orientações para a Institucionalização na Escola, da Oferta do Atendimento Educacional Especializado – AEE em Salas de Recursos Multifuncionais

Nº. 01 – Grupo Gestor Interministerial
Assunto: Pareamento de dados do Programa BPC na Escola/2010

Nº. 09 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Orientações para a Organização de Centros de Atendimento Educacional Especializado

2009

Nº. 17 – MEC/SEESP/GAB
Assunto: Projeto de Emenda à Constituição Federal – PEC 347 – A, de 2009, que altera o inciso III, do art. 208, propondo a seguinte redação: III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, em qualquer faixa etária e nível de instrução.

2008

Nº. 13 – MEC/SEESP/DPEE
Assunto: A educação especial e sua operacionalização pelos sistemas de ensino

    5.2.    Pareceres

2011

 Nº. 19 – MEC / SEESP / DPEE

Assunto: Parecer sobre o Projeto de Lei Nº 7699/2006, que institui o Estatuto do Portador de Deficiência.

2010 

Nº.  124 – MEC/SEESP/GAB

Assunto: Substitutivo à Proposta de Emenda à Constituição Federal Nº 347 – A, de 2009, que altera a redação do inciso III, do art. 208, propondo a seguinte redação: III – atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, em todas as faixas  etárias  e níveis de ensino, em condições e horários adequados às necessidades dos alunos.

Nº.  136 – MEC/SEESP/DPEE

Assunto: Parecer sobre os Projetos de Lei 3.638/2000 e 7.699/2006, que instituem o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Nº  14  – MEC/SEESP/DPEE

Assunto: O PL nº 6.651, de 2009, propõe alterar o Inciso II do art. 59 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, incluindo a expressão sublinhada: “II – terminalidade específica por solicitação por escrito do aluno ou de seu representante legal, para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa para os superdotados”.

 2009

No. 31 – MEC/SEESP/DPEE

Assunto: Proposta de Emenda à Constituição nº 347, de 2009, de autoria da Deputada Rita Camata, que “Altera a redação do inciso III do art. 208 da Constituição Federal”.

Parecer sobre a proposta de emenda à Constituição no. 347 (Parecer 31/2009 – MEC/SEESP/DPEE)

Parecer 31/2009 – MEC/SEESP/DPEE

Data: 13 de maio de 2009

Assunto: Parecer sobre a proposta de emenda à Constituição no. 347, de 2009, de autoria da Deputada Rita Camata, que “Altera a redação do inciso III do art. 208 da Constituição Federal”.

 

Histórico

            A Assessoria Parlamentar do Ministério da Educação encaminhou Proposta de Emenda à Constituição nº 347, de 2009, de autoria da Deputada Rita Camata, que “Altera a redação do inciso III do art. 208 da Constituição Federal”,  para manifestação da  Secretaria de Educação Especial – SEESP, por meio do MEMO nº 92/2009 – ASPAR/GM.

Análise

A proposta de emenda à Constituição nº 347, de 2009, propõe que alunos com deficiência tenham atendimento educacional especializado preferencialmente na rede regular de ensino, independentemente  da faixa etária e do nível de instrução.

Considerações

A proposta precisa ser analisada sobre o paradigma da Educação Inclusiva expressa no Decreto  Legislativo 186, de junho de 2008,  que ratifica  a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU,2006), como emenda constitucional, bem como nos demais artigos da Constituição Federal que tratam da educação.

De acordo com o artigo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à educação. Para realizar este direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes deverão assegurar um sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida.

Determina que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório, sob a alegação de deficiência.

Determina também que as pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem.

Esta Convenção refere-se tanto às etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), às modalidades de educação de jovens e adultos e educação profissional, bem como à educação superior.

Pela Lei nº  9394/96, a educação infantil atende crianças na faixa etária do nascimento aos cinco anos de idade. O ensino fundamental obrigatório inicia-se aos seis anos de idade e é constituído de nove anos. Para a continuidade de estudos no ensino fundamental obrigatório,  é preciso levar em consideração a necessidade de ajustamento razoável, principalmente  quando se trata de pessoas,  maiores de quinze anos,  analfabetas ou que se encontram em processo de alfabetização. Nesse caso, a educação deve ser oferecida por meio da modalidade de Educação de Jovens e Adultos – EJA  e  Educação Profissional para alunos com ou sem deficiência.

De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas  com Deficiência,  “Ajustamento razoável” significa a modificação necessária e adequada e os ajustes que não acarretem um ônus desproporcional ou indevido, quando necessários em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam desfrutar ou exercitar, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais.

Colocar pessoas adultas juntamente com crianças no ensino fundamental  não constitui prática indicada pelos profissionais da área da educação e da saúde. As práticas pedagógicas e os temas abordados diferem-se de acordo com a faixa etária das pessoas com ou sem deficiência.

Anteriormente a essa Convenção,  havia um entendimento equivocado de que pessoas com deficiência, principalmente aquelas com deficiência mental, não conseguiriam aprender ou só conseguiriam ter acesso ao conhecimento em espaços segregados, com currículos adaptados, sem seriação ciclo, sem cumprimento de carga horária mínima, sem avaliação curricular, sem progressão regular nem certificação. Era a educação especial substitutiva à educação regular comum.

Essa estrutura educacional provocou situações distorcidas, como a eterna permanência dos alunos nas escolas especiais, a transferência da responsabilidade com a educação de pessoas com deficiência às instituições filantrópicas e o investimento nos espaços segregados quando deveriam ser promovidas as condições para uma educação de qualidade para todos os alunos na rede pública de ensino regular.

Dessa forma, as práticas pedagógicas, formativas e de gestão não constituíram sistemas educacionais inclusivos, desresponsabilizaram as escolas regulares e limitaram o investimento na organização destes espaços, no âmbito dos recursos e do desenvolvimento profissional. A partir da concepção de educação inclusiva  a escola passa a refletir acerca da pedagogia centrada no desenvolvimento, não na sua condição física, sensorial ou mental do aluno.

A Constituição Federal/88 define a educação como direito de todos, o ensino fundamental como etapa obrigatória de direito subjetivo, além de garantir o atendimento educacional especializado para os alunos com deficiência. Observa-se que cada um desses direitos são distintos e não substitutivos um do outro.

Nessa perspectiva,  o acesso à educação significa o direito de matrícula em escolas comuns  do ensino regular, nas diferentes etapas da educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio) e na educação superior para o desenvolvimento da proposta curricular prevista para todos os alunos. Significa, concomitantemente,  o direito de  matrícula no atendimento educacional especializado,  realizado pela educação especial de forma complementar,  em salas de recursos multifuncionais das escolas comuns  ou em centros de atendimento educacional especializado, públicos ou privados sem fins lucrativos. Assim, o atendimento educacional especializado não substitui a escolarização realizada em classes comuns. Sua função é identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras e promovam o acesso, a participação e aprendizagem dos alunos no ensino regular, tais como: ensino de Libras, ensino da língua portuguesa como segunda língua, sistema Braille, orientação e mobilidade, tecnologia assistiva, comunicação alternativa, atividades para o desenvolvimento das funções mentais, entre outras atividades pedagógicas que favoreçam o acesso ao currículo e formação dos alunos com deficiência. Esse atendimento educacional especializado deve ser inserido no projeto pedagógico da escola onde o aluno está matriculado e independe da idade do aluno.

É com base nesse entendimento, que os alunos com deficiência matriculados em classe comum do ensino regular público que tiverem matrícula concomitante no atendimento educacional especializado serão contabilizados duplamente no âmbito do FUNDEB (Lei 11.494, de 20 de junho de 2007), de acordo com o  Decreto nº  6.571, de 18 de setembro de 2008.

Uma vez que o Decreto Legislativo 186, de junho de 2008, ratificou a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006), como emenda constitucional, prevendo a organização do sistema educacional inclusivo, entendemos que a proposta de emenda à Constituição nº 347, de 2009, deve  excluir o termo “preferencialmente”  e garantir o atendimento educacional especializado, complementar à formação dos alunos com deficiência, matriculados na educação básica ou superior da rede regular de ensino.

Os estudos pedagógicos atuais demonstram a necessidade de uma aprendizagem colaborativa que se possibilite aos alunos com e sem deficiência, da mesma faixa etária, aprender, conviver e valorizar as diferenças.

Todas as crianças, jovens e adultos com deficiência devem ter assegurado o seu direito de aprender, na série correspondente à sua faixa etária. Os professores da educação básica, em articulação com a educação especial, devem estabelecer estratégias pedagógicas e formativas, metodologias que favoreçam a aprendizagem e a participação desses alunos no contexto escolar. Havendo a possibilidade de acesso à educação por meio do encaminhamento de alunos maiores  à  modalidade de Educação de Jovens e Adultos, elimina-se a questão da terminalidade específica prevista na Lei nº  9.394/96, considerando que os alunos com deficiência continuarão a ter direito ao atendimento educacional especializado em qualquer etapa, nível ou modalidade de educação e ensino.

Sintetizando, os estudos e pesquisas nesta área, ao refletir sobre as práticas educacionais e o papel da educação especial na perspectiva da educação inclusiva, indicam:

O  equívoco da interpretação de atendimento educacional especializado como uma oferta de escolarização adaptada, realizada em classes e escolas especiais, geralmente sem  fluxo escolar, avaliação, promoção, progressão e certificação,  que traz como conseqüência a eterna permanência de alunos em ambientes similares a asilos, bem como mantém os sistemas de ensino passivos diante da necessidade de transformação da escola regular.

O conceito de atendimento educacional especializado como atividade não substitutiva à escolarização,  cuja função é identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras e promovam o acesso, a participação e aprendizagem no ensino regular, considerando as necessidades específicas dos alunos que formam o público alvo da educação especial que  na perspectiva da educação inclusiva, é uma  modalidade transversal a todas a etapas, níveis e modalidades de educação e ensino.

Conclusão

Com base no exposto, nosso Parecer é desfavorável à alteração da redação do Inciso III do art. 208 da Constituição Federal, conforme a Proposta de Emenda à Constituição nº 347, de 2009,  bem como  consideramos equivocada a Justificativa que a embasa.

Este é o parecer.

Terminalidade Específica (Parecer 14/2009 – MEC/SEESP/DPEE)

Parecer 14/2009 – MEC/SEESP/DPEE

Data: 23 de fevereiro de 2010

Assunto : Terminalidade Específica

Histórico

A ASPAR encaminhou, pelo Memo nº 50/2010 – ASPAR/GM,  o PL nº 6.651, de 2009, da autoria do Deputado Márcio França, que “Altera o art. 59 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases para a educação nacional” para análise e parecer da SEESP.

Análise

O PL nº 6.651, de 2009, propõe alterar o Inciso II do art. 59 da lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, incluindo a expressão sublinhada:

“II – terminalidade específica por solicitação por escrito do aluno ou de seu representante legal, para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa para os superdotados.”

Considerações

A Constituição Federal, no art. 205, define a educação como direito de todos e no art. 208, institui o atendimento educacional especializado – AEE  às pessoas com deficiência. Ao garantir a oferta deste atendimento aos alunos público alvo da educação especial, é assegurado, além do direito de acesso à escolarização, o direito de igualdade de condições e permanência na escola mediante as condições de acessibilidade.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU/2006), promulgada no Brasil pelo Decreto Nº. 6.949/2009, no art. 24, preconiza o direito das pessoas com deficiência de acesso a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Ao ratificar esta Convenção, com status de Emenda Constitucional, o Brasil assume o compromisso de assegurar que as pessoas com deficiência não sejam excluídas da escola comum e que sejam adotadas medidas de apoio para sua plena participação em igualdade de condições com as demais pessoas.

O Decreto Nº. 6.571/2008 dispõe sobre a oferta e o financiamento do atendimento educacional especializado – AEE, prestado de forma complementar ou suplementar à escolarização dos alunos deficiência, com transtornos globais do desenvolvimento e com altas habilidades/superdotação.

O AEE é definido como o conjunto de recursos e serviços pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a participação e a aprendizagem dos alunos nas diferentes etapas, níveis e modalidades de ensino.

A Resolução CNE/CEB Nº. 4/2009, que institui as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, orienta para a organização deste atendimento, prioritariamente, em sala de recursos multifuncionais da própria escola, no turno inverso ao da escolarização, podendo, ainda, ser realizado em outra escola ou em centro educacional especializado da rede pública ou comunitária, confessional ou filantrópica sem fins lucrativos.

O projeto de lei apresentado objetiva assegurar  terminalidade específica, uma certificação de conclusão de escolaridade,  por solicitação do aluno ou de seu responsável legal, para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências. No entanto, na justificativa, o relator esclarece que o objetivo é  deixar explícita a dispensa de idade limite ou da capacidade de aprender para o atendimento educacional especializado e, assim, garantir o acesso das pessoas com deficiência mental à escola de acordo com sua capacidade intelectual e sem discriminação pela faixa etária.

Na verdade, o projeto reafirma o propósito de manutenção de um sistema paralelo de educação especial definido para esse grupo populacional. Portanto, vem a permitir que estes alunos permaneçam indeterminadamente no atendimento educacional especializado, entendido como  substitutivo à educação regular, segregado, com base na deficiência e sem fluxo nas etapas, modalidades e níveis de ensino.

O direito de alunos obterem  histórico escolar descritivo de suas habilidades e competências, independente da conclusão do ensino fundamental, médio ou superior,  já constitui um fato rotineiro nas escolas, não havendo necessidade de explicitá-lo em Lei.

Se o projeto enseja abordar o direito à educação a partir dos 18 anos, não cabe alterar,  mas, sim, suprimir a “terminalidade específica” para as pessoas com deficiência prevista no Inciso II da Lei Nº. 9394/96 – LDB.

No sentido contrário a essa prerrogativa da “terminalidade específica”, o art. 37 da LDB, que trata da educação de jovens e adultos, assegura esta modalidade àqueles que não tiveram acesso à educação ou à continuidade de estudos na idade própria, considerando não há limite da capacidade de aprender.

O direito à educação é assegurado e organizado de acordo com a faixa etária, conforme dispõe a Resolução CNE/CEB Nº. 3/2005, que estabelece indicador de idade/série para a educação infantil e o ensino fundamental, bem como a previsão de 3 (três) anos para o ensino médio.

Ampliando a faixa etária do ensino obrigatório e gratuito, a Emenda Constitucional Nº. 59/09, fixou dos 4 (quatro)  a 17 (dezessete) anos de idade para a educação básica, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria.

Destaca-se que a oferta da educação para àqueles que estão fora dessa faixa etária do ensino obrigatório é realizada na modalidade de EJA  com o atendimento educacional especializado para alunos com deficiência, devendo os sistemas de ensino organizar proposta pedagógica condizente com os grupos etários e seus interesses.

Dessa forma, não se justifica terminalidade específica com base na deficiência, uma vez que a legislação garante a todas as pessoas a continuidade de estudos na educação de jovens e adultos, bem como são previstos cursos de extensão pela educação profissional, àqueles que estão fora da faixa etária obrigatória, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamento e não ao nível de escolaridade.

Conclusão

Pelas razões expostas, a Secretaria de Educação Especial/MEC, manifesta posição contrária ao Projeto de Lei nº 6.651 de 2009, considerando que  o necessário é eliminar o Inciso II do art. 59 da  Lei 9.394/96, uma vez que é contrário à concepção de sistema educacional inclusivo assumido pelo Brasil pelo Decreto Nº. 6.949/2009, no art. 24, e principalmente contrário à Emenda Constitucional nº 59/09.

Este é o parecer.

Parecer sobre os Projetos de Lei 3.638/2000 e 7.699/2006, que instituem o Estatuto da PCD (Parecer 136/2010 – MEC/SEESP/DPEE)

Parecer 136/2010 – MEC/SEESP/DPEE

Data: 15 de setembro de 2010

Assunto : Parecer sobre os Projetos de Lei 3.638/2000 e 7.699/2006, que instituem o Estatuto da Pessoa com Deficiência

 

Histórico

A Secretaria Executiva encaminhou, por meio do of. Circ. Nº 02/2010/SNPD/SDH/PR de 03 de agosto de 2010, solicitação de análise e parecer dos Projetos de Lei Nº 3.638/2000 e Nº 7.699/2006.

Análise

Com relação aos projetos de Lei Nº 3.638/2000 e Nº 7.699/2006, que instituem o Estatuto da Pessoa com Deficiência, no que tange a análise dos artigos que tratam do direito à educação, realizada com base na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD (ONU, 2006) ratificada no Brasil pelo Decreto Legislativo Nº186/2008 e Executivo Nº 6.949/2009, e com base na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC,2008), consideramos que:

O art. 37, Parágrafo único, trata do dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade de assegurar a educação de qualidade à pessoa com deficiência sem discriminação, entretanto:

  • Incorre no equívoco invocar o direito de “opção” da família ou do representante legal do aluno com deficiência, quando o direito à educação é direito indisponível, da criança, adolescentes e jovens, cabendo a família o dever de cumpri-lo sem ferir a meta de inclusão plena estabelecida na CDPD.
  • Ao admitir que alguém pode dispor do direito do aluno com deficiência ao ensino regular, está sendo negado o direito a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aos apoios específicos em ambientes que maximizem seu potencial acadêmico e social, assegurado na CDPD.
  • Mantém o modelo substitutivo de educação especial segregada aos alunos com deficiência, na contramão da atual Política e CDPD, cujo propósito é eliminar qualquer tipo de sistema paralelo de ensino, reforçando que as medidas de apoio sejam adotadas de acordo com a meta de inclusão plena.

O art. 38, incisos II, III e IV, incumbe ao Poder Público de criar e incentivar programas de educação especial e profissional, porém, inciso VI;

  • Refere-se à oferta do atendimento educacional especializado como métodos e técnicas para pessoas com deficiência, quando este tem como função promover recursos e estratégias pedagógicas e de acessibilidade para eliminar as barreiras que se interpõem ao pleno acesso e participação no ensino regular.
  • Conforme a CDPD, a deficiência resulta da interação entre a pessoa com impedimento físico, sensorial ou intelectual e as barreiras presentes nas atitudes e nos ambientes, portanto não há técnica para uma ou outra deficiência e sim para eliminação das barreiras.
  • Com base na CDPD os atuais marcos políticos e legais estabelecem o direito de acesso de todos a qualquer nível, etapa ou modalidade, o que dispensa a ressalva “sempre que possível”, pois esta ressalva serve para condicionar o acesso dos alunos com deficiência conforme padrões homogêneos de aprendizagem, inadequados perante CDPD que ressalta a diversidade humana.

O art. 40, afirma o dever do Poder Público de assegurar a matrícula de todos os alunos com deficiência, no entanto apresenta contradições:

  • No inciso I, que impõe um retrocesso com relação à educação especial já instituída como modalidade transversal a todos os níveis etapas e modalidades de ensino.
  • No inciso II, ao indicar a ressalva “preferencialmente na rede de ensino”, quando esta é obrigatoriamente na rede de ensino inverte a perspectiva de assegurar o direito a educação inclusiva previsto na CDPD, que se efetiva pelo acesso e permanência no ensino regular.
  • Quando, no inciso III, ignora a definição da educação especial como modalidade que disponibiliza recursos, serviços e atendimento educacional especializado de forma complementar a escolarização aos alunos público alvo, referendada pelo Decreto nº 6.571/2008 e a Resolução CNE/CEB nº 4/2009 que orientam para a oferta desse atendimento em salas de recursos multifuncionais ou em Centro de Atendimento Educacional Especializado público ou privado sem fins lucrativos, no turno inverso ao da escolarização.
  • Ao referir-se a “adequações curriculares” terminologia que expressa a idéia de eliminação de conteúdos para determinados alunos, não adotando o termo da CDPD “adaptações razoáveis” que diz respeito aos diferentes meios que podem ser utilizados para favorecer a inclusão escolar, favorecendo o pleno acesso e a participação.
  • Com o uso de expressões “escola adequada” e “transporte adequado”, quando o direito da pessoa com deficiência diz respeito à acessibilidade na escola acessível, no transporte acessível e outros.
  • Ao abordar a impossibilidade de alunos com deficiência de freqüentar as aulas por razão da deficiência ou tratamento de saúde, o que traduz o equívoco de apontar a deficiência como razão para afastar a pessoa do ambiente escolar comum ao invés perseguir a meta de inclusão plena.
  • Por afrontar os atuais marcos legais, políticos e pedagógicos que asseguram um sistema educacional inclusivo, quando pretende reconhecer as escolas especiais, proposta totalmente em desacordo com a concepção da CDPD cujo propósito é o de pleno acesso e participação das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas, na sua comunidade.
  • Não impulsiona a organização do sistema de ensino inclusivo para, por fim, defender a obrigatoriedade do Poder Público arcar com os custos decorrentes do atendimento educacional especializado em estabelecimentos privados, caso não exista sua oferta na rede pública.

O Art. 41, incisos I, III e IV; dispõe que as escolas privadas devem assegurar aos alunos com deficiência o atendimento às suas especificidades, em todos os níveis e modalidades de ensino, entretanto apresenta medidas que, mais uma vez, reforçam a idéia de “adequação curricular” e “recursos adequados” ao invés de acessíveis. Reforça ainda,  a escolarização em local diverso da escola comum em razão de deficiência, quando deveria informar as pessoas com deficiência e seus familiares que os estabelecimentos privados seguem as normas gerais da educação e que a garantia das condições de acessibilidade e da oferta do atendimento educacional especializado complementar ao ensino regular são obrigatórios para esses estabelecimentos, não cabendo o repasse dos custos decorrentes desses serviços aos alunos com deficiência, ou qualquer outra forma de diferenciação contratual.

O Art. 42 dispõe sobre a obrigação das instituições de ensino superior, públicas e privadas, de prover os meios necessários para o atendimento educacional especializado e condições de acessibilidade física, de comunicação, bem como aos recursos didáticos e pedagógicos. Porém, é inadequada sua abordagem sobre a flexibilização de tempo e de atividades no processo de avaliação, quando o mais indicado é a garantia da acessibilidade nesses processos, afirmando o direito à discriminação positiva , sem reforçar o preconceito com relação às pessoas com deficiência.

Da mesma forma, os Art. 43, inciso II; Parágrafo único: I, II, III e IV; e Art. 44 inciso I, III e Parágrafo Único, não indicam a necessidade do atual contexto de promoção da acessibilidade na realização de provas, reforçando a idéia de “adaptação de provas” e “adequação curricular”, quando deveriam afirmar a qualidade do processo educacional e a garantia das medidas de apoio específicas, considerando que qualquer diferenciação só poderá ser apontada em um determinado contexto, referindo-se a uma realidade educacional e a uma pessoa que tem desenvolvimento pessoal e social diferenciado dos demais, independente da deficiência. Assim, a proposição acaba por reproduzir a representação social da deficiência como uma incapacidade da pessoa.

No Art. 50, parágrafos 1º e 2º; a proposição para a educação profissional contraria a CDPD, buscando reafirmar a oferta dessa modalidade em ambiente segregado, de escolas especiais, colocando apenas como uma possibilidade a inserção de pessoas com deficiência em ambientes produtivos. O Estatuto deveria impulsionar a inclusão em ambientes comuns de educação e do mercado do trabalho, hoje considerados como principais fatores capazes de influenciar para que as pessoas com deficiência, principalmente intelectual, alcancem uma plena participação. Desse modo a proposta não promove o desenvolvimento inclusivo das instituições públicas de educação profissional, técnica e tecnológica, reafirmando o espaço das instituições especializadas privadas, as quais não apresentam a principal premissa para assegurar a inclusão, que é a convivência das pessoas com deficiência com as demais pessoas, desafiando suas potencialidades e, assim, constituindo-se como cidadãos que ocupam um espaço real na sua comunidade, sendo valorizados em ambientes sem segregação.

O Art. 51, incisos I, III, IV, V e VI; não avança com relação ao direito à acessibilidade, voltando a enfatizar a necessidade de “adequação e flexibilização” pelas instituições de educação profissional. Também, o Art. 53 não tem consonância com a perspectiva da educação inclusiva, retornando a abordagem de ambientes segregados, apresentando como proposta as denominadas “oficinas protegidas”, as quais não atendem a meta de pleno acesso e participação das pessoas com deficiência, reforçam a organização de espaços separados das demais pessoas, não promovem as práticas sociais inclusivas e não concorrem para criar a possibilidade de pessoas com deficiência terem um papel no mundo social por meio da participação no contexto real do mercado de trabalho. Com relação aos Art. 54  e Art. 55, estes devem primar pelo cumprimento dos princípios estabelecidos pela CDPD, eliminando toda a diferenciação que tenha como base a deficiência e que impeça o pleno gozo do direito à inclusão.

 

Conclusão

Considerando a análise realizada com base na CDPD, a qual objetiva eliminar um sistema de ensino paralelo às pessoas com deficiência sem prejuízo ao atendimento as suas necessidades educacionais específicas, este parecer posiciona-se pela não aprovação da presente proposição que está em desacordo com os princípios da educação inclusiva, representando um retrocesso em relação aos direitos já assegurados de acesso a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis.

Este é o parecer.

Substitutivo à Proposta de Emenda à Constituição Federal Nº 347 – A (Parecer 124/2010 – MEC/SEESP/GAB)

Parecer 124/2010 – MEC/SEESP/GAB

Data: 16 de agosto de 2010

Assunto: Substitutivo à Proposta de Emenda à Constituição Federal Nº  347 – A, de 2009, que altera a redação do inciso III, do art. 208, propondo a seguinte redação: III – atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, em  todas as  faixas  etárias  e níveis de ensino, em condições e horários adequados às necessidades dos alunos .

 

Histórico

O Relatório da Comissão Especial emitiu Parecer à proposta de Emenda à Constituição 347-A, de 2009, da Sra. Rita Camata, que aborda os seguintes aspectos, entre outros:

a) apesar da Constituição Federal estabelecer como dever do Estado a garantia do acesso à educação a todos, indistintamente, “o poder público, nas suas três esferas, tem, rotineiramente, deixado de garantir o acesso pleno à educação básica, principalmente ao ensino fundamental, aos portadores de deficiência que completam 18 (dezoito) anos de idade”;

b) “tirar do silêncio o dispositivo constitucional, com garantia do atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, independentemente de sua idade e nível de instrução, os quais estão sendo excluídos da educação básica por atingirem o que o poder público tem definido como sua terminalidade, termo usado amplamente pelos operadores dos sistemas de educação dos Estados, DF e Municípios, para definir que esses alunos não possuem mais condições alguma de aprender e, por esse motivo, não podem mais ser atendidos na educação especializada”.

 

O Voto do Relator destaca:

Nas considerações gerais sobre a pessoa com deficiência, que:

a criação de escolas especiais e classes especiais em escolas regulares, embora tenha sido uma tentativa de integração escolar das pessoas com deficiência, foi insuficiente para a eliminação do preconceito e da discriminação social porque não lhes permitiu a participação social e a igualdade de condições com os demais cidadãos;

– a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência promulgada pelo Decreto nº 6949/2009, com status de emenda constitucional, nos termos do art. 5º, §3 º da Constituição Federal, incorpora o princípio da não discriminação em razão da deficiência e o direito à educação e o trabalho em igualdade de condições;

o conceito inclusivo foi alicerçado no próprio texto constitucional de 1988, ao asseverar que a educação é direito de todos, dever do Estado e da família, garantindo-se a igualdade de condições para acesso e permanência na escola e, às pessoas com deficiência, o atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino.

Nas considerações especificas sobre o tema tratado pela PEC nº 347-A, de 2009, que:

– a Lei Maior determina que seja prestado o atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, sem quaisquer limitações ou prioridades referentes à faixa etária, nível de ensino ou tipo de deficiência;

– os dados do Censo Escolar/MEC/INEP, registram o aumento significativo de matrículas de estudantes público alvo da educação especial no período de 1998-2008, indicando o avanço das políticas educacionais brasileiras na perspectiva da inclusão nas classes comuns de ensino regular, bem como dessas matrículas nas escolas públicas.

a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reafirma e explicita o direito à educação inclusiva e, no art. 24, assegura às pessoas com deficiência um sistema educacional inclusivo em todos os níveis; o aprendizado ao longo de toda a vida, de forma que possam alcançar o máximo desenvolvimento possível de suas habilidades físicas e intelectuais; a participação efetiva na sociedade; não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário sob a alegação da deficiência; adaptações de acordo com as necessidades individuais; e medidas de apoio individualizadas e efetivas, com vistas a facilitar sua efetiva educação;

as pessoas com deficiência já têm hoje garantido no texto constitucional o direito a uma educação inclusiva, preferencialmente na rede regular de ensino, em todos os níveis de ensino e ao longo de toda a vida, o que, em princípio, tornaria redundante a alteração apresentada pela PEC ora apreciada;

– pela Lei 9394/96, a educação especial não constitui uma modalidade paralela ao atendimento regular, mas que deve estar inserida na educação escolar regular; em conformidade com a CF, prevê a preferência do atendimento escolar à pessoa com deficiência na escola regular desde a educação infantil e com a oferta de serviços de apoio especializado, quando necessário; e não há qualquer distinção ou priorização de atendimento por faixa etária ou por etapa e nível de ensino; o atendimento educacional especializado vem complementar o atendimento regular e não substituí-lo, mediante a disponibilização de currículos, métodos, pessoal e recursos adequados às necessidades do educando;

– segundo a LDB, o atendimento educacional especializado, complementar ao atendimento regular e fundamental para uma educação de qualidade da pessoa com deficiência, não se restringe a uma faixa etária específica ou nível de ensino. 

na educação de jovens e adultos, a LDB estabelece que os alunos que não concluíram os estudos na idade apropriada podem matricular-se na EJA para que os mesmo possam faze-la num modelo mais adequado a sua faixa etária; que o jovem não perde o direito de freqüentar a escola regular automaticamente ao completar 18 anos; cabe a sociedade exigir a oferta da EJA no diferentes períodos para satisfazer as necessidades da população; a EJA e educação regular não são excludentes; é obrigação do Estado prestar atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência matriculados na EJA, com “oportunidades educacionais apropriadas” e considerando “as características do alunado, seus interesses e condições de vida”, o que reforça o caráter inclusivo; a EJA não pode e não deve ser oferecida preponderantemente no período noturno;.

– a terminalidade específica estabelecida na LDB teve seu conceito introduzido com o fim de beneficiar o aluno como alternativa a ser utilizada para o encaminhamento dos alunos com deficiência mental para outras instâncias educacionais ou para o mundo do trabalho e  não para excluí-lo da escola;

– os sistemas de ensino utilizam o dispositivo da terminalidade para forçar o aluno com deficiência a migrarem para a EJA ou para educação profissional, com base na Resolução CNE/CEB nº 2/2001, que facultou às instituições de ensino a concessão da terminalidade específica aos alunos com grave deficiência mental ou múltipla, subvertendo o objetivo pensado pelo legislador;

– não se faz necessário adequações referentes à terminalidade específica no texto constitucional, nem na LDB, e sim a retificação da Resolução do CNE supracitada;

– adequar a redação da PEC de forma a ajustá-lo aos termos da Convenção da ONU sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, substituindo a expressão “portadores de deficiência” por “pessoas com deficiência” e acrescentando a determinação de que os alunos com deficiência sejam atendidos “em condições e horários adequados às suas necessidades”;

– o voto é pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição nº 347-A, nos termos do substitutivo, propondo: III – atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, em todas as faixas etárias e níveis de ensino, em condições e horários adequados às necessidades do aluno.

 

Análise:

No que tange aos dados relativos às pessoas com deficiência, cabe esclarecer que os conceitos utilizados pelo IBGE diferem daqueles utilizados pelo Censo Escolar. No que se refere às informações oriundas do Censo Escolar/MEC/INEP, é importante destacar que, a partir de 2004, o Censo Escolar passa a identificar ciclo e série dos alunos público-alvo da educação especial e, em 2008, passa ser monitorado o fluxo escolar individual dos estudantes.

A PEC trata do atendimento educacional especializado disposto na Constituição Federal e na LDB, não explicitando a concepção de educação inclusiva, que define a educação especial como modalidade transversal aos níveis, etapas e modalidades de ensino, complementar à escolarização dos estudantes com deficiência. Desse modo, a autora enfoca a necessidade da oferta desse atendimento sem abordar o direito de acesso das pessoas com deficiência à educação regular, ou seja, o direito a uma educação inclusiva.

O relator, por sua vez, explicita a concepção de educação inclusiva incorporada à CF, compreende que o atendimento educacional especializado é complementar e não substitutivo ao ensino regular, além de ser ofertado em qualquer etapa, nível ou modalidade, sem restrição etária, sendo seu objetivo atender as especificidades dos alunos.

Desse modo, a PEC é desnecessária porque não incorporou os avanços da educação inclusiva, que prevê o pleno acesso ao ensino regular e a oferta complementar do atendimento educacional especializado, pressuposto este que deve alterar a organização dos sistemas de ensino para que as pessoas com deficiência não sejam excluídas ou segregadas em razão da deficiência.

Conclusão

A redação da proposta de substitutivo não ressaltou o aspecto mais importante do tema na atualidade, qual seja, o caráter complementar do atendimento educacional especializado, que segundo o próprio relator é complementar ao atendimento regular e fundamental para uma educação de qualidade da pessoa com deficiência, não se restringindo a uma faixa etária específica ou nível de ensino e atendendo as condições e horários adequados as necessidades dos alunos.

Diante do exposto este parecer é desfavorável a PEC 347- A de 2009, bem como ao seu substitutivo.

Este é o parecer.

Parecer sobre o Projeto de Lei Nº 7.699/2006, que institui o Estatuto do Portador de Deficiência (Parecer 19/2011 – MEC/SEESP/DPEE)

Parecer 19/2011 – MEC/SEESP/DPEE

Data: 03 de março de 2011

Assunto: Parecer sobre o Projeto de Lei Nº 7.699/2006, que institui o Estatuto do Portador de  Deficiência

 

Histórico

A ASPAR/GM encaminhou, por meio do Memorando 62/2011,  em 24 de fevereiro de 2011, solicitação de análise e parecer do Projeto de Lei Nº 7.699/2006, de autoria do senador Paulo Paim, que “Institui o Estatuto do Portador de Deficiência e dá outras providências”.

Análise

O PL nº 7.699/2006, particularmente o Capítulo V, que trata do Direito à Educação, foi analisado com base na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD (ONU, 2006),  ratificada no Brasil pelo Decreto Legislativo Nº 186/2008 e  Decreto Executivo  Nº 6.949/2009, bem como na Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC,2008). Assim, consideramos que:

O art. 37, Parágrafo único, trata do dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade de assegurar a educação de qualidade à pessoa com deficiência sem discriminação. Entretanto, equivoca-se ao invocar o direito de “opção” da família ou do representante legal do aluno com deficiência, posto que, o direito à educação é direito indisponível, da criança, adolescentes e jovens, cabendo à família o dever de cumpri-lo sem ferir a meta de inclusão plena estabelecida na CDPD. Além do mais, ao admitir que alguém pode dispor do direito do aluno com deficiência ao ensino regular, está sendo negado o direito a um sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aos apoios específicos em ambientes que maximizem seu potencial acadêmico e social, assegurado na CDPD. Outrossim, mantém o modelo substitutivo de educação especial segregada aos alunos com deficiência, na contramão da atual Política e da CDPD, cujo propósito é eliminar qualquer tipo de sistema paralelo de ensino, reforçando que as medidas de apoio sejam adotadas de acordo com a meta de inclusão plena.

O art. 38, incisos II, III e IV, incumbe ao Poder Público de criar e incentivar programas de educação especial e profissional. Porém, refere-se à oferta do atendimento educacional especializado como métodos e técnicas para pessoas com deficiência, quando este tem como função promover recursos e estratégias pedagógicas e de acessibilidade para eliminar as barreiras que se interpõem ao pleno acesso e participação nas classes comuns do ensino regular. Conforme a CDPD, a deficiência resulta da interação entre a pessoa com impedimento físico, sensorial ou intelectual e as barreiras presentes nas atitudes e nos ambientes, portanto não há técnica para uma ou outra deficiência e sim para eliminação das barreiras. Além do que os atuais marcos legais políticos e pedagógicos estabelecem o direito de acesso de todos a qualquer nível, etapa ou modalidade de ensino, o que dispensa a ressalva “sempre que possível”, pois esta  serve para condicionar o acesso dos alunos com deficiência conforme padrões homogêneos de aprendizagem, inadequados perante CDPD que ressalta a diversidade humana.

O art. 40, afirma o dever do Poder Público de assegurar a matrícula de todos os alunos com deficiência. No entanto, apresenta as seguintes dissonâncias com os princípios constitucionais: o inciso I impõe um retrocesso com relação à educação especial, já instituída como modalidade transversal a todos os níveis etapas e modalidades de ensino; o inciso II, ao indicar a ressalva “preferencialmente na rede de ensino”, inverte a perspectiva de assegurar o direito à educação inclusiva previsto na CDPD, que se efetiva pelo acesso e permanência no ensino regular; o inciso III ignora a definição da educação especial como modalidade que disponibiliza recursos, serviços e atendimento educacional especializado de forma complementar à  escolarização aos alunos público-alvo da educação especial, referendada pelo Decreto nº 6.571/2008 e a Resolução CNE/CEB nº 4/2009 que orientam para a oferta desse atendimento em salas de recursos multifuncionais ou em Centro de Atendimento Educacional Especializado público ou privado sem fins lucrativos, no turno inverso ao da escolarização; o inciso IV admite “adequações curriculares”, terminologia que expressa a idéia de eliminação de conteúdos para determinados alunos.

Desconsidera a expressão “adaptações razoáveis”,  utilizada pela CDPD,  que diz respeito aos diferentes meios que podem ser utilizados para favorecer a inclusão escolar, promovendo o pleno acesso e a participação dos alunos publico alvo da Educação Especial em classes comum regular; os incisos VII, IX e X usam as expressões: “escola adequada”, “transporte adequado” e “atendimento adequado”, quando a Constituição Federal  assegura à pessoa com deficiência, o direito à escola acessível, ao transporte acessível e ao atendimento educacional especializado complementar ou suplementar à escolarização; o inciso IX aborda a impossibilidade de alunos com deficiência de freqüentarem as aulas por razão da deficiência ou tratamento de saúde, o que traduz o equívoco de conceber a deficiência como doença e justificativa para negar às  pessoas com deficiência o direito à educação em ambiente escolar comum; o inciso XI  afronta os atuais marcos legais, políticos e pedagógicos da Educação Especial, quando propõe o reconhecimento das escolas especiais, afirmando a Educação Especial  substitutiva à escolarização. Este propósito está em desacordo com a concepção da CDPD cujo objetivo é o de pleno acesso e participação das pessoas com deficiência em igualdade de condições com as demais pessoas, na sua comunidade. Além disso, ao invés de investir no desenvolvimento inclusivo da escola pública, propõe o financiamento público a estabelecimentos privados.

Os incisos I, III, IV e V do Art. 41, atribuem às escolas privadas a tarefa de assegurar aos alunos com deficiência, o atendimento das suas especificidades, em todos os níveis e modalidades de ensino. Além do mais, apresenta medidas que reforçam a idéia de “adequação curricular” e “recursos adequados”, ao invés de acessíveis. Reforça, ainda, a escolarização em local diverso da escola comum em razão de deficiência, quando deveria informar às pessoas com deficiência e a seus familiares, que os estabelecimentos privados devem seguir as normas gerais da educação. Assim, todos os estabelecimentos públicos e privados devem garantir as condições de acessibilidade e a oferta do atendimento educacional especializado complementar à escolarização em classes comum do ensino regular. No caso de estabelecimentos privados,  não cabe o repasse dos custos decorrentes desses serviços às famílias dos alunos com deficiência, por meio de qualquer forma de diferenciação contratual.

O Art. 42 dispõe sobre a obrigação das instituições de ensino superior, públicas e privadas, de prover os meios necessários para o atendimento educacional especializado e condições de acessibilidade física, de comunicação, bem como, disponibilizar os recursos didáticos e pedagógicos. Porém, é inadequada sua abordagem sobre a flexibilização de tempo e de atividades no processo de avaliação, quando o mais indicado é a garantia da acessibilidade nesses processos, afirmando o direito à discriminação positiva, sem reforçar o preconceito com relação às pessoas com deficiência.

Da mesma forma, o Art. 43, inciso II; Parágrafo único, inciso  I e Art. 44 incisos I, III e Parágrafo único, desconsideram o direito da pessoa com deficiência às condições de igualdade com as demais pessoas, tendo a garantia dos recursos de  acessibilidade para realização de provas com autonomia. Além disso, reforçam a idéia de “adaptação de provas” e “adequação curricular”, quando deveriam afirmar a qualidade do processo educacional e a garantia das medidas de apoio específicas.  Isto posto, a proposição traduz a representação social da deficiência como incapacidade.

No Art. 50, parágrafo 1º,  a proposição para a educação profissional contraria a CDPD, ao reafirmar a oferta dessa modalidade em ambiente segregado, de escolas especiais, colocando apenas como uma possibilidade a inserção de pessoas com deficiência em ambientes produtivos quando deveria impulsionar a inclusão educacional e do mundo do trabalho. Desse modo a proposta não promove o desenvolvimento inclusivo das instituições públicas de educação profissional e tecnológica, reafirmando o espaço das instituições especializadas privadas, as quais não apresentam a principal premissa para assegurar a inclusão, que é a convivência das pessoas com deficiência com as demais pessoas, desafiando suas potencialidades e, assim, constituindo-se como cidadãos que ocupam um espaço real na sua comunidade.

Os incisos I e IV do Art. 51 retrocedem com relação ao direito à acessibilidade, voltando a enfatizar a necessidade de “adequação” e “flexibilização” pelas instituições de educação profissional. Da mesma forma, o Art. 53 está em dissonância com a perspectiva da educação inclusiva, retornando a abordagem de ambientes segregados, apresentando como proposta as denominadas “oficinas protegidas terapêuticas”, as quais não atendem a meta de pleno acesso e participação das pessoas com deficiência; reforçam a organização de espaços separados das demais pessoas; não promovem as práticas sociais inclusivas e não concorrem para criar a possibilidade de pessoas com deficiência terem um papel no mundo social por meio da participação no contexto real do mundo do trabalho. De acordo com a CDPD, os Art. 54 e Art. 55 são desnecessários, pois as pessoas com deficiência devem acessar inclusivamente os programas de estágios e os contratos de aprendizagem previstos nas Leis 6.494/1977 e 10.097/2000, respectivamente, sendo asseguradas as condições de acessibilidade.

Conclusão

Diante do exposto, este parecer posiciona-se contrariamente ao presente projeto de lei, por considerá-lo em desacordo com os atuais marcos legais políticos e pedagógicos da educação brasileira, além de representar um retrocesso em relação ao direito da pessoa com deficiência à educação inclusiva.

Este é o parecer.

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